Portuguese English French German Italian Spanish

  Acesso à base de dados   |   em@il: qualfood@idq.pt

Uma análise de uma década de dados de vigilância da resistência antimicrobiana (RAM) em patógenios transmitidos por alimentos identificou padrões que moldam a multirresistência (MDR) em sistemas de produção animal. O estudo foi publicado na revista MDPI  e conduzido por investigadores da Universidade Villanova.

Os investigadores examinaram 9.393 isolados de Salmonella entericaCampylobacter jejuni e Escherichia coli recolhidos de aves, bovinos e suínos entre 2015 e 2025, utilizando dados do Navegador de Isolados de Patógenios do Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia (NCBI) dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA.

O conjunto de dados foi analisado para caracterizar os padrões de resistência antimicrobiana (RAM) em isolados que apresentavam resistência entre um a seis antimicrobianos, constatando-se que tetraciclina, estreptomicina, sulfisoxazol, ampicilina, ácido nalidíxico e ciprofloxacina formaram consistentemente os eixos dominantes de co-resistência entre os patógenios. Isso reflete as pressões seletivas de longa data nos sistemas de produção animal para consumo humano.

A tetraciclina surgiu como o fator mais influente, aparecendo em quase todos os isolados MDR.

C. jejuni apresentou, em grande parte, resistência a um único fármaco. S. enterica foi responsável por quase todos os casos de resistência complexa a múltiplos fármacos, especialmente em isolados resistentes entre cinco a seis antimicrobianos, devido à acumulação de diversos determinantes de resistência.

A Suíça desenvolveu uma estratégia para melhorar a produção de hortofrutícolas, com o objetivo de enfrentar novas dificuldades que surgem no setor agrícola.

A retirada de autorizações de ingredientes ativos de pesticidas, a falta de métodos alternativos de controlo e o aparecimento de novos organismos prejudiciais são alguns dos desafios que motivaram a criação da Estratégia para a Proteção Sustentável das Culturas.

A estratégia visa aumentar a sustentabilidade no setor primário suíço, com um foco particular na redução dos riscos associados ao uso de pesticidas. O governo anunciou que a estratégia será totalmente implementada até 2030, após a aprovação de um relatório intermédio a 8 de maio de 2024, tendo ainda afirmado que a situação da proteção das culturas se deteriorou nos últimos anos e que é urgente fechar as lacunas existentes e prevenir as que se avizinham.

A estratégia aborda os desafios enfrentados, especialmente em relação a certos produtos vegetais, e procura melhorar os meios oferecidos pela proteção integrada das culturas, que combina métodos preventivos, biológicos e físicos para controlar pragas e doenças, utilizando químicos sintéticos apenas de forma direcionada. Além disso, a estratégia reconhece o surgimento de pragas, doenças e ervas daninhas difíceis de controlar.

Segurança alimentar e autonomia alimentar

Esses problemas também representam um risco para a segurança alimentar e para a diminuição das taxas de autossuficiência alimentar do país. A necessidade de responder a esses desafios levou o Escritório Federal de Agricultura, em colaboração com as partes interessadas, principalmente os agricultores, a elaborar um conjunto de medidas que compõem a estratégia de dez pontos apresentada.

O objetivo principal é criar uma plataforma nacional para monitorizar as opções de proteção disponíveis. A estratégia inclui o desenvolvimento de uma rede de competências para coordenar e desenvolver soluções, bem como a criação de uma rede de demonstração para promover novas medidas na prática.

Além disso, o plano prevê a promoção de variedades robustas, o desenvolvimento do controlo biológico clássico, a otimização das técnicas de aplicação para reduzir os riscos associados ao uso de pesticidas e a simplificação dos processos de aprovação de produtos de proteção das plantas.

Medidas em desenvolvimento

Algumas das medidas já estão em desenvolvimento ou foram implementadas, como as relacionadas com a aprovação de pesticidas, enquanto outras precisam ser desenvolvidas do zero. Segundo o governo suíço, todas as ações contribuem para os objetivos da política agrícola atual e futura, e servirão como diretrizes para fortalecer a produção vegetal, garantir alimentos saudáveis e preservar os recursos naturais.

Fonte: Agroportal

A reformulação da composição de produtos alimentares é um dos desafios mais prementes para a indústria agroalimentar, motivada por uma procura de melhoria continua da oferta ao consumidor.

Estes processos podem envolver a redução, substituição, aumento ou adição de ingredientes, procurando dar resposta a objetivos como a otimização da funcionalidade do produto, a valorização do perfil nutricional (por exemplo, através da seleção de ingredientes, da fortificação com micronutrientes, do aumento do teor de fibra, proteína ou cereais integrais, ou da redução do teor de sal), o aperfeiçoamento das características sensoriais ou, ainda, a resolução de questões relacionadas com a cadeia de abastecimento.

Trata-se, contudo, de um processo frequentemente complexo, que nem sempre é possível ou desejável, principalmente por questões de segurança dos alimentos. Em alguns casos, a reformulação pode ser condicionada pela própria natureza dos alimentos, como acontece com o teor de lactose nos produtos lácteos ou o teor de açúcares naturalmente presentes na fruta. Assim, o desenvolvimento de novos produtos ou a reformulação de produtos existentes pode constituir um desafio técnico significativo.

Embora ciente destas dificuldades, a indústria agroalimentar portuguesa assumiu, em maio de 2019, o desafio de reformular várias categorias de géneros alimentícios. Nesse contexto, foi assinado um compromisso nacional para a reformulação do teor de sal, açúcar e ácidos gordos trans em diferentes categorias de produtos alimentares. Este compromisso envolveu a Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), a Direção-Geral da Saúde (DGS), o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e a NielsenIQ, integrando protocolos de reformulação, monitorização e nove compromissos setoriais.

A definição das categorias prioritárias teve por base as recomendações de reformulação propostas pelo High Level Group on Nutrition and Physical Activity da Comissão Europeia, as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e os dados de consumo alimentar da população portuguesa, nomeadamente os resultados do Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (2015–2016).

Após diálogo com associações representativas da indústria e da distribuição, foi alcançado consenso para incluir no processo de reformulação cerca de 56% das categorias de alimentos abrangidas pela redução do teor de sal (como batatas fritas, cereais de pequeno-almoço, sopa pré-embalada pronta a consumir) e cerca de 33% das categorias definidas no âmbito da redução do teor de açúcar (cereais de pequeno-almoço, iogurtes, refrigerantes, entre outros). Em cada categoria, pretendeu-se promover a reformulação e monitorizar os produtos que representassem, pelo menos, 80% do universo do mercado acompanhado pela NielsenIQ.

Tendo presente que a reformulação deve ser um processo gradual, foram definidas metas a atingir até 2022, consensualizadas com a indústria alimentar e a distribuição, bem como avaliações intermédias anuais. As metas estabelecidas foram consideradas tecnicamente exequíveis, alinhadas com as melhores práticas internacionais em saúde pública, tendo em conta a aceitabilidade por parte do consumidor e baseando-se na média ponderada dos produtos mais consumidos em cada categoria.

Os objetivos de redução definidos tiveram por base as recomendações da OMS, incluindo a aproximação do consumo de sal per capita a 5 g/dia, a limitação do consumo diário de açúcares livres a cerca de 50 g/dia para a população em geral e a um máximo de 25 g/dia para as crianças, bem como a redução do consumo de ácidos gordos trans para valores próximos de zero.

Após um intenso e dedicado trabalho de reformulação por parte de todos os intervenientes, os resultados obtidos entre 2018 (baseline) e 2023 demonstraram o impacto positivo desta iniciativa. Registou-se uma redução média de 14,8% no teor de sal e de 20,8% no teor de açúcar nas categorias de alimentos selecionadas. Considerando que a maioria das metas tinha como referência o final de 2022, verificou-se que quase a totalidade dos objetivos foi atingida, tendo várias categorias superado as metas estabelecidas, com destaque para os cereais de pequeno-almoço, as bebidas refrigerantes e os iogurtes.

A FIPA teve um papel determinante na dinamização destes compromissos, em estreita colaboração com o Ministério da Saúde. Seis anos após o início deste processo, os resultados evidenciam que compromissos voluntários, assentes numa abordagem pragmática e colaborativa, podem gerar impactos significativos e sustentáveis na promoção da saúde pública.

Fonte: iAlimentar

Em apenas uma semana, o preço do cabaz alimentar aumentou cerca de 8 euros, se falarmos em bens essenciais, o Cabaz essencial de 63 produtos custa, atualmente, 249,09 euros, representando o preço mais elevado dos últimos quatro anos.

Para além do aumento de preços, sabia que todos os anos cerca de um terço de todos os alimentos produzidos no mundo são perdidos ou desperdiçados? De acordo com a União Europeia, este número traduz-se em 32 milhões de euros perdidos por ano em desperdício alimentar.

No entanto, existem dicas extremamente importantes para ajudar a poupar e manter uma alimentação mais sustentável:

  1. Faça uma lista de compras com base numa ementa semanal e procure cingir-se ao que realmente precisa;
  2. Resista a embalagens familiares com grandes promoções, se não tiver a certeza de que vai conseguir consumir tudo no prazo;
  3. Arrume o frigorífico e a despensa por data de validade, evitando que se estraguem alimentos;
  4. Aproveite as sobras com imaginação em vez de deitar fora;
  5. Opte pelo comércio do bairro, em vez de encher o carrinho uma vez por mês no hipermercado, onde o risco de sucumbir a tentações e comprar produtos supérfluos aumenta;
  6. Reduza o consumo de carne, principalmente de vaca, e privilegie a de aves, assim como os alimentos de origem vegetal, como fruta, legumes, leguminosas e cereais;
  7. Evite alimentos processados, como salsichas, pois requerem um consumo desnecessário de recursos para a sua produção, como água e energia, e são uma fonte de poluição adicional;
  8. Prefira produtos locais e da época em vez de alimentos oriundos do outro lado do planeta, muitas vezes sobre embalados. Mais saboroso, mais económicos e mais sustentáveis, poupa no transporte e estará a favorecer os pequenos produtores locais;
  9. Compre a granel, de preferência, pois permite comprar apenas as unidades necessárias:
  10. Opte por alimentos produzidos de modo mais sustentável, sem pesticidas nem adubos químicos, com certificações validadas no rótulo, como a Eurofolha.

Fonte: Greensavers

O Sistema de Alerta Rápido para Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais (RASFF) emitiu uma notificação de segurança alimentar após a deteção de fragmentos de vidro em duas embalagens de filetes de pescada congelados, produzidos em Portugal e destinados ao mercado europeu.

Segundo a informação divulgada pelas autoridades competentes, o problema foi identificado durante um controlo oficial de rotina realizado no país de destino. Os fragmentos, de pequenas dimensões mas potencialmente perigosos, foram encontrados no interior das embalagens, levando à ativação imediata do alerta e à recomendação de retirada do lote afetado da cadeia de distribuição.

As autoridades portuguesas já foram notificadas e encontram‑se a colaborar com os serviços europeus para identificar a origem da contaminação e garantir que o incidente permanece circunscrito ao lote em causa. A empresa responsável pela produção está igualmente a realizar uma avaliação interna dos seus processos de segurança e qualidade.

Até ao momento, não foram reportados casos de consumidores afetados, mas o RASFF classifica o risco como sério devido ao potencial de lesões físicas associadas à ingestão de corpos estranhos.

O alerta reforça a importância dos mecanismos de controlo e da cooperação entre Estados‑Membros para garantir a segurança dos alimentos que circulam no mercado europeu.

Fonte: Qualfood

Em um novo artigo publicado no International Journal of Food Microbiology , pesquisadores do Instituto Norueguês de Pesquisa em Alimentos, Pesca e Aquicultura (Nofima) relataram um processo bem-sucedido de "Buscar e Destruir" realizado por um produtor de salmão defumado envolvido em um surto de listeriose. O artigo descreve como a empresa identificou a fonte da contaminação e controlou a Listeria monocytogenes  em suas instalações, além de destacar as principais lições para o setor.

A Listeria monocytogenes é uma bactéria patogênica responsável pela listeriose, frequentemente associada a alimentos prontos para consumo, como o salmão defumado a frio.
Este estudo investiga as fontes de contaminação e as medidas de mitigação utilizando um processo de "Buscar e Destruir" em um produtor de salmão defumado a frio, ligado a dois surtos de listeriose causados ​​pela L. monocytogenes ST121.
Ao longo de 11 semanas, 329 amostras foram analisadas (140 locais de contacto com alimentos, 41 locais sem contacto com alimentos e 148 amostras de salmão/produto). Estudos na linha de processamento mostraram contaminação após a remoção da pele e/ou salga. A máquina de remoção da pele foi identificada como a principal fonte de contaminação: a cepa causadora do surto persistiu em duas correias transportadoras e em um rolo preenchido com ar. Apesar da limpeza e desinfeção extensivas, do tratamento de toda a sala com peróxido de hidrogénio e da exposição da máquina de remoção da pele a temperaturas de até 80 °C por 66 horas (excluindo correias/rolo sensíveis ao calor), a contaminação reapareceu. A substituição da máquina de descascar, combinada com medidas de higienização reforçadas (incluindo a desmontagem e fervura das agulhas injetoras de salmoura), resultou na ausência de detecção em 34 amostras de salmão e 53 amostras ambientais durante as semanas 8 a 11. Durante os 8 meses de acompanhamento, nenhuma das 220 amostras de produto testadas apresentou resultado positivo. O sequenciamento de genoma completo (WGS) foi realizado em 37 isolados: 21 colectados durante a investigação na fábrica (semanas 1 a 11), nove isolados históricos e sete provenientes de ensaios subsequentes com a máquina de descascar retirada. Todos pertenciam ao ST121, e um dos grupos coincidiu com a cepa do surto. O estudo destaca a importância do design higiénico em equipamentos de processamento de alimentos (especialmente materiais/interfaces de correias e rolos) e o valor do WGS na resolução de contaminação persistente no processamento de peixes prontos para consumo.

 

Fonte: Food Safety Magazine

 

 

A Região Vitivinícola do Tejo está localizada no Centro de Portugal, a uma curta distância de Lisboa, a capital. A região é cortada a meio pelo rio que lhe dá nome. Largo e imponente, o Tejo é um dos maiores rios de Portugal. Este território vitivinícola tem uma área global de cerca de 7.000 km2, dos quais 12.479 hectares são vinhas, e abrange 21 municípios, um no distrito de Lisboa e os restantes de Santarém. O rio Tejo é o elemento central e dita que a amplitude térmica seja elevada, com dias bastante quentes e noites frescas e húmidas, diminuindo desta forma o stress hídrico das plantas (videiras) e assegurando uma correta maturação das uvas. Um famoso crítico inglês resumiu numa só frase o impacto destas características edafoclimáticas nos Vinhos do Tejo: «hot days, cold nights, cool wines».
 
O rio Tejo é o elemento central e imprime uma profunda influência na caracterização da região, providenciando-lhe distintos terroirs. Um estudo de solos da região, terminado em 2025, levou à necessidade de identificação de um novo terroir - o mais antigo em termos de vinhas, mas o mais atual em termos de delimitação e nomenclatura - a somar ao trio já existenteBairro (5.076 hectares; 93 de altitude média; 1984 como ano médio de plantação das vinhas) situa-se entre o Vale do Tejo e os contrafortes dos maciços de Porto de Mós, Candeeiros e Montejunto, com solos argilo-calcários e alguns xistosos. O Campo (3.113 hectares; 9 de altitude média; 2004 como ano médio de plantação das vinhas), situado nas extensas planícies adjacentes ao rio Tejo, sujeitas a inundações periódicas (zonas de aluvião), responsáveis pelo elevado índice de fertilidade dos solos e torna esta uma zona de excelência para a produção de vinhos brancos. A fertilidade natural deste terroir obriga a uma viticultura de maior precisão. E o terroir Charneca (3.915 hectares; 53 de altitude média; 1984 como ano médio de plantação das vinhas), localizado a sul do campo, na margem esquerda do rio Tejo, com solos arenosos e medianamente férteis ou mais pobres e com potencialidades tanto para a produção de vinhos tintos, como brancos. 
 
A Comissão Vitivinícola Regional do Tejo batizou este novo terroir como Serras, precisamente por ser feito de zonas serranas – mas com presença de vinha em encostas e planaltos –, com maior altitude (232 de cota média), o que influencia de forma direta o clima, caraterizado por amplitudes térmicas diárias e temperaturas mais moderadas. Um clima mais fresco e húmido, cuja precipitação anual é acima dos 800mm e pode chegar aos 2000mm – sendo a média da região na ordem dos 750mm –, tem impacto na maturação das uvas, mais lenta, e, por conseguinte, na preservação da acidez nas mesmas. 
 
Os solos são predominantemente pedregosos, com presença de xisto e granito, bem drenados e pobres. Com condições naturais mais exigentes, as videiras tornam-se mais resilientes, com raízes mais profundas, crescimento mais equilibrado e menor fertilidade – produções moderadas ou baixas, tendo em conta a média da região.   
 
Destaque ainda para serem zonas de existência de vinhas mais antigas, sendo 1978 o ano médio de plantação das mesmas, o que aponta para vinhas com quase 50 anos – 40 é o valor mínimo para serem consideraras Vinhas Velhas na região do Douro, a única que tem legislada esta idade e menção. 
 
terroir Serras tem uma área total de apenas 375 hectares, dispersos nos concelhos de Ferreira do Zêzere, Tomar, Vila Nova da Barquinha, Constância, Abrantes, Sardoal e Mação. No que toca a castas, predominam as Vinhas Velhas, cujo conceito está intimamente relacionado com a plantação de uvas com recurso a mistura de castas/field blend (20,1%) – havendo mesmo brancas e tintas no mesmo talhão. Nas brancas, forte predominância de Fernão Pires, com 19,3%, seguido do Arinto, apenas com 2,5%. Nas tintas, é também a casta rainha do Tejo que se destaca, com 13,5% de Castelão, mais perto da percentagem da Touriga Nacional como segunda variedade: 10,1%. A Trincadeira (Preta) ocupa a terceira posição com 3,7%. 
 
Com impacto determinante nos vinhos, o terroir Serras aporta elegância e mineralidade; boa estrutura e acidez natural; e, por conseguinte, boa capacidade de envelhecimento. 
 
Fonte: CVRTejo 

Investigadores chineses identificam mecanismo genético que permite desenvolver variedades de soja mais resistentes a solos salinos. Este é um desafio crescente para a agricultura em muitas regiões do mundo.

Uma equipa de investigadores na China conseguiu identificar um mecanismo genético chave que aumenta a tolerância da soja a elevados níveis de salinidade. O estudo incidiu sobre a soja selvagem (Glycine soja) e foi publicado na revista científica Plant Physiology and Biochemistry.

A investigação centrou-se no fator de transcrição GsWRKY23, que regula a ativação de um gene downstream, GsPER3, desempenhando um papel fundamental na resposta das plantas ao stress salino. O gene GsPER3 está envolvido no controlo das espécies reativas de oxigénio produzidas durante situações de stress ambiental, ajudando a proteger as células vegetais.

Os investigadores da Universidade Agrícola de Nanjing e da Universidade Agrícola de Xinjiang demonstraram que o GsWRKY23 ativa diretamente o gene GsPER3 ao ligar-se a uma região específica do seu promotor. Através de técnicas de edição genética, verificou-se que plantas com sobre-expressão de GsWRKY23 apresentavam níveis mais elevados de expressão de GsPER3 e maior atividade de peroxidase (POD), uma enzima associada à defesa antioxidante. Em contraste, plantas com expressão reduzida de GsPER3 mostraram uma resposta oposta.

Os resultados revelam que a ativação de GsPER3 melhora significativamente a tolerância à salinidade. As plantas modificadas apresentaram maior peso, melhor retenção de água nas folhas e menores níveis de danos celulares, avaliados através da redução da fuga eletrolítica e do teor de malondialdeído em raízes e folhas.

Segundo os autores, estes resultados demonstram o potencial da edição genética para desenvolver variedades de soja mais resilientes, capazes de crescer em solos salinos, um desafio crescente para a agricultura em muitas regiões do mundo.

Fonte: CiB

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou nas últimas semanas, uma operação de fiscalização através da Brigada Especializada de Vinhos e Produtos Vitivinícolas da Unidade Regional do Centro, direcionada à verificação do cumprimento das regras na distribuição e posterior comercialização de produtos vitivinícolas, no distrito de Viseu.
Durante a ação de inspeção, procedeu-se à apreensão de aproximadamente 21.130 litros de vinho engarrafado e prontos para serem introduzidos no consumo, dos quais, 11.450 litros de vinho branco e 9.680 litros de vinho tinto, em claro incumprimento da legislação aplicável.
Foram instaurados dois processos de contraordenação, por incumprimento das regras das menções obrigatórias na rotulagem de vinhos e falta de comunicação prévia dos rótulos ao Instituto da Vinha e do Vinho.
A falta de rotulagem impede a identificação adequada do produto, o que configura uma violação das exigências legais em vigor e uma prática fraudulenta, na medida em que induz em erro o consumidor, permitindo ao agente económico comercializar o produto com características
falsas ou manipuladas, resultando em lucros indevidos e fomentando uma concorrência desleal no mercado.

Fonte: ASAE

A crescente consciência ambiental está a transformar o setor vitivinícola português.

Mais do que práticas sustentáveis, importa que as empresas comuniquem as suas ações ambientais com clareza e credibilidade.

Rótulos “verdes” e certificações ambientais influenciam as decisões de compra dos consumidores de vinho.

 

O despertar “verde” no setor vitivinícola

green marketing é cada vez mais uma peça-chave para o futuro do setor agrícola e vitivinícola.

Mais do que uma tendência, trata-se de uma forma de agir e comunicar, valorizando práticas sustentáveis, desde a vinha até ao consumidor final.

Ao reduzir o impacte ambiental da produção, apostar em embalagens ecológicas e transmitir de forma transparente o compromisso com a natureza, as empresas não só conquistam a confiança dos consumidores como também se diferenciam num mercado competitivo.

No caso do vinho, o green marketing reforça a ligação entre tradição e inovação, mostrando que é possível produzir com qualidade e, ao mesmo tempo, respeitar o ambiente.

Neste contexto, e para compreender esta dinâmica “verde” no mercado português, foi realizado um trabalho académico que teve por base um inquérito aplicado a uma amostra de 212 consumidores de vinho em Portugal, entre maio e junho deste ano.

O objetivo do trabalho foi conhecer e avaliar a perceção dos consumidores de vinho sobre a comunicação das ações ambientais pelas empresas vitivinícolas, com especial atenção aos elementos presentes nos rótulos.

Para ilustrar e contextualizar esta investigação, a empresa Esporão foi utilizada como um caso de estudo, reconhecida pela sua liderança em sustentabilidade no setor vitivinícola nacional.

O Esporão destaca-se pela integração estratégica de práticas sustentáveis – como a agricultura biológica em mais de 98% das suas áreas de produção, a conservação da biodiversidade e a utilização de garrafas mais leves e materiais recicláveis nas embalagens – e pela comunicação consistente dessas ações através dos seus produtos e canais, incluindo os rótulos.

Aceda aqui ao estudo realizado.

Fonte: Agroportal