O número de novos casos de malária registou uma redução no ano passado para 228 milhões, segundo estimativas divulgadas esta terça-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera os progressos insuficientes para atingir a eliminação em 2030.
Os dados do Relatório Mundial sobre a Malária 2019 revelam uma redução no número de casos relativamente a 2017, quando tinham sido registados 231 milhões de novos casos. As mortes associadas à doença cifraram-se em 405 mil, (416 mil em 2017), 380 mil das quais em África (383 mil em 2017), continente que concentra 93% de todos os casos mundiais de malária.
Apesar da redução, a OMS alerta que os progressos são insuficientes para atingir as metas da estratégia global de luta contra a doença, que prevê uma redução de pelo menos 40% da incidência de casos e da taxa de mortalidade até 2020 e a eliminação da doença até 2030. Dos 228 milhões de novos casos de malária em todo o mundo, 213 milhões foram registados em África (93%) (212 milhões em 2017), com seis países a concentrarem quase 50% de todos os casos: Nigéria (25%), República Democrática do Congo (12%), Uganda (5%), Moçambique, Costa do Marfim e Níger (4% cada). O sudeste asiático concentra 3,4% dos casos mundiais e o Mediterrâneo Oriental 2%.
A malária ou paludismo continua a afetar de forma particular as mulheres grávidas e as crianças, tendo afetado, no ano passado, 11 milhões de grávidas (29%) em 38 países da África subsaariana onde a transmissão da doença é moderada ou alta. Em consequência disso, estima a OMS, cerca de 900 mil bebés nasceram com baixo peso.
O relatório mostra igualmente uma relação entre o paludismo e a anemia em crianças com menos de cinco anos, estimando que 24 milhões de crianças nesta região tenham sido infetadas pelo parasita P.falciparum, 12 milhões das quais apresentavam anemia moderada e 1,8 milhões anemia severa. As crianças representam 67% das mortes mundiais devido ao paludismo em 2018, ou seja, 272 mil crianças menores de cinco anos (278 mil em 2017).
No relatório assinala-se progressos no diagnóstico, prevenção e proteção das grávidas, mas assinala que dois terços das mulheres continuam sem receber o número recomendado de doses do tratamento preventivo no quadro dos cuidados pré-natais.
A OMS estima que foi possível evitar milhões de casos e mortes por malária desde 2000, mas reconhece que, nos últimos anos, os progressos na redução da incidência de casos de paludismo a nível mundial desaceleraram. A taxa de incidência passou de 71 casos por 1.000 pessoas em 2010 para 57 casos por 1.000 em 2014, com a taxa a manter-se desde esse ano e até à atualidade sem alterações significativas. “Os progressos não serão suficientes para cumprir o programa de trabalho da OMS, que prevê uma redução para metade das mortes relacionados com a malária até 2023, ou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que propõem a eliminação da malária no horizonte 2030”, adianta a organização.
Por isso, no relatório sublinha-se a necessidade de reforçar as intervenções nos países onde a malária ainda é endémica, bem como o financiamento às ações de luta contra o paludismo, que em 2018 atingiu os 2,7 mil milhões de dólares, valor longe da cifra de 5 mil milhões estimada como necessária pela Estratégia Mundial de Luta Contra o Paludismo 2016-2030.
Fonte: Observador
Portugal é o 19.º país mais afetado por eventos climáticos extremos entre 1999 e 2018, segundo o relatório Global Climate Risk Index 2020, elaborado pelo think thank ambiental Germanwatch, e divulgado esta quarta-feira na conferência do clima da Organização das Nações Unidas – COP25, em Madrid.
No período de 20 anos, em Portugal, morreram 11 pessoas por cada 100 mil habitantes (cerca de mil mortes em todo o país), por causa dos eventos registados, e registou-se uma perda de 41 milhões de dólares (cerca de 37 milhões de euros), refere o relatório. Globalmente, e considerando os dados de 181 países, registaram-se 12 mil eventos climáticos extremos, 495 mil mortes e perdas no valor de 3,54 mil biliões de dólares (cerca de 3,19 mil biliões de euros).
Puerto Rico, Myanmar, Haiti, Filipinas e Paquistão são os países que mais sofreram com os eventos extremos nos últimos 20 anos. O ranking baseia-se em valores médios, mas os autores do relatório conseguem distinguir claramente dois grupos: os que sofreram catástrofes excecionais e aqueles que são continuamente atingidos por eventos extremos.
Uma terceira categoria tem surgido nos últimos anos: os que são os mais afetados a longo prazo e os mais afetados no respetivo ano, como o Haiti, Filipinas e Paquistão. Muitos destes países ainda estão a sofrer os impactos de um evento extremo quando são atingidos por uma nova catástrofe.
Entre os 30 países que mais sofreram com os eventos climáticos extremos nos últimos 20 anos estão outros países europeus, como França (15.º), Alemanha (17.º), Itália (26.º), Espanha (29.º) e Rússia (30.º), em parte devido à vaga de calor de 2003 que matou 70 mil pessoas no continente. Isto torna claro que os países desenvolvidos também podem ser afetados por eventos extremos.
A grande diferença, em relação aos países mais pobres, é que as perdas económicas nos países desenvolvidos são relativamente baixas quando comparadas com o poder económico desses países. Os países mais pobres, além de mais vulneráveis, têm uma menor capacidade para a reconstrução e recuperação.
O índice focou-se nos eventos climáticos extremos, como vagas de calor, cheias e secas, mas não conseguiu considerar os processos importantes de demoraram a estabelecer-se como a subida do nível do mar, o degelo dos glaciares, o aquecimento dos mares e a acidificação dos oceanos, alertam os autores do relatório.
Os autores destacam também que não é possível dizer que cada um dos eventos extremos é causado pelas alterações climáticas causadas pelo homem, mas não têm dúvidas em afirmar que as alterações climáticas aumentam a probabilidade de ocorrência e a intensidade desses eventos extremos.
Na Europa, por exemplo, os períodos de calor extremo são agora até 100 vezes mais prováveis do que há um século atrás”, escrevem os autores do relatório.
Apesar de terem considerado 181 países na avaliação a 20 anos, a equipa da Germanwatch admite que há países em risco que não foram incluídos por falta de dados de longo prazo, como os pequenos Estados-ilha. Além disso, os impactos considerados no índice dizem respeito às perdas diretas e às mortes e não conseguem contabilizar os impactos indiretos, como os resultantes da seca e da escassez de alimentos. A falta de dados sobre o impacto das vagas de calor, nomeadamente em África, também pode fazer com que os países africanos estejam sub-representados.
Japão, Filipinas e Alemanha entre os mais afetados de 2018
O relatório Global Climate Risk Index 2020 também avalia quais os países que mais sofreram com eventos climáticos extremos durante 2018. Só o Japão foi alvo de “três eventos climáticos extremos excecionalmente fortes”, que o colocou no topo da lista, incluindo duas ondas de calor, a principal causa de danos no ano passado.
Primeiro, em julho, as chuvas torrenciais no Japão mataram mais de 200 pessoas, destruíram mais de 5.000 casas, obrigaram à retirada de 2,3 milhões de pessoas e provocaram perdas de sete mil milhões de dólares (cerca de 6,3 mil milhões de euros). Depois, as duas vagas de calor mataram 138 mortes e obrigaram à hospitalização de mais de 70 mil pessoas.
A Alemanha, em terceiro lugar no ranking, o Japão e a Índia (5.º) enfrentaram longos períodos de calor. Só na Alemanha morreram 1.234 pessoas. Foi o segundo ano mais quente no país desde que há registo.
Com países ricos e, sobretudo, países de rendimento médio e baixo a sofrerem os impactos dos eventos extremos, “a cimeira do clima precisa de abordar a falta de financiamento adicional para ajudar as pessoas e os países mais pobres a lidar com perdas e danos [por causa destes eventos]”, alerta Laura Schaefer, da Germanwatch. “A COP25 precisa decidir sobre as etapas necessárias para gerar recursos financeiros fiáveis para atender a essas necessidades.”
Fonte: Observador
A União Europeia (UE) declarou que não conseguirá cumprir até 2030 as metas de redução dos gases com efeito estufa, salvo se os Estados membros fizerem um maior esforço em relação ao que tem sido feito até agora.
A Agência Europeia do Meio Ambiente disse esta quarta que as medidas existentes colocam a UE no caminho de reduzir as suas emissões em 30% na próxima década, em comparação com os níveis de 1990.
Atualmente, o bloco de 28 países tem uma meta de 40% até 2030, sendo que alguns até pediram que essa meta fosse aumentada para 55%.
Este relatório foi divulgado numa altura quando quase 200 países estão reunidos em Madrid para discutir as alterações climáticas. A Cimeira sobre as Alterações Climáticas, conhecida como COP25, irá decorrer até 13 de dezembro na capital espanhola.
Fonte: Observador
A Babesia venatorum (B. venatorum), conhecida vulgarmente por doença da febre da carraça, foi detetada, pela primeira vez, em ovinos do Reino Unido, constituindo uma nova ameaça zoonótica. A descoberta foi feita através de um estudo realizado por cientistas da Universidade de Glasgow e do Moredun Research Institute, na Escócia, e publicado na revista Emerging Infectious Diseases.
Para o estudo, os cientistas recolheram sangue de 93 ovinos e 107 bovinos de duas explorações na Escócia, ambas localizações que foram selecionadas devido a relatórios anteriores de doenças transmitidas por carraças.
Foram também colhidas amostras de veados – uma espécie associada à B. venatorum na Europa continental – abatidos localmente.
O sangue dos ovinos demonstrou que a B. venatorum está presente no Reino Unido e que os ovinos domésticos são um hospedeiro da espécie.
Na população bovina não foram detetadas infeções, apesar de partilharem pastagens com ovinos infetados. Os cervídeos abatidos também não apresentaram qualquer infeção.
De salientar que a babesiose é causada por várias espécies de protozoários do género Babesia spp, que infetam os glóbulos vermelhos, sendo transmitida por carraças. O parasita é da família Plasmodium, causador da malária.
Existem diferentes espécias de Babesia que infetam diferentes animais. Quatro destas podem infetar também humanos – uma delas é a Babesia venatorum.
Por esse motivo, os autores do estudo admitiram que a presença de B. venatorum no Reino Unido representa um risco para os seres humanos que trabalham, vivem ou realizam atividades em áreas que possam ter carraças e gado infetado, particularmente ovinos.
A descoberta revelou, ainda, que o gado pode tornar-se um dos principais hospedeiros da B. venatorum, o pode potenciar a propagação. É, por isso, necessária a vigilância ativa e contínua das espécies Babesia no gado britânico para compreender a prevalência e a transmissão da doença, o que pode ser fundamental para controlar a sua propagação devido ao transporte regular de ovinos, incluindo através das fronteiras internacionais.
Fonte: Vida Rural
No espaço de quatro dias, uma cadeia de supermercados alemã solicitou a recolha de três produtos perigosos para o consumo, sendo que dois deles são da mesma marca. O pedido mais recente recai sobre a farinha sem glúten biológica (500 gramas), da marca Gut Bio, na variedade de lentilhas.
Segundo a cadeia de supermercados, os lotes afetados são os seguintes: 2431903 (validade 30/12/2020); 2431904 (validade 30/12/2020); 4451901 (validade 30/12/2020); e 3401901 (validade 30/07/2020).
No decorrer de análises de rotina foi detetada a presença de glúten na variedade de lentilhas dos lotes indicados, que pertencem ao fornecedor Ecobasics Bio S.L..
Para os consumidores com alergia ou intolerância ao glúten, esta situação pode originar uma reação alérgica, no entanto, o mesmo pode ser consumido pelos restantes consumidores”, explica a cadeia no site oficial.
Os outros dois artigos que também estão a ser recolhidos são o seitan biológico 250 gramas, da marca Gut Bio e do fornecedor Vegetalia, S.L., e a banha sortida de 100 gramas, do fornecedor Thalheimer Bauernwurst Deuerlein Vertriebs GmbH.
Poderá consultar os comunicados aqui.
Fonte: NiT
Foram apreendidos cerca de 1.250 brinquedos, no valor aproximado de 13 mil euros, durante uma ação de fiscalização da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), levada a cabo durante o mês de novembro.
Segundo um comunicado da ASAE, emitido este sábado, foram fiscalizados cerca de 200 operadores económicos a nível nacional para verificar a segurança dos brinquedos e garantir que sejam disponibilizados brinquedos seguros no mercado.
De acordo com a mesma nota, na sequência desta ação, foram instaurados 11 processo de contra-ordenação. Entre as principais infrações detetadas pela autoridade estão a falta de tradução ou de informações obrigatórias por parte dos infratores, falta de visibilidade exterior dos preços nas montras ou vitrinas, violação das obrigações relativas aos avisos constantes nos produtos, violação das regras e condições da aposição da marca CE ou ainda a violação dos requisitos essenciais de segurança.
A ASAE informa ainda que vai continuar a desenvolver ações de fiscalização neste mercado, de forma a verificar o cumprimento de obrigações legais relativamente aos brinquedos, "no que se refere às menções na rotulagem e requisitos de segurança", bem como participar em ações de cooperação no âmbito da União Europeia.
Fonte: Jornal Sol
O Ministério da Agricultura, através da Autoridade Fitossanitária Nacional, iniciou o programa experimental de luta biológica contra a praga de quarentena Trioza erytreae, com largadas experimentais de um inseto parasitoide especifico.
Trioza erytreae, além de provocar estragos diretos consideráveis nos citrinos, é vetor da doença, considerada como a mais grave a nível mundial para estas espécies vegetais, denominada Huanglongbing (ou Citrus greening) causada pela bactéria Candidatus liberibacter, ainda não presente no território europeu, mas que se pretende evitar a sua entrada.
A largada experimental, do parasitoide Tamarixia dryi, foi realizada no passado mês de outubro, em 4 locais na região centro do País e 3 locais na região oeste, numa estreita colaboração entre a Direção Geral de Alimentação e Veterinária e a Dirección General de Sanidad de la Producción Agraria, o Instituto Superior de Agronomia, o Instituto Instituto Canario de Investigaciones Agrarias e o Instituto Valenciano de Investigaciones Agrarias.
A largada experimental, acompanhada também pelas Direções Regionais de Agricultura e Pescas de Centro e de Lisboa e Vale do Tejo, envolveu a libertação de cerca de 1800 insetos, após a realização de uma análise prévia de risco e depois de obtida uma autorização de experimentação no contexto da legislação específica das espécies exóticas.
Os resultados já obtidos em outras regiões, nomeadamente nas Ilhas Canárias, indicam excelentes taxas de parasitismo que estão a conduzir ao bom controlo da Trioza erytreae. Programa similar foi iniciado também, em outubro último, na Galiza.
Os locais onde foram agora realizadas a solta dos insetos, em território nacional e também na Galiza, estão a ser monitorizados esperando-se vir obter os primeiros resultados na próxima primavera.
Fonte: DGAV
Mais de metade dos piores cenários climáticos identificados há uma década pelos cientistas estão comprovadamente a acontecer, alertou esta quarta-feira uma equipa de investigadores num artigo publicado na revista Nature, em que defendem a declaração de uma “emergência planetária”.
A destruição da floresta amazónica e a perda das grandes massas de gelo na Antártida e Gronelândia estão entre nove pontos críticos em relação aos quais estão a acontecer mudanças sem precedentes mais cedo do que se esperava, e que, combinados, podem levar a um “efeito dominó” com efeitos catastróficos.
“Há uma década, identificámos uma série de potenciais pontos críticos e vemos agora que mais de metade foram ativados”, afirmou o diretor do Instituto de Sistemas Globais da Universidade britânica de Exeter, Tim Lenton.
A ameaça de “mudanças rápidas e irreversíveis significa que não se pode esperar para ver”, afirmou o coautor Johan Rockström, do Instituto para a Investigação do Impacto Climático de Potsdam [Alemanha], salientando que “cientificamente, há provas fortes para declarar um estado de emergência planetária, para desencadear uma ação mundial que acelere a transição para um mundo que possa continuar a evoluir num planeta estável“.
O colapso dos gelos na Gronelândia e na Antártida poderá levar à subida irreversível de dez metros do nível dos oceanos, alertam os cientistas, chamando a atenção para os efeitos combinados desse e de outros fenómenos como a destruição da floresta tropical ou o derretimento dos gelos permanentes, difíceis de prever.
Contudo, não afastam a hipótese de propiciarem “um ponto crítico global”, que pode ser “uma ameaça à existência da civilização”.
A redução de emissões de gases com efeito de estufa poderá fazer abrandar a perda do gelo, dando mais tempo para mover as populações em zonas de mais baixa altitude, defendem.
Embora as temperaturas globais tenham sofrido flutuações ao longo de milhões de anos, os autores do artigo afirmam que os humanos estão a “forçar o sistema” com as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera a aumentarem a um ritmo maior do que o que precedeu a última idade do gelo.
“Não há análises de custo económico/benefício que nos possam ajudar. Precisamos de mudar a nossa abordagem ao problema do clima”, afirmou Tim Lenton.
Deixar para trás a economia assente nos combustíveis fósseis antes de 2050 é uma hipótese improvável, mas já esta quarta-feira, com a temperatura 1,1 graus acima dos níveis pré-industriais, é provável que o aumento atinja 1,5 graus já em 2040, o que consideram que, só por si, já é uma emergência.
Além da Amazónia, da Antártida e da Gronelândia, as alterações nas massas de gelo do Ártico, os recifes de coral, os gelos permanentes, as correntes marinhas no Atlântico e as florestas do Norte são os pontos críticos sensíveis identificados pelos cientistas.
Fonte: Observador
Os países da União Europeia estão a ser “inundados” por brinquedos tóxicos, a maioria de plástico e com origem na China, que estão a ameaçar a saúde das crianças, alerta um relatório divulgado esta quinta-feira. O documento a que a Lusa teve acesso é da responsabilidade do Gabinete Europeu do Ambiente, uma rede europeia de cerca de 150 organizações não-governamentais de ambiente, de mais de 30 países.
É referido inclusivamente que foram encontradas contaminações perigosas por ftalatos (composto químico para deixar plástico mais maleável e considerado cancerígeno) em crianças em 13 de 15 países analisados. Segundo os números divulgados pela organização, só este ano as autoridades nacionais bloquearam a venda de 248 modelos de brinquedos, por revelarem em testes níveis ilegais de produtos químicos tóxicos.
Destes, 228 (92%) foram catalogados como de “risco grave”, 219 (88%) vinham da China, e 127 (51%) estavam contaminados com ftalatos. Uma máscara detetada na Alemanha tinha 43% de ftalato e produtos encontrados na Polónia e em França também estavam “seriamente contaminados”, diz o Gabinete Europeu do Ambiente (European Environmental Bureau, EEB), que cita o Rapid Alert System da União Europeia (para produtos não alimentares).
Os brinquedos não foram os únicos produtos confiscados por conterem produtos tóxicos, mas também veículos a motor e eletrodomésticos entre muitos outros.
Portugal referido essencialmente em produtos tóxicos automóveis
Nos documentos a que a Lusa teve acesso as referências a Portugal são essencialmente em relação a produtos tóxicos em automóveis. Outros países reportaram, além de brinquedos, desde cadeiras para transportar crianças nos automóveis (Bulgária), roupas para crianças (Chipre), cosméticos (República Checa), andarilhos para bebé (França) ou equipamentos luminosos e elétricos (Itália).
No inverno passado, as autoridades alfandegárias de quatro países fronteiriços da União Europeia já tinham anunciado que tinham sido feitas inspeções a 2,26 milhões de brinquedos de plástico chineses, na sequência das quais tinham impedido a entrada na Europa de 722.598 brinquedos, com níveis ilegais de ftalatos. Foram destruídos 31.590 brinquedos.
Dos brinquedos contaminados, a grande maioria (92%) tinha a marca de segurança CE do fabricante. A marca CE quer dizer que o brinquedo cumpre a legislação em vigor. Os produtos apreendidos, apesar de ostentarem a marca, não cumpriam a legislação europeia em termos de saúde, segurança e padrões ambientais.
A EEB lembra que já foi feito um grande estudo em vários países da União Europeia, um deles Portugal, envolvendo crianças dos 6 aos 11 anos e as suas mães e analisando a exposição a vários produtos. Foram encontradas na altura em quase todos os países crianças contaminadas por ftalatos, em média o dobro das mães, mas também houve níveis de contaminação que chegaram a 12 vezes mais do que as respetivas mães.
“A Agência Europeia de Produtos Químicos (com sede na Finlândia) concluiu que a situação não é controlada adequadamente”, diz a EEB, que acrescenta que “a Diretiva Europeia sobre segurança dos brinquedos exclui a produção envolvendo muitos produtos químicos nocivos, mas negligencia outros”, além de que “existem evidências” de que está a ser comercializado plástico reciclado, para brinquedos, que contém “substâncias proibidas”, e que se vendem brinquedos “com substâncias legais em concentrações ilegais”.
A EEB lança esta quinta-feira uma campanha de consciencialização para o problema, afirmando que é altura de as empresas deixarem de pôr produtos tóxicos nos brinquedos. A responsável pela área na EEB, Tatiana Santos, diz, citada no documento, que os inspetores fazem um bom trabalho, mas questiona quantos brinquedos perigosos entram na Europa sem serem detetados.
Tatiana Santos lembra que as crianças são vulneráveis e salienta que a indústria deve “despertar rapidamente” para o problema e que os importadores devem pressionar os fornecedores chineses. E defende “leis mais duras” e que os brinquedos sejam etiquetados com a composição química.
Fonte: Observador
A UE integra os esforços mundiais de redução das emissões de gases com efeito de estufa, tendo como objetivo uma redução de 20% das suas emissões até 2020, de 40% até 2030 e de 80% a 95% até 2050.
A Comissão é responsável por analisar os dados comunicados pelos Estados Membros sobre as emissões atuais e previstas, bem como por propor políticas e medidas da UE que visem alcançar as metas de redução.
O Tribunal constatou que os dados das emissões da UE são devidamente comunicados, mas que a União precisa de melhores informações sobre as futuras reduções de emissões de gases com efeito de estufa.
O Tribunal formula recomendações que visam melhorar o processo de análise da Comissão quanto aos dados das emissões de gases com efeito de estufa do setor do uso do solo, alteração do uso do solo e florestas (LULUCF) e o quadro para futuras reduções das emissões.
O Relatório Especial nº 18/2019: Emissões de gases com efeito de estufa na UE: bem comunicadas,mas são necessárias melhores informações sobre as reduções futuras, pode ser consultado aqui.
Fonte: TCE
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