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Autoridades atentas ao elevado risco da Tecia entrar em Portugal

Sendo a Tecia solanivora uma praga de quarentena e que se apresenta como uma das mais destrutivas para a cultura da batata, dado que tanto a ataca em cultura como armazenada, causando graves estragos nos tubérculos, a Direção Geral de Alimentação e Veterinária divulgou recentemente o Plano de Contingência para o seu controlo no nosso país. Paula Carvalho, subdiretora geral da DGAV, aprofunda mais o tema numa entrevista à "Voz do Campo".

Enquanto autoridade fitossanitária nacional, qual é neste momento a principal preocupação da DGAV em relação à Tecia solanivora?

Face aos focos confirmados desta praga em território continental espanhol, na Galiza e nas Astúrias, a nossa principal preocupação é executar o Plano de Prospeção Nacional, que inclui inspeções visuais e colocação de armadilhas com feromonas específicas para captura de insetos adultos em campos de batata e também em armazéns, para que se possa avaliar a situação no nosso território e agir rapidamente em caso de deteção deste inseto. A deteção precoce da praga é fundamental para se garantir maior eficácia das medidas fitossanitárias, minimizar os estragos e reduzir as perdas económicas dos nossos produtores e armazenistas.

Foi muito recentemente divulgado o Plano de Contingência para o Controlo da Tecia. Qual é o ponto de situação em Portugal?

Até à presente data não temos registo da presença da praga no nosso país. Desde 2016 que foi iniciado o programa de prospeção para a Tecia solanivora em todo o território nacional, que está a ser implementado pelos serviços fitossanitários das Direções Regionais de Agricultura e Pescas e também pelas Direções Regionais de Agricultura das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. O Plano de Contingência, entre outros aspetos, veio detalhar as ações que se já desenvolvem no terreno e definir as medidas fitossanitárias que deverão ser aplicadas em caso de suspeita ou de confirmação da presença do inseto, quer em campos de cultivo de batata quer nos armazéns.

Qual é o grau de risco de a Tecia solanivora entrar em Portugal?

É elevado. A proximidade dos focos espanhóis aumenta a possibilidade de dispersão desta praga, quer de forma natural, quer por ação do Homem através do movimento de batatas, de solos ou embalagens infestados. O mais recente foco comunicado em abril do corrente ano pelas autoridades espanholas, registou-se na região de Muxia (Galiza), ou seja, mais a sul da região galega onde se detetou o primeiro foco.

O impacto da presença desta praga para o setor é muito elevado, quer por via direta, pelos estragos que provoca, quer por via indireta, devido à necessidade de aplicação de medidas fitossanitárias que incluem a destruição de campos ou de lotes de batata infestados, a proibição de cultivo e restrições ao uso dos armazéns infestados.

Fonte: Agroportal