Portugal prepara-se para um crescimento económico estável em 2026 e 2027, mas um novo estudo da OCDE alerta para reformas estruturais que podem fortalecer a prosperidade a longo prazo, com impacto direto no sector agrícola e nas zonas rurais.
De acordo com o relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), o Produto Interno Bruto (PIB) português deverá crescer acima da média da zona euro, impulsionado pela forte procura interna e pelo equilíbrio das contas públicas. Esta situação cria espaço para investimento, essencial para apoiar a agricultura, que é uma fonte significativa de emprego nas áreas rurais e desempenha um papel relevante nas exportações.
O estudo recomenda, entre outras medidas, o desenvolvimento de competências e a melhoria do emprego, especialmente face à redução da população ativa. No sector agrícola, muitas regiões enfrentam dificuldades em atrair jovens qualificados. Investir em formação profissional, reconversão e orientação de carreira poderá acelerar a adoção de tecnologias modernas, como a agricultura de precisão e práticas sustentáveis de gestão do solo, criando oportunidades de inovação.
A OCDE sublinha ainda a importância da política habitacional, apontando que a falta de habitação acessível limita a mobilidade da mão-de-obra, especialmente trabalhadores sazonais e jovens. Reformas nesta área podem reforçar o mercado laboral rural e apoiar o crescimento agrícola.
No domínio da sustentabilidade, o relatório aconselha Portugal a intensificar a redução de emissões de gases com efeito de estufa e a adaptar-se às alterações climáticas. Para a agricultura, isto representa desafios, como a implementação de práticas de baixa emissão, mas também oportunidades, por exemplo em iniciativas de captura de carbono, tornando a produção agrícola mais competitiva. Investimento público em transporte e energia renovável pode ainda melhorar a logística e o acesso a soluções energéticas sustentáveis para o setor.
O relatório da OCDE destaca quatro eixos principais para apoiar a agricultura:
Para o LAN (Netherlands Agricultural Network) em Portugal, o foco na agricultura climaticamente inteligente reforça estes objetivos, promovendo a partilha de conhecimentos, cadeias alimentares sustentáveis e a resiliência do setor agrícola, com benefícios económicos e ambientais a longo prazo.
Mais informação aqui.
Fonte: CiB
Apesar de desempenharem um papel essencial na saúde pública, na sustentabilidade dos sistemas alimentares e na segurança alimentar, Portugal produz apenas 15% das leguminosas que consome, de acordo com o INE, dependendo em 85% de importações.
Para assinalar o Dia Mundial das Leguminosas, a 10 de fevereiro, e reforçar a sua importância, a ProVeg Portugal emitiu um comunicado a chamar a atenção para o seu papel na saúde e segurança alimentar e incentivar a produção nacional.
A organização sublinha que promover as leguminosas é uma estratégia-chave para melhorar a saúde pública, reduzir o impacto ambiental do sistema alimentar e reforçar a soberania e segurança alimentar do país, apelando a políticas públicas e escolhas alimentares que valorizem este grupo alimentar essencial.
“As leguminosas são um alimento bastante nutritivo, que alia a sua riqueza proteica ao excelente teor em fibra. São também fontes importantes de vitaminas e minerais, como vitaminas do complexo B, cálcio, ferro, fósforo, magnésio e potássio”, explica Adriana Sousa, nutricionista da ProVeg Portugal. “O seu consumo regular contribui para a manutenção da saúde e para a prevenção de várias doenças crónicas, como a diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro.”
A Roda da Alimentação Mediterrânica recomenda o consumo diário de uma a duas porções de leguminosas (cerca de 80g cozinhadas por porção). Apesar da diversidade de leguminosas produzidas em Portugal, o feijão e o grão-de-bico continuam a dominar a alimentação nacional. Preservar este legado gastronómico, aliando tradição, benefícios nutricionais e impacto ambiental positivo, é fundamental. Além disso, as leguminosas são uma fonte proteica acessível e económica para as famílias portuguesas.
Depois, há também o seu papel nos ecossistemas agrícolas. “Num cenário em que mais de 30% dos solos a nível mundial sofrem degradação, erosão, perda de nutrientes e poluição2, e em que a população global deverá atingir 9,7 mil milhões de pessoas até 20503, a adoção de sistemas alimentares mais resilientes é urgente”, afirma Joana Oliveira, Diretora da ProVeg Portugal.
As culturas leguminosas contribuem para a melhoria da fertilidade do solo através da fixação de azoto atmosférico, reduzindo a necessidade de fertilizantes sintéticos, diminuindo as emissões de gases com efeito de estufa e aumentando a retenção de água e a matéria orgânica do solo, o que se traduz numa poupança económica para os agricultores, com menos custos em fertilizantes e maior rendimento agrícola.
Em 2025, foi criado o Grupo Colaborativo da Estratégia Nacional pela Proteína Vegetal, que reúne atualmente mais de 64 entidades. O grupo, que surgiu de uma iniciativa da ProVeg Portugal, une pela primeira vez a nível nacional, vários intervenientes da cadeia de valor das leguminosas, principalmente produtores e empresas, mas também outras ONG e a academia. Do trabalho conjunto deste grupo surgiu uma proposta dirigida ao Governo para a criação de uma estratégia nacional que promova a produção e o consumo de proteína vegetal, com especial enfoque nas leguminosas, alinhada com o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030).
A proposta inclui nove medidas estruturais, definidas através de um processo de co-criação e consenso, como a redução do IVA das leguminosas (discutido e rejeitado em Assembleia) e o reforço do apoio técnico aos agricultores. Todas as organizações com atividade em Portugal podem consultar a proposta e juntar-se à iniciativa através do formulário de adesão disponível online.
Fonte: TecnoAlimentar
A Direção‑Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) disponibiliza, a partir de 9 de fevereiro de 2026, novas funcionalidades no Portal de Dispensa, destinadas aos distribuidores por grosso de alimentos medicamentosos. Estas melhorias integram a evolução contínua da Prescrição Eletrónica Médico‑Veterinária (PEMV) e reforçam o compromisso da DGAV com a modernização administrativa e a digitalização dos serviços públicos, no âmbito do projeto PRR HubRAM.
As novas funcionalidades permitem:
Estas alterações visam simplificar os procedimentos dos operadores, reforçar a qualidade da informação registada e garantir o cumprimento das obrigações dos Regulamentos (UE) 2019/4 e 2019/6, que estabelecem os requisitos europeus aplicáveis ao fabrico, comercialização, utilização e dispensa de alimentos medicamentosos.
O Manual do Utilizador atualizado (versão de janeiro 2026) encontra‑se disponível para consulta no Portal da DGAV em DGAV_Portal-de-Dispensa_Novas-Funcionalidades-AM-outros-EM, incluindo instruções detalhadas para:
A DGAV continuará a disponibilizar apoio técnico através do HelpDesk, designadamente para situações em que se verifique a ausência de equivalência de pré‑misturas medicamentosas.
Fonte: DGAV
O início de 2026 encontra o tecido industrial europeu num momento de estabilização frágil, após vários anos de choques sucessivos – pandemia, inflação elevada, conflitos geopolíticos e disrupções logísticas. Embora os indicadores macroeconómicos apontem para alguma normalização, subsistem condicionantes estruturais que limitam o crescimento e impõem maior rigor nas decisões de investimento. Neste contexto, temas como sustentabilidade, digitalização, reorganização das cadeias de abastecimento e governação tecnológica deixam de ser abordagens prospetivas e passam a integrar o núcleo da estratégia empresarial.
Indústria de plásticos
Para a indústria de plásticos, 2026 deverá ser um ano de consolidação de tendências já em curso. A pressão para reduzir a pegada ambiental, aumentar a circularidade e responder a exigências regulatórias mais rigorosas mantém-se elevada. Neste contexto, a inovação em materiais, o ecodesign e a integração de dados ao longo do ciclo de vida do produto tornam-se fatores críticos de competitividade, sobretudo num ambiente marcado por custos energéticos e matérias-primas voláteis.
A indústria alimentar apresenta perspetivas relativamente favoráveis em 2026. Dados do INE indicam um crescimento nominal de 8,1% nas exportações de produtos alimentares e bebidas, refletindo a procura externa e a valorização de produtos transformados. Em paralelo, o setor enfrenta desafios significativos em termos de custos, segurança alimentar e rastreabilidade, tornando a digitalização da cadeia de abastecimento e a automação determinantes para responder a exigências regulatórias e às expectativas dos consumidores.
Indústria de produção agrícola
A agricultura enfrenta desafios específicos associados à pressão climática e à necessidade de produzir mais com menos recursos. A inovação, a eficiência no uso da água e da energia e a digitalização dos processos produtivos tornam-se centrais, num contexto em que são exigidos elevados padrões de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade, alinhados com as tendências discutidas no âmbito do BCSD Portugal.
Mais do que um ano de rutura, 2026 afirma-se como um ano de decisões exigentes.
Como foi salientado no encontro do BCSD Portugal, sustentabilidade, tecnologia e inovação não são apenas temas para comunicar, mas prioridades que requerem execução coordenada entre empresas, governos e sociedade.
Num ambiente marcado por crescimento moderado, disrupção tecnológica e pressão regulatória, a vantagem competitiva dependerá da capacidade de interpretar sinais, integrar diferentes dimensões da estratégia e transformar incerteza em ação informada. Para a indústria, construir resiliência, flexibilidade e visão de longo prazo deixa de ser opcional e passa a ser condição de sobrevivência.
Fonte: iAlimentar
Um estudo recente sugere que o movimento das aves aquáticas pode desempenhar um papel crucial na propagação do vírus da gripe aviária.
A conclusão é de um artigo científico, de que é coautor David Rodrigues, professor da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), que revelou como as interações entre o ambiente, o comportamento migratório das aves e a dinâmica das doenças infeciosas contribuem para a disseminação desse vírus, destacando as aves aquáticas como hospedeiras-chave.
Segundo a comunicação da ESAC, partindo da premissa de que os movimentos dos animais influenciam a propagação de doenças infeciosas e são parcialmente moldados pelas condições ambientais, uma equipa de investigadores analisou dados de telemetria de 4.606 indivíduos de 26 espécies de aves aquáticas, combinando-os com informações sobre cobertura do solo, clima e vegetação.
Os dados revelaram que as aves aquáticas se deslocavam menos em áreas com maior heterogeneidade na cobertura do solo e maior densidade populacional humana.
Além disso, as distâncias de movimento previstas para as aves aquáticas apresentaram uma correlação fraca, mas positiva, com as distâncias entre as deteções do vírus H5N1 altamente patogénico em aves aquáticas selvagens, sugerindo que as condições ambientais podem, de facto, contribuir para a propagação desta doença, influenciando os seus padrões de movimento.
Segundo a comunicação da ESAC, este estudo, ao integrar os movimentos da vida selvagem com outros fatores que influenciam a dinâmica das doenças infeciosas, como a produção pecuária e a mobilidade humana, serve como uma ferramenta valiosa para a previsão de surtos e para a definição de estratégias de intervenção na prevenção de contágios.
Fonte: Vida Rural
O crescimento do mercado global de suplementos alimentares é acompanhado por preocupações sérias quanto à sua segurança, autenticidade e eficácia. A legislação vigente — tanto a norte-americana, baseada na Dietary Supplement Health and Education Act (DSHEA) de 1994, como a europeia, baseada na Diretiva 2002/46/EC — apresentam lacunas que permitem a comercialização de produtos adulterados, mal rotulados e potencialmente nocivos. Este artigo analisa as deficiências regulamentares, os problemas de controlo da qualidade e os riscos associados à adulteração de suplementos alimentares, defendendo a necessidade de uma revisão abrangente dos requisitos legais atuais.
O medicamento tal como é entendido atualmente na nossa sociedade, é um bem extremamente regulado, ocupando um lugar duplo: ao mesmo tempo mercadoria sujeita ao mercado único (no âmbito da UE) e produto de saúde pública, cuja utilização deve obedecer a padrões rigorosos de qualidade, eficácia e segurança. Conforme apontado por Sousa et al. (2014), esse carácter híbrido exige uma regulação que conjugue objetivos de mercado, de saúde pública e de organização dos sistemas de saúde. No entanto, até se chegar a este entendimento, em que investigação e desenvolvimento de medicamentos, bem como a sua autorização, fabrico, distribuição, prescrição, dispensa e vigilância pós-autorização são alvo de inúmeras disposições de carácter legal, e ainda de normas várias, de carácter regulamentar e/ou técnico-científico, foi percorrido um longo caminho.
Na verdade, os casos fatais de intoxicações com medicamentos foram determinantes para a exigência legal e regulamentar de implementação de sistemas de alerta e de vigilância de medicamentos, e Portugal não foi excepção. Em meados dos anos cinquenta, mais concretamente em 1955, no Fundão, a administração de um medicamento antibiótico (Lipocina) causou 5 casos de intoxicação grave em crianças, 2 dos quais resultaram em morte. Por via da imprensa, o chamado “Caso da Lipocina” teve o condão de alertar as autoridades, e a opinião pública, para a necessidade de maior controlo sobre a produção, comercialização, e utilização dos medicamentos, tendo sido publicado em 1957 a lei do medicamento, através do Decreto n.º 41448, de 18 de dezembro. Estes relatos surgiram seis anos antes da publicação dos artigos de Lenz e McBride sobre um aumento de 20% na incidência de casos de focomelia em crianças de mães a quem tinha sido prescrita talidomida, um hipnótico utilizado nas grávidas como anti-emético.
Outros casos foram sucessivamente publicados nesse ano e nos seguintes em revistas médicas de referência, o que levou à publicação pela então Comunidade Económica e Europeia, da Diretiva 65/65/CEE do Conselho, de 26 de janeiro de 1965, relativa à aproximação das disposições legislativas, regulamentares e administrativas, respeitantes às especialidades farmacêuticas (FARIA VAZ, 2008). Esta Diretiva estabeleceu os critérios a observar na autorização de introdução no mercado de medicamentos, tendo sempre presentes a segurança, eficácia e qualidade, tríade em que vai assentar toda a evolução do circuito europeu do medicamento
O uso de suplementos alimentares tornou-se uma prática difundida mundialmente, impulsionada pela busca de saúde e melhoria do desempenho físico. Estima-se que mais de 75% dos norte-americanos (COUNCIL FOR RESPONSIBLE NUTRITION, 2022) e quase 90% dos europeus (IPSOS, 2022) façam uso regular desses produtos. Entretanto, a percepção de que produtos naturais são inofensivos tem se mostrado equivocada diante das evidências de adulteração e efeitos adversos, devendo provocar uma reacção das autoridades competentes, no sentido de garantir uma efetiva salvaguarda da saúde pública.
A Dietary Supplement Health and Education Act (DSHEA), promulgada nos Estados Unidos em 1994, classificou arbitrariamente medicamentos à base de plantas como suplementos alimentares, tendo obscurecido as diferenças fundamentais entre duas classes de produtos. Os suplementos autênticos para a dieta, como os multivitamínicos ou o cálcio, têm valor nutricional e são seguros. As plantas medicinais são utilizadas mundialmente como medicamentos, não suplementam a dieta, podem causar eventos adversos graves e deveriam ser regulamentadas como medicamentos. A DSHEA também impediu a Food and Drug Administration (FDA) de regular eficazmente os suplementos à base de plantas como medicamentos. Uma consequência da fraca supervisão regulamentar da FDA é a baixa qualidade dos suplementos com plantas medicinais (MARCUS, 2015).
Leia o artigo completo na TecnoAlimentar 45, outubro/ dezembro 2025, dedicada ao tema "Suplementos alimentares: Benefícios e autenticidade".
Fonte: TecnoAlimentar
A DANONE está a realizar uma retirada preventiva de lotes específicos de fórmulas infantis APTAMIL. A situação está a ser acompanhada pela ASAE, como Autoridade nacional de avaliação e comunicação de risco na área de segurança alimentar.
Enquadramento e Acompanhamento:
A ASAE, nos termos das suas competências enquanto autoridade nacional de seguranca alimentar, está a acompanhar de perto esta retirada preventiva, assegurando que o processo de recolha do mercado é eficaz, rastreável e que garante a proteção da saúde pública.
Esta comunicação é efetuada em conformidade com os princípios de comunicação do risco estabelecidos pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), privilegiando a transparência, a clareza e a proteção dos grupos vulneráveis, neste caso, os lactentes.
Contactos para Esclarecimentos
· Operadores Económicos: ASAE – This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
· Consumidores (Danone Portugal): 800 204 022 | This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
Ponto de Situação: Esta comunicação reflete a situação conhecida em 06/02/2026. Quaisquer atualizações serão divulgadas através dos canais oficiais da ASAE e da DANONE.
O QUE DEVE FAZER?
1. VERIFIQUE o número de lote na base da lata.
2. CONSULTE a lista completa aqui: [https://lnkd.in/emvaYTdu]
3. Se o seu lote ESTÁ NA LISTA: Pare de usar e contacte a DANONE (800 204 022).
4. Se o seu lote NÃO ESTÁ NA LISTA: O produto é seguro.
Esta é uma medida de precaução coordenada com as autoridades.
Fonte: ASAE
A produção de abacate em Portugal tem registado um crescimento muito expressivo ao longo da última década, afirmando-se como uma das culturas agrícolas mais dinâmicas e rentáveis do país. Em 2013, estimavam-se cerca de 300 hectares de abacateiro instalados; de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2023 a área ultrapassava já os 4.500 hectares, o que corresponde a um aumento superior a 1.400% em apenas dez anos.
Este crescimento resulta de uma conjugação de fatores particularmente favoráveis. Por um lado, a elevada rentabilidade económica da cultura, quando corretamente implantada e tecnicamente acompanhada, permite alcançar margens brutas iguais ou superiores a 40%, posicionando o abacate entre as culturas agrícolas mais atrativas em Portugal. A este aspeto junta-se a boa adaptação do abacateiro às condições edafoclimáticas de vastas regiões do território nacional, bem como a capacidade de investimento de operadores agrícolas nacionais e estrangeiros. Por outro lado, a procura crescente nos mercados nacional e internacional, associada à existência de canais de comercialização bem estruturados, tem permitido valorizar a produção nacional e garantir escoamento regular. Neste contexto, o abacate tende a ganhar crescente relevância na balança agrícola portuguesa, integrando cadeias de exportação organizadas e competitivas.
Características agronómicas da cultura
O abacateiro é uma árvore de folha persistente, vigorosa e de porte médio a elevado, podendo ultrapassar os 10 metros de altura quando não é sujeita a podas regulares. A gestão da copa assume, por isso, um papel determinante, não apenas no controlo do desenvolvimento vegetativo, mas também na melhoria da iluminação e do arejamento das árvores, na obtenção de produções regulares e de elevada qualidade e na eficiência das operações de colheita.
O sistema radicular é profundo, atingindo normalmente entre 1 e 1,5 metros, desde que não existam camadas impermeáveis no solo. Esta característica impõe uma escolha criteriosa do terreno, privilegiando-se solos profundos, bem drenados, de textura franca e ricos em matéria orgânica. O pH ideal situa-se entre 6,2 e 6,5, sendo o abacateiro pouco tolerante a solos compactados ou sujeitos a encharcamento, condições que podem conduzir à asfixia radicular e a perdas produtivas irreversíveis.
Do ponto de vista climático, trata-se de uma cultura sensível ao frio. Geadas intensas podem provocar danos severos e, em muitos casos, irreversíveis, sobretudo quando a temperatura do ar desce para valores próximos ou inferiores a –3 ºC. Assim, o abacateiro exige invernos suaves, boa exposição solar — preferencialmente a sul — e locais protegidos de ventos fortes. Em zonas onde o risco de geada não pode ser totalmente excluído, recomenda-se a instalação de sistemas anti-geada, geralmente baseados em microaspersão sobre a copa, ativados quando a temperatura do ar se aproxima de 1 ºC.
As temperaturas médias ideais para o desenvolvimento da cultura situam-se entre os 20 ºC e os 25 ºC. Períodos prolongados de calor excessivo, sobretudo durante a floração e o vingamento, podem provocar stress hídrico, queda de flores e frutos e redução da produção, reforçando a importância de uma gestão rigorosa da rega e da nutrição ao longo do ciclo cultural.
Água: mito e realidade
Uma das críticas mais frequentes associadas à cultura do abacate prende-se com o alegado consumo excessivo de água. Contudo, os dados disponíveis para Portugal revelam uma realidade mais equilibrada e tecnicamente enquadrada. As necessidades hídricas anuais situam-se, em média, entre 4.900 e 7.300 m³ por hectare, valores apenas ligeiramente superiores aos de culturas permanentes amplamente difundidas, como os citrinos.
Importa ainda salientar que uma parte significativa das explorações utiliza sistemas de rega gota-a-gota, sensores de humidade do solo, fertirrigação e técnicas de cobertura do solo, como mulching orgânico ou plástico. Estas soluções permitem aumentar substancialmente a eficiência do uso da água, podendo reduzir as necessidades reais em 40 a 50%. Tal como noutras culturas permanentes, agrícolas ou florestais, o principal risco ambiental não reside na cultura do abacate em si, mas antes de tudo do desordenamento cultural assente na monocultura.
Potencial no Litoral, Centro e Oeste
As regiões litorais e sublitorais de Portugal, incluindo o Norte, Centro e o Oeste, apresentam condições particularmente favoráveis para a expansão sustentável do abacateiro. A combinação de solos profundos, boa disponibilidade hídrica, temperaturas moderadas e menor exposição a extremos climáticos cria um enquadramento muito interessante para a instalação de pomares modernos e tecnicamente bem acompanhados.
A experiência recente demonstra que, com um planeamento rigoroso da implantação — incluindo análise de solo e da água de rega, preparação cuidada do terreno, escolha criteriosa de variedades e de porta-enxertos clonais e adoção de boas práticas agronómicas — é possível alcançar produtividades elevadas, estáveis e economicamente sustentáveis. A utilização de plantas enxertadas, sistemas de condução eficientes, poda regular e uma gestão precisa da nutrição e da rega são fatores-chave para o sucesso económico da cultura.
Uma cultura com futuro
O abacate afirma-se hoje como uma cultura com elevado potencial de crescimento em Portugal, capaz de gerar rendimento para os agricultores, criar valor no território e responder à procura crescente por produtos de origem vegetal associados a uma alimentação equilibrada. A sua boa adaptação ao minifúndio, a relativa simplicidade das operações culturais ao nível da mão de obra e a possibilidade de integração em modelos de agricultura familiar ou em regime de tempo parcial reforçam a sua atratividade.
O sucesso efetivo da cultura — isto é, a transformação do seu potencial em rendimento real para o produtor — dependerá da capacidade dos agricultores em adaptar as práticas às especificidades locais de solo e clima, bem como da qualidade e continuidade da assistência técnica. Nas regiões do litoral continental de Portugal, onde exista disponibilidade de água e solos bem drenados, o abacateiro tem todas as condições para se afirmar como uma das culturas mais promissoras da agricultura portuguesa nas próximas décadas.
Fonte: Agroportal
O Dia Mundial das Leguminosas, assinalado a 10 de fevereiro, chega este ano com um peso simbólico que ultrapassa largamente o calendário das efemérides alimentares. Num momento em que a crise climática, a pressão sobre os sistemas agrícolas e a escalada dos preços alimentares se cruzam de forma cada vez mais evidente, as leguminosas emergem como um daqueles raros casos em que a solução é simultaneamente simples, acessível e cientificamente sólida. Ainda assim, continuam subvalorizadas, quase sempre relegadas para o papel de “acompanhamento humilde”, quando na verdade representam uma das ferramentas mais poderosas para transformar a forma como produzimos e consumimos alimentos.
A Organização das Nações Unidas instituiu esta data para lembrar que feijões, lentilhas, grão‑de‑bico e ervilhas não são apenas ingredientes versáteis: são pilares de um futuro alimentar mais resiliente. A sua capacidade de fixar azoto no solo reduz a dependência de fertilizantes químicos, cuja produção é altamente poluente e economicamente volátil. Em termos nutricionais, oferecem proteínas de qualidade, fibras e micronutrientes essenciais, rivalizando com fontes proteicas muito mais caras e ambientalmente exigentes. E, no entanto, persistem preconceitos culturais que as associam a pobreza, monotonia ou “comida de antigamente”.
O que este dia mundial expõe, de forma quase desconfortável, é a distância entre aquilo que sabemos e aquilo que fazemos. Sabemos que dietas ricas em leguminosas reduzem o risco de doenças crónicas, mas continuamos a privilegiar alimentos ultraprocessados. Sabemos que a agricultura regenerativa depende de culturas como estas, mas insistimos em modelos produtivos que esgotam o solo. Sabemos que a transição alimentar exige escolhas mais sustentáveis, mas a indústria continua a investir mais em alternativas artificiais do que em soluções tradicionais, eficazes e comprovadas.
Ao redor do mundo, multiplicam‑se iniciativas para reabilitar a imagem das leguminosas: workshops culinários, campanhas educativas, programas escolares e até projetos gastronómicos que as colocam no centro do prato com criatividade e ambição. Mas a verdade é que a mudança estrutural depende menos de celebrações pontuais e mais de políticas públicas consistentes — desde incentivos à produção local até estratégias de educação alimentar que devolvam às leguminosas o protagonismo que merecem.
Este Dia Mundial das Leguminosas não é apenas uma celebração; é um lembrete de que a sustentabilidade não precisa de ser futurista, cara ou tecnologicamente complexa. Às vezes, está simplesmente guardada numa despensa, à espera de ser revalorizada. Talvez o maior desafio seja mesmo este: reconhecer que a transformação dos sistemas alimentares pode começar com algo tão modesto quanto um punhado de feijões.
Fonte: Qualfood
Investigadores da Universidade do Missouri desenvolveram algas geneticamente modificadas capazes de capturar microplásticos em águas residuais, transformando-os numa biomassa facilmente removível, uma abordagem inovadora que poderá reforçar o tratamento de águas e reduzir a poluição.
Uma equipa liderada por Susie Dai, professora do Departamento de Engenharia Química e Biomédica da Universidade do Missouri, criou algas geneticamente modificadas capazes de remover microplásticos de águas residuais, oferecendo uma nova estratégia para combater este tipo de poluição ambiental.
O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, descreve como estas algas foram projetadas para produzir limoneno, um óleo natural volátil que torna a sua superfície repelente à água. Como os microplásticos também apresentam propriedades hidrofóbicas, aderem facilmente às algas quando entram em contacto. Esse processo faz com que se agreguem, formando massas sólidas que afundam e podem ser recolhidas de forma simples.
Além de capturar microplásticos, as algas modificadas conseguem crescer diretamente em águas residuais, absorvendo nutrientes em excesso e contribuindo simultaneamente para a melhoria da qualidade da água.
Segundo Susie Dai, esta abordagem permite enfrentar vários desafios ambientais ao mesmo tempo. “Ao remover microplásticos, limpar águas residuais e, potencialmente, reutilizar os resíduos recolhidos para criar bioplásticos, conseguimos responder a três problemas com uma única solução”, explicou a investigadora.
Apesar de a tecnologia ainda se encontrar numa fase inicial de desenvolvimento, a equipa espera que, no futuro, o processo possa ser integrado em estações de tratamento de águas residuais existentes. A investigação representa um passo promissor na aplicação da engenharia genética para soluções ambientais sustentáveis.
Fonte: CiB
Subscreva a Base de dados Qualfood Negócios!