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O Dia da Panqueca volta a conquistar cozinhas e redes sociais, com milhares de pessoas a celebrar a data através de receitas criativas, desafios gastronómicos e partilhas que vão desde a panqueca clássica às versões mais ousadas.

Ao longo do dia, cafés e pastelarias de várias cidades registaram maior afluência, muitos deles com menus especiais dedicados ao tema. Em casa, famílias e amigos aproveitaram a ocasião para transformar o pequeno‑almoço — ou até o jantar — num momento de convívio saboroso.

Entre as tendências que marcaram a edição deste ano destacam‑se:

  • Panquecas proteicas, cada vez mais populares entre quem procura opções saudáveis.
  • Panquecas artísticas, decoradas com frutas, chocolate ou desenhos criativos.
  • Sabores internacionais, como as americanas fofinhas, as francesas tipo crêpe e as japonesas soufflé.

Nas redes sociais, a hashtag #DiaDaPanqueca atinge milhares de publicações, com vídeos de receitas rápidas, competições de “panqueca mais alta” e até tentativas falhadas que arrancaram gargalhadas dos seguidores.

Apesar do tom descontraído, chefs e nutricionistas aproveitaram a data para lembrar que a panqueca pode ser tão indulgente ou equilibrada quanto os ingredientes escolhidos. “É um prato versátil, que permite brincar com sabores e texturas”, comenta um chef portuense num dos eventos locais.

Com tanta adesão, o Dia da Panqueca confirma-se como uma tradição moderna que une gerações e inspira criatividade à mesa — e já há quem esteja a planear novas combinações para o próximo ano.

Fonte: Qualfood

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está a intensificar a pressão sobre os governos para reforçarem a tributação sobre bebidas açucaradas e alcoólicas, alertando para a fragilidade dos atuais sistemas fiscais aplicados a estes produtos em grande parte do mundo.

De acordo com a organização, os preços relativamente baixos destas bebidas continuam a estimular o consumo excessivo, contribuindo para o aumento das doenças não transmissíveis, como a diabetes, a obesidade, as doenças cardiovasculares e os problemas hepáticos, ao mesmo tempo que agravam a pressão sobre os sistemas nacionais de saúde.

A OMS sublinha ainda a crescente discrepância entre os elevados lucros gerados pelas indústrias das bebidas açucaradas e alcoólicas e a reduzida percentagem dessas receitas que é reinvestida em políticas públicas de saúde.

 “Impostos são uma das ferramentas mais fortes”

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, defende que a fiscalidade desempenha um papel central na prevenção de doenças. “Os impostos da saúde são uma das ferramentas mais fortes que temos para promover a saúde e prevenir a doença. Ao aumentar os impostos sobre produtos como tabaco, bebidas açucaradas e álcool, os governos podem reduzir o consumo nocivo e desbloquear fundos para serviços de saúde essenciais”, afirma.

Segundo a organização, este tipo de tributação tem um duplo impacto: por um lado, desencoraja o consumo excessivo; por outro, gera receitas que podem ser canalizadas para programas de prevenção, tratamento e promoção da saúde.

No entanto, a OMS alerta que, em muitos países, os impostos existentes não são atualizados em função da inflação e deixam de refletir a evolução dos rendimentos e dos preços, perdendo eficácia ao longo do tempo.

Bebidas açucaradas: cobertura limitada e taxas reduzidas

De acordo com os relatórios globais mais recentes da OMS, atualmente, 116 países aplicam algum tipo de imposto sobre bebidas açucaradas, com uma taxa mediana de apenas 2% do preço de venda ao público.

Na maioria dos casos, estas taxas incidem exclusivamente sobre refrigerantes com gás, deixando de fora categorias relevantes como sumos de fruta com adição de açúcar, bebidas lácteas adoçadas, cafés e chás prontos a beber e bebidas energéticas.

De acordo com a organização, esta limitação reduz significativamente o impacto das medidas fiscais, permitindo que muitos produtos com elevado teor de açúcar escapem à tributação específica.

A OMS destaca ainda que nenhum novo país introduziu impostos sobre bebidas energéticas desde 2023, apesar do crescimento do consumo deste tipo de produtos em vários mercados.

Álcool: maioria dos países tributa, mas sem atualização

No segmento das bebidas alcoólicas, os dados mostram que 167 países aplicam algum tipo de imposto, enquanto apenas 12 mantêm uma proibição total.

A taxa mediana global situa-se em 14% para a cerveja e 22,5% para as bebidas espirituosas.

Apesar desta cobertura alargada, a OMS alerta que, na maioria dos países, os impostos sobre o álcool não são atualizados desde 2022, o que tem vindo a reduzir progressivamente o seu efeito dissuasor.

Um dado particularmente relevante para o contexto europeu é o facto de 25 países — a maioria na Europa — excluírem o vinho da tributação específica sobre as bebidas alcoólicas, criando assimetrias entre categorias e limitando o impacto das políticas fiscais.

Apoio público mantém-se elevado

Apesar da sensibilidade política associada ao aumento de impostos, a OMS destaca que o apoio da população continua elevado. Um inquérito realizado em 2022 revelou que a maioria dos inquiridos é favorável ao reforço da tributação sobre bebidas açucaradas e alcoólicas, sobretudo quando as receitas são destinadas ao financiamento da saúde pública.

Este apoio social representa, segundo a organização, uma oportunidade para os governos avançarem com reformas estruturais sem perda significativa de legitimidade junto dos cidadãos.

Impacto esperado no retalho e na indústria

O reforço da fiscalidade sobre estas categorias poderá ter impactos relevantes no sector do retalho e na indústria alimentar e de bebidas. Entre os principais efeitos esperados, a OMS destaca a redução do consumo de produtos com elevado teor de açúcar e álcool, o incentivo à reformulação de receitas por parte dos fabricantes, uma maior aposta em alternativas com menor impacto nutricional e a reconfiguração das estratégias de preço e promoção no ponto de venda.

Em vários mercados, medidas semelhantes já levaram ao desenvolvimento de bebidas com menor teor de açúcar, versões “zero” ou reformulações com edulcorantes naturais.

Um apelo à reforma estrutural

Para a OMS, a atual situação reflete uma oportunidade perdida em termos de política pública. A organização defende que os impostos devem ser mais abrangentes, cobrindo todas as categorias relevantes; indexados à inflação; harmonizados entre países e regiões e integrados em estratégias nacionais de saúde.

Sem estas reformas, alerta a entidade, os sistemas fiscais continuarão a ser insuficientes para enfrentar os desafios colocados pelas doenças crónicas associadas ao consumo excessivo de açúcar e álcool. A organização reforça que, num contexto de envelhecimento da população e de pressão crescente sobre os orçamentos públicos, investir em prevenção através da fiscalidade é uma das formas mais eficazes de proteger a sustentabilidade dos sistemas de saúde.

Fonte: Grande Consumo

Uma equipa de investigadores da University of Idaho (EUA) está a usar modelação molecular por computador para desenvolver novos fungicidas agrícolas, com foco inicial na proteção da cultura da batata e no combate a doenças fúngicas.

De acordo com os investigadores, a abordagem aproxima-se das técnicas usadas na indústria farmacêutica, combinando experiências laboratoriais, simulações computacionais e química aplicada para criar novos produtos.

O projeto envolve sete cientistas de diferentes áreas, desde agricultura, ciência e engenharia, e tem como foco inicial a produção de fungicidas para a cultura da batata. Os investigadores já identificaram vários compostos eficazes contra doenças fúngicas graves que afetam esta cultura e esperam que a universidade venha a licenciar estes produtos a empresas do setor químico.

Segundo Brenda Schroeder, uma das responsáveis pelo estudo, menos de 60 compostos foram testados até ao momento e 15 já demonstraram atividade antifúngica. A taxa de sucesso é elevada e, na sua perspectiva, o método poderá ser adaptado a outros grupos de patógenos no futuro, não se limitando apenas aos fungos.

Um dos pontos fortes do projeto é a descoberta de compostos pertencentes a novas classes de fungicidas, com modos de ação distintos dos atualmente disponíveis no mercado.

Segundo os cientistas, esta inovação é crítica num contexto em que o uso repetido de produtos do mesmo grupo favorece o aparecimento de resistências. Atualmente existem apenas 17 grupos de fungicidas, o que limita as opções dos produtores quando surgem estirpes resistentes.

De acordo com Marty Ytreberg, investigador que integra a equipa responsável pela análise, o estudo está a desenvolver compostos que atuam sobre proteínas fúngicas ainda não exploradas, o que poderá resultar na introdução de dois a três novos grupos de fungicidas no mercado. Entre os compostos já analisados, estima-se que três a cinco venham a ser comercializados.

Para minimizar riscos para as culturas, para a saúde humana e para o ambiente, os investigadores dão prioridade a proteínas que sejam específicas dos fungos e distintas das existentes em plantas e animais.

Paralelamente, a equipa de investigadores está a construir um catálogo de proteínas-alvo, criando uma base sólida para desenvolvimentos futuros. Além disso, cerca de 80 novos compostos já foram identificados como promissores através de modelação computacional e aguardam testes laboratoriais.

Após a validação inicial, os compostos são sujeitos a modificações químicas para melhorar o seu desempenho, seguindo-se novos ensaios em estufa e avaliações de técnicas de aplicação no campo. Um dos maiores desafios do projeto é a escassez de dados genómicos completos para muitas culturas agrícolas, o que dificulta a identificação precisa de proteínas-alvo.

O projeto arrancou há cerca de três anos e recebeu financiamento público, incluindo uma subvenção estadual inicial e, mais recentemente, um apoio do Departamento de Agricultura dos EUA. O financiamento permitirá testar novos compostos contra doenças da batata para as quais existem atualmente poucas opções de controlo.

A equipa acredita que os resultados terão impacto direto na sustentabilidade da produção agrícola e no apoio aos produtores de batata. Segundo os investigadores, as receitas provenientes do licenciamento dos fungicidas poderão ultrapassar os 60 mil dólares anuais por produto para a universidade, reforçando o investimento contínuo em investigação aplicada.

Fonte: Vida Rural

O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Milho afirmou hoje não ser possível obrigar os outros países a cumprir as regras da União Europeia (UE), mas pediu salvaguardas no âmbito do Mercosul para que possam estar equiparados.

“Não podemos obrigar os outros países a cumprir as regras da União Europeia, mas temos de ter mecanismos de salvaguarda e de controlo fitossanitário para estarmos equiparados, nomeadamente, com o Brasil”, afirmou o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (Anpromis), Jorge Neves, em declarações à Lusa.

A assinatura do acordo entre UE e o Mercosul foi formalizada em 17 de janeiro, no Paraguai.

O acordo comercial com o Mercosul e os cortes na nova Política Agrícola Comum (PAC) têm motivado protestos dos agricultores por vários pontos da Europa.

Estes temas estiveram em cima da mesa no Congresso Nacional do Milho, que se realizou entre 11 e 12 de fevereiro 2026, em Santarém, e assinalou os 40 anos de adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE).

Já relativamente à nova PAC, Jorge Neves sublinhou que “todo o setor e o próprio Governo português” estão contra a proposta inicial da Comissão Europeia.

Contudo, assinalou “sinais de abertura” por parte de Bruxelas para corrigir muitas questões que têm sido apontadas pelo setor.

Entre as principais mudanças da nova PAC está o desmantelamento do segundo pilar (desenvolvimento rural), que passa a ser integrado no primeiro, dedicado aos pagamentos diretos.

É também dada abertura aos Estados-membros para que complementem este orçamento com verbas nacionais, decisão que tem vindo a ser contestada pelo setor, que aponta para a criação de desigualdades.

O presidente da Anpromis fez um balanço “extremamente positivo” do Congresso Nacional do Milho, que agregou, pela segunda vez, o encontro das culturas cerealíferas, o que disse revelar a “congregação de pontos de vista e objetivos” de toda a fileira.

O congresso, que decorreu no CNEMA – Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas, em Santarém, juntou cerca de 600 participantes.

Jorge Neves afirmou ainda que a adesão a este evento reflete a importância destas culturas e o seu impacto na coesão do território e na manutenção da agricultura em vários pontos do país.

“Pretendemos, mais do que tudo, que as grandes orientações de política deste Governo se vão concretizando, por forma a que esta atividade se reforce na senda da estratégia +Cereais”, concluiu.

A estratégia +Cereais, aprovada no final de 2025, aposta em novas tecnologias e na agricultura de precisão para um maior autoaprovisionamento de cereais em Portugal.

O Congresso Nacional do Milho foi organizado pela Anpromis, em colaboração com a Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (Anpoc) e com a Associação de Orizicultores de Portugal (AOP).

A 16.ª edição deste congresso assinalou a adesão de Portugal à CEE, formalizada em 1986, que, para os produtores representou um “ponto de viragem estrutural” para o setor agrícola.

Fonte: Agroportal

A resistência antimicrobiana (RAM) é frequentemente associada ao uso indevido de antibióticos, mas novas descobertas mostram que os fatores determinantes podem ser muito mais amplos do que se pensava anteriormente. Uma oficina conjunta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Academia Chinesa de Ciências (CAS) destacou como os produtos químicos comumente usados ​​na agricultura e na produção de alimentos podem estar acelerando silenciosamente a disseminação global de microrganismos resistentes a medicamentos.

Realizado em Hangzhou, na China, de 10 a 13 de novembro de 2025, o workshop reuniu especialistas internacionais para examinar a “co-seleção antimicrobiana”, um processo no qual substâncias químicas não antibióticas podem promover a sobrevivência e a disseminação de bactérias resistentes a antibióticos de importância médica. As conclusões estão resumidas em um sumário executivo recém-publicado.

Especialistas analisaram evidências que demonstram que uma ampla gama de substâncias comumente encontradas em sistemas agroalimentares, incluindo aditivos alimentares e para ração animal, metais, pesticidas, produtos farmacêuticos, biocidas e poluentes ambientais, podem contribuir para a resistência antimicrobiana (RAM) ao desencadear respostas de estresse em microrganismos, aumentar as taxas de mutação ou intensificar a transferência horizontal de genes de resistência. Esses processos podem ocorrer no solo, na água, em animais de produção, em plantações e em ambientes de processamento de alimentos.

Os participantes destacaram a necessidade de controlos mais rigorosos nas fases iniciais da produção de alimentos, melhores práticas de higiene e biossegurança e um monitoramento mais eficaz dos insumos químicos em toda a cadeia alimentar.

O relatório também identifica lacunas de conhecimento e prioridades de pesquisa importantes, defendendo mais estudos de campo, ferramentas de vigilância aprimoradas e o uso de tecnologias avançadas, como metagenómica e inteligência artificial, para melhor compreender e mitigar os riscos de resistência antimicrobiana em sistemas agroalimentares.

Leia o resumo executivo aqui

Fonte: FAO

A maior parte dos portugueses reconhece que a ligação emocional influencia a sua decisão de compra (93%), pelo menos em algum grau, revela o mais recente estudo da ConsumerChoice sobre a Relação dos Consumidores com as Marcas.

Para 21%, essa influência é elevada e para 45% é moderada, mostrando que a emoção desempenha um papel importante, sobretudo nas escolhas do dia a dia. Contudo, quando a relação envolve um maior compromisso financeiro, como nas categorias de Tecnologia e Eletrónica ou Mobiliário e Decoração, os consumidores adotam uma postura mais racional. Nestes casos, o preço, as características funcionais e a relação qualidade–preço assumem um papel central, ainda que a confiança na marca continue a ser valorizada.

Preço é um fator decisivo

Apesar da crescente valorização da emoção, os critérios racionais continuam a ter um grande peso no processo de escolha de um produto ou serviço. Quando questionados sobre o principal fator de decisão no momento de escolha de uma marca, 64% dos entrevistados indica o preço como determinante, seguido da qualidade funcional (46%). A ligação emocional surge como critério principal apenas para 19%, reforçando a ideia de que a emoção complementa, mas não substitui, os fatores racionais.

Ainda assim, 40% dos inquiridos prefere uma combinação equilibrada entre preço, qualidade e ligação emocional, revelando assim uma relação cada vez mais multifacetada com as marcas, dependente do contexto e da categoria de produto.

No que diz respeito à comunicação, as campanhas promocionais e focadas no preço continuam a ser as mais eficazes, referidas por 59% dos participantes como reforçadoras da relação com as marcas. As campanhas baseadas em valores como sustentabilidade, inclusão e propósito (34%), e as campanhas emocionais ou fundamentadas em storytelling (30%) são mencionadas também pelos consumidores. Por fim, o humor é valorizado por 27%, enquanto o recurso a figuras públicas ou influenciadores tem um impacto residual (7%).

Confiança guia a relação com marcas

Segundo o estudo, a ligação emocional assume maior relevância em categorias de consumo frequente e próximas do quotidiano, como a Alimentação e Bebidas, Vestuário e Calçado e Produtos de Higiene e Cosmética. Nestes setores, os portugueses desenvolvem relações mais duradouras, assentes na confiança, no hábito e na identificação pessoal com as marcas.

A confiança destaca-se como um dos pilares desta relação, construída através da consistência da marca, da experiência passada e da perceção de fiabilidade ao longo do tempo. Marcas com uma comunicação coerente e uma proposta de valor clara tendem a gerar maior proximidade e afinidade junto dos entrevistados.

Já a fidelização, é condicionada e pouco absoluta. Mesmo quando existe uma ligação emocional forte, a maioria dos inquiridos admite mudar de marca perante diferenças significativas de preço ou vantagens claras da concorrência. Apenas uma minoria afirma estar sempre disposta a pagar mais por uma marca com a qual mantém uma relação emocional próxima.

Fonte: Grande Consumo

O projeto NUSTALGIC (Neglected and Underutilized Species and waTer hArvesting for buiLdinG ClImate Change resilience) reúne 11 parceiros de Portugal, Líbano, Marrocos, Tunísia, Espanha, Itália, Grécia e Jordânia. Entre 2025 e 2028, e com um orçamento de 4,41 milhões de euros, o projeto visa modernizar e promover soluções sociais e tecnológicas que ajudem a enfrentar desafios climáticos. 

A agricultura na região Mediterrânica enfrenta desafios associados às alterações climáticas, à degradação dos solos e à escassez de água. Paralelamente, esta região apresenta elevada biodiversidade agrícola, com culturas que têm vindo a ser abandonadas pela agricultura moderna, como as leguminosas tradicionais, cactos e variedades tradicionais de cevada, culturas naturalmente adaptadas a ambientes áridos e eficientes no uso da água

Este projeto visa modernizar e promover soluções sociais e tecnológicas que integram técnicas ancestrais de captação de água, sistemas agrícolas baseados em espécies ou variedades negligenciadas e cadeias de valor alimentares sustentáveis, contribuindo para sistemas agroalimentares mais resilientes em toda a região.

Desde o lançamento, em junho de 2025, os parceiros do NUSTALGIC iniciaram a preparação e instalação dos ensaios de demonstração nas diferentes regiões participantes. As atividades atuais centram-se na seleção de locais, no planeamento da implementação e na distribuição e sementeira de cevada, leguminosas tradicionais e cactos.

Em Portugal, encontram-se já ativos dois locais de demonstração: na LIPOR (Maia, Porto) e na Herdade do Freixo do Meio (Montemor-o-Novo, Évora), onde variedades de grão-de-bico e de fava já foram cultivadas e estão já em crescimento. Estes primeiros passos marcam o início de atividades de campo coordenadas, que funcionarão como laboratórios vivos para testar sistemas de captação de água, estratégias de cultivo e soluções baseadas na natureza adaptadas às condições locais.

“Ouvindo os testemunhos dos nossos colegas na Jordânia, Marrocos, Tunísia, Líbano, Grécia, e Itália, este projeto permitiu-me perceber, em primeira mão, o contexto difícil em que vivemos no Mediterrâneo, devido à escassez de água e ao abandono do cultivo de espécies e variedades com enorme potencial. Esta união de esforços e de sabedorias antigas e modernas cria um ecossistema muito especial para implementarmos ações com verdadeiro potencial de gerar impacto nas economias locais. Um aspeto que me entusiasma é o envolvimento de mulheres e jovens agricultores na cocriação de soluções verdadeiramente inclusivas,” afirma Marta Vasconcelos, investigadora e coordenadora do projeto, citada em comunicado

Financiado pelo programa PRIMA (Parceria para a Investigação e Inovação na Região Mediterrânica), o NUSTALGIC integra instituições de investigação, organizações não governamentais e empresas no objetivo de reforçar a sustentabilidade da agricultura mediterrânica. Ao combinar conhecimento tradicional com inovação moderna, o projeto promove uma abordagem WEFE Nexus (Água–Energia–Alimentos–Ecossistemas), assegurando a utilização eficiente dos recursos e o equilíbrio ambiental.

A Escola Superior de Biotecnologia e o seu centro de investigação – Centro de Biotecnologia e Química Fina – da Universidade Católica Portuguesa assegura a coordenação e gestão do projeto e a implementação científica. Lidera também o desenvolvimento de produtos alimentares inovadores a partir de estas variedades negligenciadas, a sua caracterização nutricional e a valorização de produtos. Por meio destas atividades, a instituição estabelece a ligação entre a produção agrícola sustentável e a inovação alimentar, promovendo dietas saudáveis e inteligentes, em consonância com o clima, para a população mediterrânica.

Inovação para a sustentabilidade e inclusão

A equipa do projeto NUSTALGIC vai implementar tecnologias de captação de água, incluindo sistemas de recolha em coberturas, estruturas em socalcos e a modernização de reservatórios tradicionais. Estima-se que estas soluções permitam um aumento da disponibilidade de água entre 20–25 % e uma melhoria da eficiência do uso da água em cerca de 20% nas áreas piloto.

O projeto vai estabelecer quatro plataformas de inovação multi-ator para agricultura de sequeiro em Marrocos, Líbano, Tunísia e Jordânia, criando 80 locais de demonstração e envolvendo mais de 1 200 agricultores, com uma meta de 20 % de adoção das novas tecnologias. Estes locais irão testar inovações que vão desde sistemas de cultivo baseados em NUS e monitorização da saúde do solo até pequena maquinaria para colheita e produção de alimentos para animais, assegurando resultados práticos e escaláveis.

No total, o projeto prevê o desenvolvimento de 18 tecnologias nas áreas da gestão da água, melhoria das culturas e valorização de subprodutos, com o objetivo de reduzir custos de produção, aumentar a produtividade em 15–20 % e promover o empoderamento de mulheres e jovens, através de uma participação equitativa e de oportunidades de liderança.

Fonte: TecnoAlimentar

A Portugal Fresh anunciou ontem que as exportações de frutas, legumes e flores cresceram 5% em 2025 para 2,6 mil milhões de euros, atingindo mais um recorde anual.

A União Europeia é o principal destino das exportações deste setor, absorvendo 83,6% do valor. O principal cliente externo da produção nacional de frutas, legumes e flores é Espanha, que vale 39% do total das exportações em valor. Seguem-se França (13%), Países Baixos (9%), Alemanha (8%) e Reino Unido (6%).

De acordo com os dados do INE, compilados pela Portugal Fresh, as frutas mais exportadas são, por esta ordem, os pequenos frutos (com destaque para a framboesa), o tomate preparado ou conservado, os citrinos (destaque para a laranja), os frutos de casca rija (destaque para a amêndoa), o tomate fresco e a pera.

“O constante crescimento das exportações de frutas, legumes e flores é, sem dúvida, um orgulho para as empresas produtoras e demonstra que o setor agrícola e alimentar nacional é competitivo e apresenta qualidade nos seus produtos”, afirma Gonçalo Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh, Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal.

“Quando falamos das exportações, importa reforçar a importância do Acordo de Comércio entre a União Europeia e os países do Mercosul. Esta é uma oportunidade globalmente positiva para o agroalimentar português – principalmente nas frutas – e europeu, já que possibilita o acesso a um mercado de 270 milhões de consumidores. Também o Acordo União Europeia-Índia que vai permitir às empresas portuguesas exportar mais, de forma mais simples e barata, para este gigante asiático, é de extrema importância. Para crescermos é necessário abrir novos mercados com uma diplomacia económica eficaz”, sublinha.

No entanto, a Portugal Fresh alerta para os graves prejuízos que a Depressão Kristin provocou na agricultura, com culturas totalmente destruídas pela força do vento e da água. “Só poderemos continuar a ser competitivos se apoiarmos os produtores nacionais que foram fortemente afetados. Apoiar o setor das frutas, legumes e flores, bem como o setor agroalimentar e florestal em geral, não é apenas uma questão de solidariedade para com os agricultores: é uma decisão estratégica para o país. É preciso olhar para a economia rural e assegurar que os produtos produzidos no nosso país continuarão a chegar à nossa mesa e aos mercados de exportação”, afirma.

Fonte: iAlimentar

A casca de cebola, habitualmente tratada como resíduo agroalimentar, pode vir a ter uma nova utilidade na produção de embalagens mais amigas do ambiente. Uma investigação da Universidade de Aveiro (UA) demonstra que este subproduto pode ser incorporado diretamente em bioplásticos, sem necessidade de processos complexos de extração, permitindo obter materiais com melhor desempenho e menor impacto ambiental.

O estudo, desenvolvido no CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro, consistiu na integração de casca de cebola moída em matrizes produzidas a partir de amido recuperado de resíduos industriais, nomeadamente lamas do processamento de batata. Segundo a equipa, esta solução originou bioplásticos com “propriedades mecânicas melhoradas”, maior resistência à água, capacidade de barreira a gases e atividade antioxidante, características consideradas essenciais para embalagens funcionais.

A abordagem segue princípios da economia circular, ao valorizar resíduos e substituir matérias-primas fósseis ou alimentares por subprodutos não comestíveis. Desta forma, contribui para reduzir o impacto ambiental e aliviar a pressão sobre recursos primários. O trabalho envolveu investigadores de vários departamentos da UA, com colaboração do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV) da Rede de Química e Tecnologia (REQUIMTE).

Embora não existam dados públicos sobre a quantidade de cascas de cebola enviadas para aterro em Portugal, a equipa recorda que a produção mundial de cebola ultrapassa 98 milhões de toneladas por ano. Estima-se que cerca de 5% correspondam a cascas, o que equivale a aproximadamente 550 mil toneladas de resíduos anuais a nível global. Em Portugal, tendo em conta o peso do setor agroalimentar, os investigadores consideram plausível que sejam geradas “várias milhares de toneladas” por ano.

A tecnologia encontra-se já protegida por patente, o que evidencia o seu potencial de aplicação industrial. A solução permite produzir termoplásticos ativos e biodegradáveis com recurso a tecnologias convencionais, como extrusão ou moldação por compressão.

De acordo com os investigadores, os materiais apresentam estabilidade térmica, atividade antioxidante e propriedades de barreira ajustáveis, podendo ser utilizados tanto em embalagens para conservação de alimentos como em dispositivos médicos.

Fonte: iAlimentar

A procura global por bebidas sem álcool e funcionais continua a crescer de forma acelerada, impulsionada por preocupações com a saúde, moderação no consumo e procura por novas experiências.

A conclusão é de um novo estudo da IWSR, divulgado no final de janeiro, que aponta para um reforço estrutural destas categorias no mercado internacional de bebidas.

Bebidas sem álcool crescem 9% em volume em 2025

De acordo com o relatório, as categorias de cerveja, vinho, bebidas espirituosas e ready-to-drinks (RTD) sem álcool registaram um crescimento de 9% em volume durante o ano de 2025. A entidade prevê ainda uma expansão acumulada de 36% entre 2024 e 2029. 

Até ao final da década, o consumo global destas bebidas deverá atingir cerca de 18 mil milhões de porções, o equivalente a duas bebidas por pessoa, à escala mundial.

Este desempenho confirma a consolidação do segmento como uma alternativa credível às bebidas alcoólicas tradicionais, em linha com a crescente valorização de estilos de vida mais equilibrados.

Bebidas funcionais também ganham relevância

Paralelamente, o estudo destaca o crescimento das chamadas bebidas funcionais ou alcohol adjacent, que incluem bebidas com cânhamo não intoxicante, produtos com nootrópicos, adaptogénicos, fermentados, botânicos e chás gaseificados.

Em 2025, este segmento registou um aumento de 11% em volume. Apesar do crescimento, a IWSR sublinha que continua a representar uma categoria mais pequena quando comparada com as bebidas sem álcool.

Saúde, curiosidade e moderação impulsionam o consumo

A análise da IWSR mostra que os consumidores recorrem a estas categorias por motivações distintas. No caso das bebidas sem álcool, a principal razão é a saúde, referida por 37% dos consumidores de cerveja sem álcool e por 40% dos consumidores de vinho e espirituosos sem álcool.

Já nas bebidas funcionais, apenas 26% aponta motivos relacionados com a saúde. Cerca de 17% refere a procura por efeitos semelhantes ao álcool através de ingredientes funcionais, enquanto 20% admite consumir por curiosidade.

Estes dados evidenciam que os dois segmentos respondem a necessidades diferentes, reforçando a sua complementaridade no mercado.

 “Consumidores querem participar sem se sentirem excluídos”

Segundo Susie Goldspink, responsável pela área de bebidas sem e baixo teor alcoólico na IWSR, os produtos sem álcool permitem aos consumidores moderar o consumo sem abdicar da experiência social. “Ao imitarem o sabor e a aparência das bebidas alcoólicas, estas alternativas permitem que os consumidores participem plenamente nas ocasiões sociais, sem se sentirem excluídos”, sublinha a responsável.

A especialista acrescenta ainda que as bebidas funcionais estão a ser utilizadas sobretudo pelos seus benefícios específicos e não como instrumentos de moderação.

O estudo baseia-se num inquérito online realizado em agosto de 2025, junto de 7.973 consumidores em países como Austrália, Brasil, Canadá, França, Alemanha, Japão, África do Sul, Espanha, Estados Unidos e Reino Unido. Do total de inquiridos, 4.181 eram compradores regulares de bebidas sem ou com baixo teor alcoólico, garantindo uma amostra representativa do comportamento do consumidor.

Um novo paradigma no mercado das bebidas

A IWSR conclui que o mercado terá de se adaptar a estas novas tendências, apostando em inovação, diversificação e comunicação orientada para o bem-estar. Apesar de ambas as categorias apresentarem elevado potencial de crescimento, o estudo indica que deverão evoluir como segmentos distintos, e não como concorrentes diretos, abrindo oportunidades para fabricantes, marcas e retalhistas.

Fonte: Grande Consumo