Hambúrgueres
Quando um animal é morto, o intestino possui no seu interior uma carga microbiana elevada e caso não haja cuidado poderá contaminar a restante carne. Uma das bactérias patogénicas que pode por este processo contaminar a parte exterior da carne é a E. coli. Face a isto torna-se crucial para manter a qualidade e segurança da carne que desde o início do processo de preparação da carne sejam seguidos procedimentos rigorosos de limpeza e higienização das instalações, manipuladores e utensílios.
O processo de corte de grandes peças de carne em pequenas porções (ex. preparação de bifes), permitirá que a contaminação inicialmente presente no exterior seja transferida para locais que inicialmente estavam estéreis. Esta é uma das principais razões para que se associe aos hambúrgueres um elevado risco de segurança alimentar.
Durante a preparação dos hambúrgueres existe a necessidade de picar a carne, o que implicará por um lado que toda a superfície de carne se encontre contaminada, e por outro lado, quando é moldada na forma pretendida, dificulte a sua destruição pela acção do calor. Quando se compara as temperaturas necessárias de processamento de um bife e de um hambúrguer facilmente se verifica que o último é exposto a temperaturas mais elevadas.
A temperatura exterior deverá permitir que no centro do hambúrguer se atinja os 155 ºC, enquanto que para um bife basta atingir essa temperatura à superfície durante 15 segundos.
Perante isto existem dois problemas práticos. O primeiro resulta do facto de a maioria das pessoas não usarem na cozinha um termómetro para avaliar a temperatura no interior dos alimentos processados. O segundo prende-se com um aquecimento elevado no exterior, permitindo que o produto no exterior fique processado mas o seu interior continue cru ou mal processado.
Frutas e Vegetais
Este tipo de produtos não despertam de um modo geral tanto receio em termos de segurança alimentar quando comparados com outros produtos como carnes, peixe ou mesmo os ovos. Contudo a maior parte das intoxicações alimentares resultam de maus procedimentos de higienização na preparação e manipulação de vegetais e frutas.
Esta situação torna-se ainda mais crítica quando se sabe que alguns destes produtos não sofrem qualquer processamento térmico, sendo consumidos crus ou temperados.
Cuidados a ter com este tipo de produtos
- É conveniente lavar os legumes e passar por uma solução de desinfectante apropriada para alimentos.
- As frutas deverão ser lavadas em com água limpa de modo a remover a sujidade e alguns dos potenciais contaminantes microbiológicos e químicos (ex: pesticidas). Preferencialmente, as frutas deverão ser consumidas sem casca evitando desse modo possíveis problemas causados pelos pesticidas empregues na sua produção.
Especiarias
As especiarias possuem normalmente alguma capacidade antimicrobiana, nomeadamente aquelas que contêm óleos essenciais. As especiarias contêm aprox. 1 a 2% deste tipo de óleos, incluindo substâncias como: aldeído cinâmico (75-90%), aldeído benzóico, ácido benzóico, éster do ácido cinâmico-cumarina, metil-orto-cumaraldeídó, éster metílico do ácido salicílico a ácido cinâmico.
As especiarias que contêm óleos essenciais de maior poder inibitório são o cravo, a pimenta-da-jamaica, a canela e a mostarda, sendo que na canela os componentes de maior efeito antimicrobiano são o aldeído cinâmico, o acetato cinâmico e o eugenol.
Em geral, os riscos sanitários que representa uma especiaria devem ser cuidadosamente avaliados em função do seu uso. Por exemplo no caso da canela em pó, é fundamental a obtenção de matéria-prima de boa qualidade, assim como manipulação, embalagem e armazenamento adequados, de modo a garantir o grau de pureza e características organolépticas assegurando ainda a sua inocuidade ao consumidor.
Na maioria das vezes, a canela em pó é consumida sem sofrer qualquer tratamento térmico (ex: adicionada nos pasteis de nata). Caso se encontre contaminada, a canela, ou outra especiaria, pode assim contaminar o produto pronto a comer, sem competidores bacterianos, que eventualmente já foram eliminados durante o processamento.
Os coliformes de origem fecal desenvolvem-se em matérias-primas e alimentos obtidos de diferentes tecnologias, e não sendo constituintes da flora normal da maior parte deles, a sua presença pode ser utilizada como indicadora de contaminação indesejável.
A maior parte das doenças infecciosas transmitidas pelos alimentos tem uma origem entérica, e por isso, um dos maiores perigos a que o consumidor está exposto é a contaminação por matérias fecais humanas ou animais. A Salmonella pode ocorrer em diversas especiarias, ainda que não seja frequente.