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Não como nada com aditivos, prefiro encher-me de açúcar e gordura

Foi publicado ontem um artigo de opinião acerca de aditivos no jornal Público, da autoria de Pedro Carvalho. Este resume que ninguém aumenta de peso porque ingere muitos aditivos, mas sim porque come muitas calorias provenientes de açúcar e gordura de alimentos que também possuem esses aditivos.

Atualmente, existe muita preocupação com o que comemos e, sobretudo, com palavras como químicos, processados e aditivos. Surge uma procura quase obsessiva pelo orgânico/biológico, sem lactose, sem glúten, sem OGM, sem glifosato, quando, na maioria dos casos, nenhuma das caraterísticas mencionadas aumenta ou diminuí a qualidade nutricional e segurança do alimento.

Quanto aos químicos, é adequado esclarecer de que tudo é formado por ligações químicas. O processamento dos alimentos é demonizado, no entanto, é isto que permite o seu prolongamento de validade, o seu embaratecimento e, sobretudo, o seu acesso generalizado.

Por mais natural que seja um alimento, ele pode ser um absurdo de açúcar e gordura tal como é o caso de uma tigela de açaí com iogurte grego biológico, granôla sem glúten com óleo de côco e banana ou manteiga de amendoim biológicas.

Se uma criança come gomas, o principal problema é o açúcar, não os corantes. Se come batatas fritas de pacote com sabor a presunto, o principal problema é o sal e a gordura (e no limite a acrilamida, potencial carcinogénico), não os aromatizantes que lhe conferem esse sabor, entre outros.

O medo excessivo dos aditivos alimentares e a cedência à falácia naturalista de que tudo o que não é 100% natural não é bom é algo que não faz sentido hoje e que pode até privar a pessoa de ter algum prazer na sua alimentação.

Logicamente que existem alguns aditivos que não são completamente inertes no nosso organismo e a nossa exposição aos mesmos convém que seja a menor possível.

Principalmente em crianças, alguns corantes como a tartrazina (E102), amarelo-sol (E110), vermelho AC (E129), amarelo-quinoleína (E104), vermelho-cochonilha (E124), bem como o conservante benzoato de sódio (E211) foram associados a um aumento da hiperactividade e défice de atenção.

Também com os edulcorantes e polióis presentes em alimentos como gelatinas, refrigerantes light, barras e pós proteicos, há que ter um consumo consciente, mas também considerar as suas vantagens de permitir uma alimentação mais doce com menos calorias.

Em suma, uma alimentação perfeita não estará logicamente cheia de alimentos processados, mas é importante perder o medo do desconhecido e reconhecer que estes produtos podem ser muito válidos, úteis e acima de tudo convenientes.

Fonte: Público