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Um novo estudo levado a cabo por uma equipa de investigadores da Universidade de Harvard sugere que reduzir o consumo de hidratos de carbono nem sempre é o melhor para a sua saúde. O mais importante é a qualidade dos hidratos.

Se estiver a tentar melhorar a sua saúde cardíaca, é provável que lhe tenham recomendado uma dieta com baixo teor de hidratos de carbono ou de gordura. Segundo um novo estudo publicado no Journal of American College of Cardiology, porém, limitar a quantidade de hidratos e de gordura pode não garantir uma diminuição do risco de desenvolver doença cardíaca.

Investigadores de Harvard analisaram dados sobre dietas e os seus resultados na saúde de cerca de 200.000 profissionais de saúde recolhidos ao longo de 30 anos e mediram o risco associado de doença cardíaca. Os investigadores compararam os profissionais de saúde que praticaram uma dieta com baixo teor de hidratos de carbono e descobriram que o risco de desenvolver doença cardíaca poderia aumentar até 14 por cento se a pessoa consumisse regularmente hidratos de carbono refinados ou prejudicais. No entanto, se a pessoa ingerisse hidratos saudáveis, como cereais integrais, o risco diminuía 15 por cento.

Este estudo sugere que a saúde “não se limita a reduzir hidratos de carbono ou gorduras”, diz Zhiyuan Wu, bolseiro de investigação de pós-doutoramento no Departamento de Nutrição da Universidade de Harvard e co-autor do estudo. “A nossa mensagem principal é que a qualidade da alimentação é mais importante.”

Uma vez que se trata de um estudo de observação, os investigadores não conseguem provar diretamente que determinadas dietas levaram os participantes do estudo a desenvolver doença cardíaca. No entanto, o facto de o estudo ter acompanhado um grande número de pessoas durante um longo período de tempo é “impressionante”, diz Camilla Dalby Hansen, investigadora na Universidade do Sul da Dinamarca, em Odense, que não participou no estudo.

Os investigadores deram um passo além e recolheram dados biológicos para ajudar a contrapor potenciais vieses de auto-relato dos questionários de saúde, diz Wu. Colheram ainda amostras de sangue de mais de 11.000 participantes e conseguiram medir o seu metaboloma, as pequenas moléculas das células e dos tecidos, corroborando as suas conclusões anteriores. “Eles foram bem-sucedidos recorrendo a uma metodologia muito complicada”, diz Hansen. “Aquilo que me faz muito feliz é o acrescento do metaboloma. É uma grande novidade e é muito excitante”.

Destaque para os super alimentos

O organismo precisa de macronutrientes – hidratos de carbono, proteínas e gorduras – que nos dão energia e promovem a nossa saúde em geral. E não faltam alimentos para obtê-los: carne, fruta, flocos de aveia, fast food, gelados e legumes, entre outros.

No entanto, os alimentos possuem qualidades diferentes. Neste estudo, por exemplo, os investigadores de Harvard fizeram uma distinção entre hidratos de carbono refinados de baixa qualidade e hidratos de carbono de alta qualidade, como cereais integrais.

A investigação também distinguiu a qualidade das fontes de gordura. Uma dieta não-saudável e de baixa qualidade, com gorduras transgénicas ou saturadas – presentes em alimentos como carnes vermelhas, natas e manteiga – não é facilmente metabolizada pelo organismo. As gorduras prejudiciais estão frequentemente associadas a riscos mais elevados de desenvolver doenças como diabetes tipo 2 e doença cardíaca.

Pelo contrário, as gorduras saudáveis e de alta qualidade, como as que existem nos abacates e nos frutos secos, são fáceis de decompor e transformar em energia – e também nos mantêm saciados. “As gorduras são os macronutrientes mais espantosos de todos”, diz Hansen. “Protegem a saúde do cérebro, o funcionamento das hormonas e a pele, além do sistema cardiovascular, ao limpar os resíduos das artérias.”

Os investigadores criaram diferentes categorias de dietas saudáveis e não-saudáveis enquanto conduziam o estudo. Uma dieta saudável incluía mais proteínas e gorduras vegetais ou proteínas e gorduras de alta qualidade, bem como hidratos de carbono de alta qualidade. Por outro lado, uma dieta não-saudável continha bastantes hidratos de carbono de baixa qualidade e proteínas e gorduras animais, que foram consideradas uma fonte de baixa qualidade neste estudo.

Os resultados mostram claramente que as diferenças na qualidade das gorduras e dos hidratos de carbono pode reduzir o risco de doença, mesmo que os participantes consumissem menos hidratos ou gorduras. Mais especificamente, os participantes que consumiam hidratos de carbono de qualidade e proteínas e gorduras vegetais corriam menor risco de desenvolver doença cardíaca do que os que consumiam hidratos de carbono mais refinados e gorduras e proteínas de origem animal.

Além disso, as proteínas e gorduras de fontes animais estão co-relacionadas com as gorduras saturadas e transgénicas, o que também pode aumentar o risco de doença cardiovascular.

Hansen considera que uma das limitações do estudo é a forma como simplifica as categorias de “saudável e prejudicial”, considerando as gorduras e proteínas de origem animal prejudiciais. “Na minha opinião, nem todas as proteínas animais e nem todas as gorduras animais são prejudiciais”, diz ela.

Wu concorda que algumas proteínas animais magras podem ser benéficas, como o iogurte. Outros especialistas dizem que este estudo sublinha as vantagens adicionais de consumir cereais integrais e proteína e gorduras de origem vegetal, em vez de outros tipos. “Não está a dizer para as pessoas não consumirem proteína animal, mas para se focarem em alimentos integrais e em proteínas e gorduras vegetais”, como leguminosas, diz Jennifer Sacheck, professora na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Brown. “Consumir mais alimentos de origem vegetal tem demonstrado benefícios para a saúde ao longo da história.”

Marcadores de sucesso no organismo dos participantes

As amostras de sangue colhidas ao longo do estudo também fornecem informação sobre a saúde dos participantes. Aqueles que praticam versões mais saudáveis de dietas com baixo teor de hidratos de carbono e de gordura têm níveis mais elevados de colesterol bom e níveis inferiores de triglicéridos, que são produzidos quando o nosso organismo atinge um limite calórico saudável. Os níveis mais altos de colesterol bom podem proteger o organismo de desenvolver doença cardíaca, eliminando o colesterol mau das nossas artérias.

Os investigadores também analisaram os metabolitos, ou seja, os resíduos moleculares que permanecem no organismo após a metabolização. “Quando dizemos que estamos a comer determinadas coisas, o nosso metaboloma confirma-o”, diz Sacheck.

Um dos metabolitos, o ácido hipúrico, estava mais associado aos participantes que praticavam as dietas com baixo teor de hidratos de carbono e de gordura mais saudáveis. O ácido hipúrico pode ser outro indicador de uma dieta rica em frutos e legumes. As conclusões validam a modelação do risco e sugerem que as dietas mais saudáveis conduzem a melhores resultados biológicos.

Wu diz que as pessoas que praticaram uma dieta saudável com baixo teor de hidratos de carbono e uma dieta saudável com baixo teor de gorduras evidenciaram sinais sobrepostos de boa saúde. Na sua opinião, isto reforça que temos muitas opções para escolher a dieta que queremos praticar – neste caso, com baixo teor de hidratos de carbono ou com baixo teor de gorduras – desde que nos foquemos no consumo de alimentos integrais e fontes de gorduras e hidratos de carbono de alta qualidade. “Acho que dá mais flexibilidade às nossas preferências, garantindo, na mesma, a proteção cardiovascular”, diz Wu.

Fonte: National Geographic

Dois projetos financiados pela União Europeia estão a marcar o caminho para reduzir os resíduos plásticos, aumentar a circularidade e demonstrar que os produtos de base biológica constituem uma alternativa viável para o futuro.

A transição para embalagens sustentáveis tem sido tradicionalmente um objetivo ambicioso, mas os resultados dos projetos Circk-Pack e Fresh aproximaram essa visão da realidade. Ambas as iniciativas rompem com o modelo linear de “produzir, utilizar e descartar” e evidenciam que a eficiência industrial pode caminhar lado a lado com a responsabilidade ambiental.

O projeto Circ-Pack enfrentou o desafio de repensar todo o ciclo de vida das embalagens plásticas através da introdução de polímeros biodegradáveis e da aplicação de critérios avançados de ecodesign. Os seus desenvolvimentos abrangem desde frascos de champô e sacos de plástico até cápsulas de café e tabuleiros alimentares.

Enquanto iniciativa integrada no programa Horizon 2020, o Circ-Pack coordenou o trabalho de 22 parceiros de toda a Europa, entre os quais engenheiros químicos, empresas de gestão de resíduos e marcas de grande consumo. O objetivo consistiu em garantir que as soluções concebidas em laboratório funcionassem de forma eficaz em instalações reais de reciclagem.

Em vez de se centrar numa única solução, o projeto atuou em três frentes. Por um lado, substituiu substâncias químicas de origem fóssil por polímeros de base biológica. Por outro, redesenhou tabuleiros alimentares multicamada complexos para que pudessem ser facilmente separados nos seus materiais originais. Além disso, impulsionou a melhoria dos sistemas de triagem através da atualização de equipamentos de deteção por infravermelhos nas centrais de seleção, com o objetivo de evitar que materiais valiosos acabassem em aterro.

Esta abordagem multissetorial permitiu melhorar os processos de triagem e reciclagem, reduzir a dependência de recursos fósseis, diminuir o consumo de água e reduzir o potencial de aquecimento global associado às embalagens plásticas.

Atualmente, o legado do Circ-Pack prolonga-se através de serviços especializados de consultoria que apoiam as marcas na transição para embalagens mais limpas e circulares, contribuindo para reduzir de forma permanente a pegada ambiental dos produtos de higiene e alimentação.

Tabuleiros biodegradáveis para refeições prontas

Enquanto o Circ-Pack se dirige ao mercado de consumo em geral, o projeto Fresh concentrou a sua inovação num setor específico com elevados volumes de resíduos: o das refeições prontas a consumir.

Os tabuleiros de plástico de origem fóssil, amplamente utilizados no catering aéreo, em operações militares e nos serviços de entrega ao domicílio, têm representado durante anos um problema ambiental. O projeto Fresh desenvolveu uma alternativa totalmente biodegradável e de base biológica, questionando o uso destes materiais convencionais.

A partir de um compósito de base celulósica combinado com tecnologias inovadoras de laminação, o projeto demonstrou que as alternativas de base biológica podem cumprir os requisitos do mercado. Os novos tabuleiros satisfazem exigências fundamentais, como a conservação prolongada dos alimentos (vida útil alargada) e a aptidão para utilização em micro-ondas.

O impacto foi imediato e quantificável. Num período de três anos e meio, o projeto conseguiu reduzir o consumo de plástico em cerca de 200 toneladas ao substituir as embalagens de aproximadamente nove milhões de refeições no mercado retalhista do Reino Unido. O principal parceiro comercial do Fresh foi a empresa finlandesa Huhtamaki, com ampla presença industrial neste país.

A substituição de tabuleiros de plástico preto não reciclável por soluções de base fibrosa nas gamas completas de produtos dos supermercados permitiu eliminar cerca de 40% da pegada de plástico dos retalhistas nesta categoria.

No caminho para a sustentabilidade

O sucesso do Circ-Pack e do Fresh não só representa um avanço em termos de inovação, como também contribui diretamente para o roteiro da União Europeia rumo a um futuro com menos resíduos.

À medida que o Regulamento relativo a Embalagens e Resíduos de Embalagens começa a ser aplicado, ambos os projetos oferecem um modelo técnico alinhado com o objetivo comunitário de que todas as embalagens sejam recicláveis ou reutilizáveis até 2030. Através do desenvolvimento de materiais de base biológica e de elevada qualidade, estas iniciativas enquadram-se igualmente na futura Lei da Economia Circular, cujo propósito é duplicar a taxa de circularidade na Europa.

Ambos os projetos demonstram que é possível reduzir os resíduos e a poluição por plásticos e que os objetivos ambientais da União Europeia podem ser alcançados num prazo mais curto do que o previsto.

Fonte: iAlimentar

As alterações climáticas já estão a reduzir colheitas de café e a pressionar preços globais, conclui nova análise da organização científica Climate Central. O trabalho conclui que o aumento do número de dias com calor extremo está a empurrar vastas áreas nas principais regiões produtoras para além do limiar térmico considerado prejudicial para as plantas de café: 30 ºC. A partir deste patamar de calor, a planta do café entra em stress térmico. 

“As alterações climáticas estão a transformar o café — um dos produtos agrícolas mais consumidos e comercializados do mundo, com uma estimativa de 2200 milhões de chávenas consumidas todos os dias — num cultivo cada vez mais vulnerável”, refere o comunicado de imprensa sobre a análise da Climate Central.

O estudo compara dados reais de temperatura entre 2021 e 2025 com um cenário hipotético sem emissões de carbono provenientes de combustíveis fósseis e conclui que o calor adicional induzido pelas alterações climáticas está a afectar a produção e preços do café.

Cinco países têm mais problemas, mas impacto é global

Os cinco maiores produtores — Brasil, Vietname, Colômbia, Etiópia e Indonésia — registaram, em média, 57 dias extras de calor prejudicial por ano devido às alterações climáticas, revela a análise. Estes países fornecem cerca de 75% do café mundial, “o que significa que qualquer perturbação local tem repercussões imediatas no mercado global”.

Numa análise mais detalhada, o estudo nota que estes cinco países enfrentam agora mais de 144 dias por ano com temperaturas acima do limiar prejudicial. “Sem a influência das alterações climáticas, haveria menos 57 dias por ano com este tipo de calor”, refere a análise.

No mapa dos principais produtores, os autores destacam o Brasil, que enfrentou uma média de 70 dias adicionais de temperaturas acima do limiar crítico. “Mas o fenómeno é transversal: todos os 25 países analisados, responsáveis por 97% da produção global, registaram aumentos semelhantes”, lê-se na análise.

Em média, acrescentam, cada um dos países produtores “acumulou 47 dias extras de calor prejudicial por ano”. Um aumento de temperatura que, segundo a Climate Central, não teria ocorrido sem a acumulação de carbono na atmosfera.

Menos, pior e mais caro

Quando as temperaturas ultrapassam os 30 ºC, as plantas de café entram em stress térmico, nota o relatório, que elenca três das principais consequências: redução do rendimento das colheitas, diminuição da qualidade dos grãos, maior vulnerabilidade a pragas e doenças.

“A conjugação destes factores ameaça não só a quantidade, mas também o perfil sensorial do café — um elemento central para mercados especializados e para a diferenciação de origem”, argumentam os peritos da Climate Central.

No entanto, esta “pressão climática” não é distribuída de forma equitativa. Como é comum em tantos outros indicadores, afecta sobretudo os mais pequenos produtores. “Cerca de 80% dos produtores de café no mundo são pequenos agricultores, responsáveis por aproximadamente 60% da oferta global.” Apesar do prejuízo, esta importante fatia de produtores recebeu apenas “0,36% do financiamento necessário para adaptação climática em 2021”.

A Climate Central estima que o custo médio da adaptação climática para uma exploração de um hectare seja de 2,19 dólares (1,86 euros) por dia — um valor inferior ao preço de uma única chávena de café em muitos países consumidores. Só que, “para agricultores com margens reduzidas, este investimento é frequentemente incomportável”, concluem.

O efeito consequente é fácil de imaginar: perante estes desafios que os produtores enfrentam, o preço do café aumenta. “Os preços globais do café têm sido particularmente voláteis, atingindo máximos históricos em Dezembro de 2024 e novamente em Fevereiro de 2025”, anota a análise.

No caso dos Estados Unidos, as tarifas sobre importações brasileiras impostas pela Administração de Donald Trump agravaram ainda mais os custos, mas a Climate Central insiste que, acima de tudo, foi “o clima extremo nas regiões produtoras que contribuiu de forma significativa para os recentes picos de preços”.

Chuvas, secas e pragas

Se o calor não bastasse, a produção de café enfrenta ainda outros desafios, entre os quais os investigadores destacam a chuva irregular, as secas e pragas. “A irregularidade da precipitação está a tornar o cultivo ainda mais difícil. A produção de café exige entre 1500 e 2000mm de chuva por ano, de forma consistente.” Em vez disso, o clima em mudança trouxe temporadas prolongadas de seca que, inevitavelmente, reduzem a produção e, por isso, fazem aumentar o preço.

Somam-se ainda pragas e doenças que “gostam” e prosperam em locais com temperaturas mais elevadas, como a ferrugem do café (uma doença devastadora causada por um fungo da ferrugem, Hemileia vastatrix) e a broca-do-café (causada por um besouro [Hypothenemus hampei] cuja larva se alimenta das sementes do café). São ameaças que também “afectam a qualidade e quantidade das colheitas e tornam a gestão agrícola mais dispendiosa”.

Arábica: a variedade mais ameaçada

Entre as variedades de café que existem, a arábica é uma das populares, já que representa entre 60% e 70% da produção mundial. O problema é que “é especialmente sensível ao calor”. Alguns estudos citados pela Climate Central mostram que temperaturas entre 25 ºC e 30 ºC já representam uma séria ameaça, e acima de 30 ºC tornam-se “extremamente prejudiciais”.

Fonte: Jornal Público

Uma crise de contaminação está a abalar o setor de fórmulas infantis. A cereulida – uma toxina capaz de causar náuseas e vómitos intensos e, em casos extremos, doenças mais graves – foi detectada em produtos de grandes fabricantes, incluindo Nestlé e Danone. Recolhas globais já estão em andamento, e pais e responsáveis ​​são aconselhados a evitar os lotes afetados e verificar se há stocks do produto nas suas despensas.

A fonte da contaminação já foi identificada: um fornecedor terceirizado de óleo de ácido araquidônico (ARA). Mas essa revelação já é notícia velha. Nas últimas 24 horas, uma nova onda de desdobramentos surgiu. Aqui estão seis das atualizações mais significativas na crise de contaminação por cereulídeos.

1. Os fabricantes enfrentam um impacto financeiro, mas as consequências só serão visíveis no próximo ano

Tem havido muita especulação sobre as perdas financeiras que os fabricantes enfrentam relativamente a este tipo de recall global. A Nestlé, por exemplo, afirmou que os produtos recolhidos representam menos de 0,5% de suas vendas anuais.

Hoje cedo, quando a multinacional suíça divulgou os seus resultados para o ano fiscal de 2025, a diretora financeira Anna Manz afirmou que não espera que os custos – compostos pelo próprio recall e pelas perdas de vendas devido à falta de stockdo produto – ultrapassem CHF 200 milhões (€ 219 milhões).

O que permanece desconhecido é o impacto financeiro de qualquer dano à reputação sofrido pelos fabricantes envolvidos. No caso da Nestlé, alguns analistas acreditam que as consequências podem ser significativamente maiores – potencialmente em torno de 1 bilhão de francos suíços.

Seja qual for o valor final, só o saberemos no próximo ano, quando a Nestlé divulgar seus resultados do ano fiscal de 2026. "O impacto financeiro será visível no próximo ano", confirmou Manz, acrescentando que os impactos potenciais – estimados em uma pequena queda de 0,2% – já foram considerados nas projeções, que devem ficar em torno de 3% a 4% de crescimento orgânico no próximo ano.

Caso os impactos na reputação ou no consumidor se revelem piores do que o esperado, o crescimento provavelmente ficará na extremidade inferior dessa faixa.

2. A Nestlé não foi contatada pelas autoridades francesas

Em França, as autoridades iniciaram investigações sobre a forma como foram geridas as retiradas de fórmulas infantis do mercado. Entre as marcas envolvidas estão Nestlé, Danone, Lactalis, Babymio e La Marque en Moins.

Segundo a Procuradoria de Paris, a decisão de investigar o caso foi motivada pelo “grande número de denúncias” recebidas em todo o país e pela “complexidade técnica das investigações”. A Procuradoria também recebeu uma denúncia da organização de defesa do consumidor Foodwatch, além de queixas de pessoas que relataram que seus filhos vomitaram após consumirem fórmula infantil. Promotorias locais em três cidades francesas também estão a investigar a morte de três bebés .

Mas, apesar das investigações em curso, a Nestlé não foi contatada pelas autoridades francesas, afirmou o CEO Philipp Navratil durante a reunião de imprensa desta manhã. “Há uma investigação em andamento. É claro que colaboraremos se formos contatados.”

Até o momento, não há nenhuma ligação entre doenças ou mortes infantis e "qualquer produto de fórmula infantil da Nestlé", confirmou ele.

3. O risco atual de contaminação para bebés é baixo

França não é o único país a relatar bebés com sintomas estomacais após ingerirem fórmula infantil. Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Luxemburgo, Espanha e Reino Unido também relataram casos semelhantes. Mas, embora as investigações sobre possíveis ligações entre a contaminação por cereulídeos e as doenças continuem, novas descobertas sugerem que o risco atual de contaminação é baixo.

Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), isso deve-se aos recalls em larga escala já em curso em vários países. No entanto, as autoridades alertam que poderão ocorrer mais casos se os produtos recolhidos permanecerem nas casas das pessoas.

4. Sim, o problema remonta à China. Não, não foi uma decisão para reduzir custos

Um fornecedor chinês de óleo ARA, adicionado às fórmulas infantis para auxiliar no desenvolvimento do cérebro e da visão, foi identificado como a fonte da contaminação por cereulídeo. Hoje, ficamos sabendo que, pelo menos para a Nestlé, a decisão de optar por esse fornecedor não foi tomada com o objetivo de reduzir custos. "Não se tratava de custo", explicou o CEO Navratil. "Tratava-se de garantir a segurança do fornecimento de fórmulas infantis."

Ele está a referir-se ao histórico da produção de óleo ARA. Durante anos, apenas um único fornecedor produziu esse ingrediente essencial – um risco evidente para a cadeia de suprimentos de qualquer fabricante. Para reduzir esse risco e diversificar suas fontes de fornecimento, a Nestlé contratou um produtor com sede na China. “O fornecedor foi auditado e aprovado pelo controlo de qualidade”, disse Navratil.

Desde então, a Nestlé expandiu ainda mais sua base de fornecedores e agora trabalha com diversos fabricantes de óleo ARA. Assim que a fonte de contaminação foi identificada, a empresa interrompeu o fornecimento ao fornecedor envolvido.

5. As marcas podem entrar com ações judiciais contra o fornecedor da ARA

Em casos de recalls globais como este, os proprietários das marcas assumem publicamente a responsabilidade. Mas ficou claro que a fonte da contaminação estava mais acima na cadeia de suprimentos. O fornecedor de óleo ARA envolvido também enfrenta consequências financeiras, pois presume-se que tenha violado o contrato ao não cumprir os padrões de segurança exigidos. Uma violação tão grave como essa pode levar à rescisão do contrato sem pagamentos adicionais.

Mas a situação pode piorar muito para um fornecedor, já que as marcas têm o direito de entrar com ações judiciais. A Nestlé confirmou que tem esse direito, mas ainda não o fez. "Nosso foco tem sido o recall e agora é restabelecer o fornecimento", disse Navratil.

6. Novos procedimentos de teste para o óleo ARA em andamento

Os fabricantes estão agora a trabalhar arduamente para suprir as lacunas de fornecimento. Para a Nestlé, esse é o foco principal, com o CEO Navratil a confirmar que a empresa tem enviado “produtos seguros e com controlo de qualidade” desde que o recall foi concluído.

A novidade são os procedimentos adicionais de teste de óleo ARA, que não existiam anteriormente porque a contaminação por cereulídeos no óleo era considerada um "risco desconhecido". Agora, todo o óleo que entra nas fábricas da Nestlé é testado e só entra em produção após ser aprovado.

A Nestlé deixou de comprar do fornecedor envolvido e e outros fornecedores de óleo ARA também estão a ser testados. Após a produção, a fórmula infantil é testada novamente antes de ser liberada para comercialização.

“Estamos a aplicar esses conhecimentos a todos os fornecedores para garantir que isto não aconteça novamente”, disse Navratil. “Todos os produtos que saem da linha de produção agora são totalmente testados e seguros.”

Fonte: FoodNavigator Europe

Os peritos da EFSA concluíram que o edulcorante sucralose (E 955) continua a ser seguro para os consumidores nas suas utilizações atualmente autorizadas como aditivo alimentar. Na sequência de uma revisão exaustiva de todos os dados científicos disponíveis, confirmaram a dose diária admissível. (DDA) de 15 mg/kg de peso corporal por dia e indica que a atual concentração ou quantidade de uma determinada substância que é ingerida por um indivíduo, população ou ecossistema numa frequência específica durante um determinado período de tempo permanece abaixo deste nível.  No entanto, a EFSA não pôde confirmar a segurança das utilizações adicionais da sucralose.

O E 955 é um edulcorante, cerca de 600 vezes mais doce do que o açúcar, que é autorizado para utilização numa gama de alimentos e bebidas com teor reduzido de açúcar e sem açúcar. 

Esta avaliação faz parte de uma revisão em curso dos aditivos aprovados antes de 20 de janeiro de 2009, tal como exigido pela legislação da UE. Os peritos da EFSA avaliaram igualmente um novo pedido para permitir a utilização da sucralose em produtos de padaria mais finos, para além do papel de bolacha e dos cones e bolachas para gelados, que já estão aprovados.

Um estudo recente descobriu que, quando o E 955 é exposto a altas temperaturas por longos períodos, o cloro pode migrar da sucralose e potencialmente formar compostos clorados, cujos efeitos na saúde são desconhecidos. 

«Confirmámos que as atuais utilizações da sucralose como aditivo alimentar são seguras. No entanto, não conseguimos chegar à mesma conclusão para as novas utilizações propostas que avaliamos, uma vez que podem envolver vários processos industriais que exigem temperaturas elevadas prolongadas», afirmou Laurence Castle, presidente do Painel Científico dos Aditivos Alimentares e Aromatizantes da EFSA. 

Além disso, os especialistas observaram que fatores como a temperatura, os tempos de cozedura e a quantidade de adoçante utilizado também podem variar muito nas cozinhas domésticas, o que significa que a formação de compostos clorados durante a preparação de produtos caseiros que exigem alta temperatura, como fritura e cozimento com sucralose, não pode ser excluída. Por conseguinte, a EFSA recomendou que a Comissão Europeia considerasse a questão da potencial formação de compostos clorados durante a cozedura doméstica com sucralose. 

Fonte: EFSA

A iniciativa RISE-SUP surge como resposta aos desafios ambientais e económicos associados à fileira do arroz. Desenvolvida por uma empresa nacional produtora de arroz, em copromoção com a Universidade de Aveiro e com apoio do COMPETE 2030, a operação pretende valorizar subprodutos tradicionalmente encaminhados para aplicações de baixo valor acrescentado.

Num cenário em que, à escala global, milhões de toneladas destes materiais são geradas anualmente, muitas vezes destinadas a ração animal ou incineração, o projeto propõe a sua conversão em recursos com aplicação industrial. Casca, farelo, gérmen e trincas apresentam elevados teores de proteínas, amido, celulose e antioxidantes, componentes com potencial para integrar novos produtos alimentares e soluções de base biológica.

Segundo Pedro Lopes, CFO da empresa e responsável pela operação, o RISE-SUP constitui “um passo decisivo” na valorização sustentável destes materiais, ao alinhar inovação tecnológica com os princípios da economia circular. A iniciativa prevê o desenvolvimento de embalagens biodegradáveis e ativas, bem como de suplementos alimentares funcionais.

A empresa assegura a caracterização e seleção dos subprodutos, a validação das novas soluções e a integração de processos sustentáveis no seu modelo de negócio. Já a Universidade de Aveiro contribui com conhecimento científico nas áreas da formulação de bioplásticos, extração de compostos bioativos e técnicas de encapsulação.

O projeto estrutura-se em seis atividades interligadas, desde o estudo técnico-científico até à validação, à escala piloto, de provas de conceito. Entre as metas definidas estão a identificação de, pelo menos, três subprodutos com potencial para novas aplicações, o desenvolvimento de métodos de extração com eficiência mínima de 80% e a criação de alimentos funcionais com níveis de bioacessibilidade e biodisponibilidade superiores a 80%.

A operação assenta em quatro eixos principais: extração sustentável de compostos bioativos do farelo e do gérmen; produção de alimentos ready-to-eat enriquecidos com compostos encapsulados; desenvolvimento de termobioplásticos flexíveis ativos; e criação de materiais rígidos ou semirrígidos à base de amido proveniente destes subprodutos.

De acordo com Pedro Lopes, o financiamento do COMPETE 2030 é determinante para reduzir o risco associado à investigação e desenvolvimento, acelerar a transferência de conhecimento e potenciar o impacto económico, ambiental e social dos resultados. Entre os efeitos esperados estão a introdução de embalagens biodegradáveis com propriedades antioxidantes, o reforço da capacidade de I&D na valorização de subprodutos agrícolas, a redução da pegada carbónica do processo produtivo da empresa e a criação de novas oportunidades em mercados ligados à economia circular.

Através da conversão de resíduos em soluções de maior valor, o RISE-SUP procura reforçar a competitividade e a sustentabilidade do setor do arroz em Portugal.

Fonte: iAlimentar

O Ecobites pretende apoiar todos os retalhistas que aceitem o desafio a integrar práticas que contribuam para um sistema alimentar mais equilibrado para as pessoas e para o planeta, através da aplicação de uma metodologia própria.

“Num país onde os padrões alimentares ainda apresentam um forte peso de produtos de origem animal, o retalho desempenha um papel determinante na mudança. Nos supermercados, a disponibilidade, acessibilidade, preço e comunicação influenciam diretamente as escolhas dos consumidores. O EcoBites representa um avanço fundamental no alinhamento do retalho português com tendências internacionais e com as necessidades emergentes da saúde pública e da ação climática”, afirma, em comunicado, Tiago Luís, Técnico de Alimentação da World Wide Fund for Nature (WWF) Portugal.

Este projeto tem como base a Metodologia dos Retalhistas da WWF, uma ferramenta internacional que ajuda empresas a medir, monitorizar e reequilibrar as vendas de produtos de origem animal e vegetal. O objetivo é permitir que os retalhistas avaliem o equilíbrio das suas categorias de produtos, recolham dados consistentes e comparáveis, adotem estratégias que promovam alimentos de origem vegetal e contribuam, assim, para dietas mais saudáveis e de menor impacto ambiental.

Neste sentido, e para lançar este projeto, a WWF promove hoje o primeiro de três workshops técnicos para capacitar e envolver as empresas retalhistas. Estas sessões têm como objetivo sensibilizar para a transição proteica, demonstrar o potencial da metodologia da WWF no contexto português e capacitar as empresas para a recolha e análise de dados.

“O setor do retalho alimentar tem um papel determinante na forma como Portugal se alimenta - na saúde pública, nas escolhas dos consumidores e no impacto ambiental. Embora alguns retalhistas já explorem compromissos de sustentabilidade, poucos adotaram metodologias estruturadas para alinhar a sua oferta com objetivos de saúde e sustentabilidade. Com o EcoBites, queremos apoiar esta liderança e acelerar a transição para dietas que sejam benéficas para as pessoas e para o planeta”, afirma Brent Loken, Global Food Lead Scientist da WWF.

Fonte: TecnoAlimentar

A regulamentação da "carne" cultivada em 2026 encontra-se num momento de transição global, marcado por avanços cautelosos, debates públicos intensos e uma crescente necessidade de harmonização entre ciência, indústria e políticas alimentares. Embora a tecnologia tenha amadurecido significativamente na última década, os países seguem ritmos distintos na criação de normas que permitam a produção e comercialização deste tipo de alimento, refletindo diferentes prioridades económicas, culturais e de segurança alimentar.

Na União Europeia, o enquadramento jurídico permanece ancorado no regulamento de “Novel Foods”, que exige avaliações rigorosas de segurança antes de qualquer autorização de mercado. O processo é tecnicamente exigente e envolve análises detalhadas sobre composição, métodos de produção e potenciais impactos no consumidor. Em 2026, observa‑se um interesse crescente por parte de legisladores e entidades científicas, mas a UE mantém a postura tradicionalmente prudente, avançando de forma lenta e metódica. A expectativa é que os primeiros pedidos formais de aprovação avancem, embora ainda não exista consenso sobre prazos concretos.

O Reino Unido, por sua vez, vive um debate público mais visível. Após o Brexit, o país ganhou autonomia regulatória e tem procurado definir a sua própria abordagem à "carne" cultivada. Em 2026, relatórios e consultas públicas destacam a necessidade de salvaguardas adicionais, sobretudo no que diz respeito à transparência dos processos, à rotulagem e ao impacto socioeconómico sobre agricultores e cadeias produtivas tradicionais. O governo britânico demonstra abertura ao tema, mas ainda não avançou para autorizações comerciais, preferindo consolidar um quadro regulatório robusto antes de permitir a entrada destes produtos no mercado.

Nos Estados Unidos, o cenário é paradoxal. Apesar de terem sido pioneiros na aprovação inicial de "carne" cultivada para consumo, o setor enfrenta agora um ambiente regulatório mais exigente e um mercado menos entusiasmado do que nos anos anteriores. Em 2025 e 2026, várias startups encerraram atividades devido a custos elevados, dificuldades de escala e um ritmo regulatório mais lento do que o esperado. A Food and Drug Administration (FDA) e o Departamento de Agricultura (USDA) continuam a supervisionar o processo, mas a combinação de exigências técnicas e desafios económicos tem travado a expansão comercial.

Globalmente, 2026 marca uma fase de realismo no setor. O entusiasmo inicial deu lugar a uma etapa de consolidação, em que investidores se mostram mais seletivos e governos procuram equilibrar inovação com segurança e impacto social. Países asiáticos, como Singapura — pioneira na aprovação comercial — continuam a liderar em termos de implementação prática, embora também enfrentem desafios de custo e aceitação do consumidor. Outros mercados observam atentamente, aguardando evidências mais sólidas de viabilidade económica e benefícios ambientais antes de avançar com regulamentações definitivas.

Assim, o panorama regulatório da "carne" cultivada em 2026 é heterogéneo, marcado por avanços pontuais, prudência institucional e um setor que, embora promissor, ainda procura provar a sua capacidade de competir em escala com a produção convencional. O futuro dependerá da evolução tecnológica, da redução de custos e da capacidade dos governos de criar normas claras que inspirem confiança tanto na indústria quanto nos consumidores.

Fonte: Qualfood

Menos azeite, mais qualidade

  • Thursday, 19 February 2026 12:19

Ainda não são os dados definitivos, mas as previsões do CEPAAL (Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo) para a campanha 2025/2026 apontam para um decréscimo de aproximadamente 20% na produção de azeite a nível nacional.

Uma consequência das condições climatéricas atípicas ao longo do ano e que “tiveram um efeito mais forte do que o esperado”, como refere o presidente do CEPAAL. “A campanha 2025/2026 tem-nos proporcionado sensações agridoces”, lamentou Manuel Norte Santo, acrescentando que o calor intenso e a total ausência de precipitação nalguns meses do ano foram determinantes na quebra de produção.

A boa notícia está na qualidade do fruto resultante desta campanha. “Vivemos uma colheita caracterizada pela qualidade muita elevada. O fruto ao longo da sua formação revelou excelentes condições sanitárias mantendo-se muito íntegro e saudável, sendo que não foram identificados episódios relevantes de mosca, gafa e/ou geadas pelos nossos produtores, levando a uma grande percentagem de produção de azeites virgens extra”, revela o responsável.

E apesar do calor que se fez sentir no início da campanha apontar para um ano difícil no que diz respeito aos azeites muito frutados, os produtores acabaram por confirmar “as excelentes características organoléticas dos seus azeites”, sublinha Manuel Norte Santo.

Desafios e oportunidades

“A instabilidade política em várias regiões do mundo e os episódios de conflitos, têm implicações diretas nas cadeias de abastecimento e no comércio internacional. Seja a nível de interrupções e restrições nas cadeias de transporte, seja pelo aumento que provoca nos custos de produção, passando pela volatilidade e pelas flutuações cambiais, todas estas questões são catalisadoras da resistência ao comércio internacional”, explica.

Mas a instabilidade nalgumas geografias pode significar a entrada noutras e oportunidades em novos mercados. “Depende da nossa capacidade de adaptação e resiliência para explorarmos novos mercados, para definirmos diferentes estratégias de aproximação a novos e diferentes consumidores”, afirma, lembrando que a gastronomia e o azeite portugueses têm um “reconhecimento crescente” em mercados não tradicionais e emergentes. “Devemos definir uma estratégia conjunta e comum enquanto país para crescermos nestas regiões”, define Manuel Norte Santo, que aponta o acordo UE-Mercosul como uma oportunidade “num futuro próximo no panorama internacional”, já que o Brasil é o primeiro destino de azeite embalado das exportações nacionais. “Um alívio fiscal será certamente benéfico para os produtores portugueses”, sublinha.

 Uma marca única para o azeite português

É o que defende Manuel Norte Santo: uma marca única para agregar e potenciar a visibilidade do azeite português, de uma forma mais estruturada, nos mercados internacionais.
“Estruturar e definir uma estratégia internacional comum para o azeite português, devia ser uma prioridade para os diversos players do nosso setor. A ideia central é deixar de comunicar o azeite português como um conjunto disperso de marcas individuais e passar a ter uma marca mãe agregadora, reconhecível e emocionalmente poderosa nos mercados externos. Outros países produtores, como Itália e Espanha, são exemplos do sucesso que esta estratégia unificadora poderá alcançar”, explica.
O presidente do CEPAAL recorda que o azeite ‘Made in Portugal’ tem registado um crescimento muito significativo, que o país está “na linha da frente da aplicação de tecnologia, quer no campo quer na extração, adotando as práticas mais eficientes e modernas disponíveis” e que em Portugal estão alguns dos lagares mais avançados e capacitados do mundo.
Mas, no seu entender, falta ao setor uma estratégia concertada e eficaz de promoção internacional do azeite português e uma comunicação capaz de valorizar e diferenciar esta transformação do setor. “Creio que temos falhado em converter a inovação e o investimento realizado em vantagem comercial. Por isso, defendo a necessidade de maior concertação e agregação entre os agentes do setor, para comunicarmos melhor, ganharmos escala e reforçarmos o posicionamento do azeite português nos mercados internacionais”, conclui.

Fonte: HiperSuper

Uma solução tecnológica portuguesa desenvolvida no âmbito da Agenda Mobilizadora ‘Embalagem do Futuro’ foi selecionada para o conjunto das dez inovações em destaque na Innovation Gallery 2026, espaço dedicado à inovação da Packaging Innovations & Empack 2026, que decorreu no Reino Unido.

O Sistema Inteligente e Sustentável de Transporte de Pescado com PetriTag consiste numa solução reutilizável e de lógica circular para o transporte de pescado refrigerado. Integra caixas isotérmicas produzidas a partir de materiais reciclados provenientes da indústria da pesca, um rótulo com deteção visual de contaminação bacteriana (PetriTag) e tecnologia de monitorização baseada em IoT, permitindo reforçar o controlo das condições de transporte, a rastreabilidade e a segurança alimentar.

Impacto do PRR na inovação empresarial

De acordo com comunicado do portal Recuperar Portugal – Plano de Recuperação e Resiliência, esta distinção constitui um marco relevante para a Agenda ‘Embalagem do Futuro’, integrada na Componente C05 – Capitalização e Inovação Empresarial do PRR, evidenciando o contributo do investimento público para o desenvolvimento de soluções inovadoras com projeção internacional.

O mesmo comunicado sublinha que o reconhecimento obtido valoriza a capacidade tecnológica nacional e demonstra a eficácia do PRR no apoio a projetos com potencial para competir ao mais alto nível europeu.

Consórcio reúne empresas e sistema científico

A Agenda ‘Embalagem do Futuro’ é liderada pela Vangest Engineering Solutions SA e conta com a Nerlei–CCI na gestão do consórcio, envolvendo empresas, centros de investigação, instituições de ensino superior e outros parceiros estratégicos.

O objetivo passa pelo desenvolvimento de soluções avançadas para o setor das embalagens, com enfoque na sustentabilidade, na digitalização e na inclusão, contribuindo para a transformação estrutural da economia.

Fonte: iAlimentar