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Agrónomo guineense alerta para ameaça de sementes geneticamente modificadas

Agrónomo formado em Portugal, Mané, que preside a organização não-governamental (ONG) Ação para o Desenvolvimento (AD), uma das mais atuantes no enquadramento da população rural guineense, considera que "quem tem a semente é realmente quem tem a soberania do alimento".

A AD, que é uma rede de organizações comunitárias guineenses, tem debatido a questão no âmbito dos fóruns de países de língua portuguesa que se interessam pela soberania e segurança alimentar.

Tumane Mané disse que os receios "são fundados" já que ainda não existem estudos conclusivos sobre as consequências, no ser humano e no ambiente, devido ao consumo de alimentos feitos a partir de sementes geneticamente modificados.

Mané comentava a possibilidade de a China cooperar com a Guiné-Bissau na Agricultura, nomeadamente na produção do arroz, alertando para o facto de o país asiático estar a usar a chamada variedade híbrida cujas consequências, disse, são preocupantes.

O agrónomo guineense enumerou um conjunto de consequências já conhecidas derivadas de alimentos produzidos com sementes geneticamente, modificadas para os quais, observou, o mundo e "muito menos" a Guiné-Bissau não se encontram preparados para enfrentar.

"Por exemplo, o surgimento de superpragas nas culturas, contaminação da biodiversidade, nomeadamente do peixe que acabamos por comer, surgimento de novos vírus, poluição do lençol freático da água que bebemos, porque essas sementes requerem muitos químicos para se desenvolverem", alertou Tumane Mané.

No caso concreto do arroz hibrido chinês, Mané é perentório em afirmar que a Guiné-Bissau "não está preparada" para a sua introdução na produção.

"Devíamos aceitar essa variedade só quanto tivermos a certeza de que a legislação, o controlo, o impacto reduzido na dimensão ambiental, social e tivermos a certeza de que, do ponto de vista, da saúde humana, não haverá nenhum risco", defendeu Tumane Mané.

Fonte: Diário de Notícias