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A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) apreendeu em Pombal cerca de 50 mil ovos no valor total de 6.056 euros, anunciou este sábado aquele organismo.

A ASAE, através da Brigada Especializada das Indústrias da Unidade Regional do Centro, fez esta apreensão no âmbito de “uma operação de fiscalização dirigida a um centro de embalamento e de classificação de ovos”, naquele município do distrito de Leiria.

Em comunicado, a ASAE informa que detetou “irregularidades na rotulagem” daqueles bens alimentares, apresentados como sendo “ovos provenientes de galinhas criadas ao ar livre”, quando se tratava, afinal, de “ovos provenientes de galinhas criadas em gaiolas melhoradas”.

“Foi ainda constatada a alteração da data de postura para aumento do período referente à (…) durabilidade dos ovos, tendo sido instaurado um processo-crime por fraude sobre mercadorias, em concurso com a infração de natureza contraordenacional de concorrência desleal”, acrescenta.

Após perícia, foi ainda verificado “que o produto apresentava qualidade, frescura e valor inferior ao que se encontrava marcado no ovo, não podendo entrar no circuito comercial para consumo”, segundo a nota.

Fonte: Observador

Cientistas identificaram no Canadá um grupo de antibióticos que mata bactérias de uma forma diferente e que pode ser promissor para combater as bactérias que desenvolvem resistência a estes medicamentos, foi hoje divulgado num estudo.

Os antibióticos em causa são o 'corbomycin' e o 'complestatin', que pertencem à família dos antibióticos glicopéptidicos.

Numa experiência com ratinhos, cujos resultados foram hoje publicados na revista científica Nature, a equipa de cientistas verificou que a administração dos dois antibióticos, que atuam na parede celular da bactéria impedindo o seu crescimento, trava infeções causadas pela 'Staphylococus aureus', conhecida por ser uma bactéria resistente aos habituais antibióticos.

Ao contrário do efeito produzido por outros antibióticos, como a penicilina, que mata as bactérias evitando a formação das paredes celulares, estes dois antibióticos impedem a divisão e o crescimento celular das bactérias bloqueando o rompimento das paredes das células.

As paredes das células das bactérias são o que lhes dá a forma e a resistência, explicou uma das autoras do estudo, Beth Culp, da universidade canadiana de McMaster, citada em comunicado pela instituição.

Fonte: Sapo24

 

Alguns dos maiores fabricantes de bebidas comprometeram-se a colocar indicadores de restrição de idade de consumo em todos os produtos que vendem globalmente.

A International Alliance for Responsible Drinking (IARD), que congrega empresas como a Pernod Ricard, AB InBev, Brown-Forman, Heineken, Beam Suntory, Molson Coors e Heineken, entre outras, quer, com esta iniciativa, passar uma mensagem clara de que as bebidas alcoólicas não são para o consumo de menores. Além disso, os membros desta aliança comprometeram-se a tomar mais medidas para prevenir que os menores vejam ou interajam com as suas marcas online e colaborar com os operadores de e-commerce para a implementação de standards globais, relativamente à venda online e entrega de bebidas alcoólicas.

Os grupos acordaram cinco medidas para acelerar a redução do consumo de álcool por parte de menores. “Estas cinco ações marcam um passo em frente para atingir a nossa meta de eliminar o consumo de álcool por menores de idade”, afirma Albert Baladi, presidente e CEO da Beam Suntory e porta-voz da IARD. “Os menores não devem beber bebidas alcoólicas e apoiamos proactivamente o reforço da legislação quanto à idade para compra e consumo. Apesar deste consumo ter diminuído em muitas partes do globo, a tendência não é universal. Queremos acelerar o progresso e trabalhar em conjunto para eliminar o consumo de álcool por menores em cada comunidade, através de uma abordagem social holística”.

Fonte: Grande Consumo

Um quilo de carne de vaca produz 60 quilos de gases com efeito de estufa, quase duas vezes e meia mais que o borrego, 60 vezes mais que milho e 120 vezes mais que cenouras ou batatas.

Na lista dos alimentos e emissões de gases o queijo surge em terceiro lugar, com 21 quilos de gases com efeito de estufa por quilo de queijo, só menos três quilos do que o que produz o borrego (24 quilos). Um quilo de chocolate produz 19 quilos de dióxido de carbono (CO2).

A lista é baseada num estudo de Joseph Poore e Thomas Memecek publicado na revista Science em 2018 mas que agora foi reformulado no portal "Visual Capitalist", com a ajuda de gráficos.

Para calcular a pegada carbónica do alimento, desde que é produzido até que é consumido, foram tidas em conta variáveis como a mudança do uso da terra (como desflorestação para produzir pastagem), as emissões resultantes da produção, a alimentação para animais, o processamento do produto, o transporte, venda a retalho e embalamento. Foram usados dados de 119 países.

Com o título "A pegada de carbono na cadeia alimentar", no documento mostra-se que a carne de vaca é de longe o alimento que produz mais gases com efeito de estufa (mais do dobro do que o segundo alimento, o borrego), e que as nozes não só são as que produzem menos (300 gramas de CO2 por quilo de noz) como ainda têm um papel de sumidouro de carbono.

Além das nozes há alimentos cuja pegada carbónica é mínima, como as maçãs e os citrinos, os vegetais de raiz (do nabo à cenoura ou à batata), seguindo-se as bananas, as ervilhas e o leite de soja, todos com menos de um quilo de dióxido de carbono por quilo de produto.

Na carne de vaca os principais fatores que influenciam a pegada carbónica são a conversão das terras, a alimentação e a produção de metano. No entanto a pegada do transporte é muito baixa.

Tendo em conta todos os fatores o café produz mais do dobro de CO2 do que a carne de porco ou de frango (que por não serem ruminantes não produzem metano).

No gráfico fica-se a saber também que o azeite produz seis quilos de CO2, que o peixe de aquacultura cinco quilos, que os ovos 4,5 quilos e que o arroz quatro quilos. Cada quilo de peixe selvagem produz três quilos de gases, o mesmo que o leite, e um quilo de tomate produz 1,4 quilos de CO2.

Pode consultar a representação gráfica da "Visual Capitalist" aqui.

Fonte: Rádio Renascença /Visual Capitalist

A Comissão Europeia deu esta quarta-feira um prazo de dois meses a Portugal para aplicar efetivamente a legislação europeia relativa à qualidade do ar, após o que recorrerá para o Tribunal de Justiça da União Europeia.

Ao anunciar o envio de um “parecer fundamentado” a Portugal — o segundo e último passo de um processo de infração a um Estado-membro por incumprimento da legislação comunitária antes do recurso ao Tribunal de Justiça -, a Comissão insta as autoridades “a proteger a população contra a poluição atmosférica”.

“O sistema nacional deve, com fiabilidade, medir, informar o público e comunicar a gravidade da poluição atmosférica. Os valores-limite relativos ao dióxido de azoto (NO2) são ultrapassados em várias zonas, ao passo que os dados disponíveis mostram a ineficácia das medidas tomadas para reduzir a poluição atmosférica”, aponta o executivo comunitário.

A Comissão justifica esta quarta-feira o envio de um parecer fundamento a Portugal “uma vez que o país ainda não cumpriu as suas obrigações”.

“Portugal dispõe de dois meses para responder e tomar as medidas necessárias para estabelecer o bom funcionamento do sistema de controlo da poluição atmosférica. Se Portugal não atuar no prazo de dois meses, a Comissão pode decidir submeter o caso ao Tribunal de Justiça da União Europeia“, adverte Bruxelas.

Para mais informação sobre este processo pode consultar o Relatório Especial n.23/2018 - "Poluição atmosférica: a nossa saúde ainda não está suficientemente protegida", elaborado pelo Tribunal de Contas Europeu, onde é abordada a aplicabilidade e desempenho dos Estados-Membros. 

Fonte: Observador/TCE

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através da Unidade Regional do Sul, realizou no dia 07 de fevereiro no concelho de Almada, uma operação de fiscalização dirigida a um armazém ilegal com armazenamento de moluscos bivalves vivos (vulgo amêijoas) no âmbito da Segurança Alimentar.
Como resultado da ação foi instaurado um processo de contraordenação por falta de licenciamento do armazém que exercia atividade de depuração e armazenamento sem autorização da entidade competente nem número de controlo veterinário.

Foram ainda apreendidas 2 toneladas de amêijoa japónica por incumprimento dos requisitos legais, visto serem moluscos resultantes de apanha em zona interdita sendo assim considerados como produto não seguro, num valor de apreensão de € 12 000,00, tendo ainda sido suspensa a atividade daquelas instalações.

A operação teve a colaboração da Autoridade Tributária tendo ainda sido solicitado apoio da Guarda Nacional Republicana.
A ASAE, no âmbito das suas competências, continuará a desenvolver ações de forma a verificar o cumprimento das obrigações legais e a assegurar a segurança alimentar e a saúde pública.

Fonte: ASAE

Segundo um novo relatório do Tribunal de Contas Europeu, foram poucos os progressos alcançados na medição e redução dos riscos da utilização de pesticidas na UE. Vários Estados-Membros atrasaram-se na transposição integral da diretiva relativa à utilização sustentável dos pesticidas e os incentivos à adoção de métodos alternativos pelos agricultores continuam pouco eficazes.

O Tribunal adianta, igualmente, que a Comissão Europeia não consegue fazer um acompanhamento preciso dos efeitos ou dos riscos resultantes da utilização dos pesticidas. Os produtos fitofarmacêuticos ("pesticidas") são usados para proteger as culturas contra organismos nocivos, pragas e doenças. Incluem os inseticidas, os fungicidas e os herbicidas, que podem colocar o ambiente sob pressão e apresentar riscos para a saúde humana.

Desde 1991, a UE tem normas comuns para a sua autorização e utilização, tendo, em 2009, adotado a diretiva relativa à utilização sustentável dos pesticidas. A auditoria do Tribunal avaliou se a ação da UE nesta matéria tinha sido eficaz. Vários Estados-Membros da UE atrasaram-se na transposição da diretiva para a legislação nacional e, em 2012, foram iniciados procedimentos de infração contra dois deles. O Tribunal constatou, também, que a Comissão Europeia não tinha verificado adequadamente a exaustividade ou a exatidão dessa transposição. Por exemplo, nem todos os Estados-Membros transpuseram para a legislação nacional a obrigação de os agricultores aplicarem o princípio da proteção integrada (PI).

Não obstante, o Tribunal reconhece que, desde 2016, a Comissão incrementou as suas ações com vista a assegurar a aplicação da diretiva relativa à utilização sustentável dos pesticidas. Paralelamente à diretiva, a PI tornou-se obrigatória para os agricultores, o que significa que só devem recorrer aos pesticidas quando a prevenção e os outros métodos falharem ou não forem eficazes. Contudo, não há critérios claros ou requisitos específicos que ajudem a garantir a aplicação e a avaliar o cumprimento.

Simultaneamente, foi criada uma categoria de "produtos fitofarmacêuticos de baixo risco". Porém, até ao momento, de 487 substâncias apenas 16 (3%) foram disponibilizadas para utilização, o que, na opinião do Tribunal, é insuficiente. O TCE refere também que existem poucos incentivos para os agricultores reduzirem a sua dependência dos pesticidas, assinalando o facto de a aplicação dos princípios da PI não fazer parte das condições para receberem pagamentos ao abrigo da PAC. "Até agora, a Comissão Europeia não conseguiu reduzir e controlar substancialmente os riscos associados à utilização de pesticidas pelos agricultores", afirmou Samo Jereb, o Membro do Tribunal de Contas Europeu responsável pelo relatório.

"A nova Política Agrícola Comum, que entrará em vigor em 2021, oferecia uma oportunidade para dar resposta à questão, mas, infelizmente, não foi aproveitada." O Tribunal constatou que as estatísticas sobre as substâncias ativas e a sua utilização publicadas pela Comissão (Eurostat) não eram úteis devido ao baixo nível de detalhe. As informações fornecidas pelos Estados-Membros também não eram suficientemente harmonizadas ou atualizadas.

Por último, embora alguns Estados-Membros tenham elaborado indicadores nacionais para medição dos efeitos e dos riscos, estes não são comparáveis em toda a UE. As primeiras tentativas da Comissão para desenvolver estes indicadores ao nível da União falharam devido à falta de dados pertinentes. Os primeiros indicadores de risco à escala da UE só foram introduzidos em novembro de 2019, dez anos após a adoção da diretiva, e nenhum deles leva em conta o modo, o local e o momento de utilização dos pesticidas.

Por conseguinte, o Tribunal conclui que a Comissão ainda não dispõe de uma base sólida e baseada em provas para avaliar se a diretiva alcançou o objetivo da UE de utilização sustentável dos pesticidas. Uma vez que, atualmente, a Comissão está a avaliar a legislação neste domínio de intervenção, num cenário de preocupação crescente, do público e dos parlamentares, o TCE recomenda:

• verificar a aplicação da proteção integrada nas explorações agrícolas;

• permitir que a proteção integrada seja ligada aos pagamentos ao abrigo da nova PAC;

• melhorar as estatísticas sobre os produtos fitofarmacêuticos;

• desenvolver melhores indicadores de risco.

O Relatório Especial 5/2020, intitulado "Utilização sustentável de produtos fitofarmacêuticos: poucos progressos na medição e redução dos riscos", está disponível para consulta aqui.

Fonte: Tribunal de Contas Europeu

As autoridades veterinárias gregas detetaram o primeiro surto de peste suína africana numa pequena criação doméstica de suínos na região de Serres, no norte da Grécia

Segundo o Ministério da Agricultura grego, o caso foi confirmado na quarta-feira pelo laboratório nacional de referência para doenças virológicas em Atenas, que analisou os tecidos do porco infetado.

As autoridades ativaram imediatamente o protocolo previsto para esses casos, que contempla a proibição absoluta de saída de animais vivos, carne, sémen, óvulos e embriões de porco daquela região.

Os produtos derivados de porco, alimentos para animais, ferramentas ou resíduos também não podem sair dessa região se não tiverem permissão do centro local de prevenção de doenças.

No ano passado houve surtos desta doença, que não é transmitida aos seres humanos, em nove países da União Europeia: Roménia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia e Bulgária, República Checa e Bélgica.

A peste suína africana (PPA) foi detetada pela primeira vez no Quénia em 1910 e permaneceu limitada a África até 1957, quando um primeiro surto foi registado em Portugal. No início dos anos 60, ocorreu na Península Ibérica, com surtos esporádicos que duraram até aos anos 90 e incluíram outros países da Europa Ocidental.

Em meados da década de 90, Espanha e Portugal haviam conseguido erradicar esta doença através de abates seletivos. A peste suína africana é uma doença viral que afeta toda a família suína, tanto porcos domésticos quanto javalis. A doença, que se manifesta através da febre hemorrágica, é transmitida diretamente pela picada de carraças ou indiretamente pela ingestão de insetos que absorveram o sangue infetado

Fonte: Agroportal

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) publicou o parecer científico relativo à categorização de antibióticos utilizados em animais promovendo o uso responsável e a protecção da saúde pública e animal.

Este documento é uma ferramenta importante para os médicos veterinários aquando da prescrição de antibióticos para animais.

O parecer científico foi sujeito a consulta pública, noticiada no Portal da DGAV em fevereiro de 2019, e categoriza os antibióticos tendo em conta não só o risco que a sua utilização em animais pode causar na saúde pública pelo possível desenvolvimento de resistências bacterianas aos antimicrobianos mas também a necessidade de utilização destes medicamentos na medicina veterinária. O documento foi preparado pelo Grupo de Peritos Ad Hoc em Antimicrobial Advice (AMEG), adoptado pelos Comités de Medicamentos de Uso Humano e Medicamentos Veterinários em linha com a abordagem “Uma Só Saúde”, integrando e promovendo um cooperação próxima entre a medicina humana e medicina veterinária.

A classificação compreende agora 4 categorias:

  • Categoria A (“Evitar”/ Uso reservado) - Inclui classes de antimicrobianos não autorizadas atualmente em medicina veterinária na União Europeia. A sua utilização em animais produtores de alimentos é proibida, não tendo sido estabelecidos Limites Máximos de Resíduos. Poderão ser apenas administrados em circunstâncias excepcionais, de forma individual aos animais de companhia obedecendo aos requisitos da cascata;
  • Categoria B (“Restringir”/ Uso restrito)  - Para as quinolonas, cefalosporinas de 3ª e 4ª gerações e polimixinas. O uso desses antimicrobianos em animais deve ser restrito de modo a reduzir o risco para a saúde pública.
  • Categoria C (“Precaução”/Uso com precaução) - abrange antimicrobianos para os quais, em geral, existem alternativas em medicina humana na União Europeia, mas com poucas alternativas para certas indicações em medicina veterinária. Estes antimicrobianos só devem ser usados quando não existirem disponíveis antimicrobianos da Categoria D que sejam clinicamente eficazes.
  • Categoria D (“Prudência”/ Uso prudente) Inclui antibióticos que deverão ser utilizados como primeira linha de tratamento, se possível. Os antimicrobianos pertencentes a esta categoria podem ser utilizados em animais de forma prudente. Isso significa que o uso desnecessário e os longos períodos de tratamento devem ser evitados e o tratamento em grupo deve ser restrito a situações em que o tratamento individual não é possível.

Pode consultar o documento aqui.

Está também disponível o infográfico.

Fonte: DGAV/EMA

Os autores do estudo, da responsabilidade do Instituto Ricardo Jorge (INSA), indicam que 68% da população apresenta dois ou mais fatores de risco para doenças cardiovasculares e 22% quatro ou mais.

Os fatores de risco mais relevantes são a diabetes mellitus, colesterol elevado, hipertensão arterial, pré-obesidade/obesidade e tabagismo.

Em declarações à agência Lusa, Mafalda Bourbon, coordenadora do estudo, disse que os dados recolhidos surpreenderam, sobretudo porque “este trabalho analisou o conjunto de fatores de risco para um mesmo indivíduo” e não os fatores de forma isolada.

“Não tínhamos dados para pensar qual seria o valor que íamos obter. Quando percebemos que quase 70% têm dois ou mais fatores de risco, é preocupante”, afirmou Mafalda Bourbon, sublinhando que “há pessoas muito jovens que já iniciam a vida adulta com fatores de risco”.

Os investigadores defendem que os dados recolhidos mostram a necessidade de as autoridades de saúde “desenvolverem estratégias para rastrear a população em geral quanto aos fatores de risco para as doenças cardiovasculares e promovam medidas de estilo de vida adequadas e literacia em saúde”.

O estudo, que avaliou uma amostra de 1.688 pessoas através de exame físico, análises clínicas e um questionário, indica ainda que, “não obstante o decréscimo verificado nos últimos anos, as doenças cérebro-cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal e a esperança de vida saudável aos 65 anos de idade é inferior à média europeia”. 

“Não obstante o decréscimo verificado nos últimos anos, as doenças cérebro-cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal e a esperança de vida saudável aos 65 anos de idade é inferior à média europeia” sublinham os investigadores.

Defendem uma “maior pressão no cumprimento dos objetivos definidos no Plano Nacional de Saúde”, sublinhando que a prevenção das doenças cardiovasculares continua a ser “um grande desafio”.

De acordo com os dados hoje divulgados, o estudo estimou prevalências de diversos determinantes de saúde, nomeadamente a dieta inadequada (71,3%), pré-obesidade/ obesidade (62,1%), hipertensão arterial (43,1%), hábitos tabágicos (25,4%) e nível baixo de atividade física (29,2%).

Os investigadores salientam também “o elevado grau de desconhecimento dos indivíduos em relação à sua situação clínica e à medicação prescrita”, sublinhado que estes dados reforçam “a necessidade de melhorar a literacia em saúde”.

“Havia diabéticos que estavam a tomar antidiabéticos orais e que nem sabiam que tinham diabetes”, contou a coordenadora do estudo, frisando: “Há pessoas que não tem conhecimento de todas as patologias que têm”.

O trabalho de campo para este estudo decorreu entre 2012 e 2014 e a análise dos dados recolhidos entre 2015 e 2017.

Questionada sobre se algumas das medidas levadas a cabo pelo Governo, sobretudo o aumento das taxas sobre as bebidas açucaradas, o álcool e os produtos de tabaco, e os programas de alimentação saudável e da promoção da atividade física, Mafalda Bourbon disse que é preciso repetir o mesmo estudo para avaliar esse impacto.

“Aliás, era uma ideia que tínhamos desde o início, fazer o seguimento destas pessoas e perceber a evolução nestes fatores de risco”, afirmou, destacando a necessidade de financiamento para dar continuidade ao trabalho.

A investigadora do INSA reconhece que os fatores de risco apontados “já eram todos conhecidos”, mas diz que “é preciso insistir para que as pessoas tomem consciência de que cada um pode fazer a diferença”.

“O que acho que é importante falar cada vez mais nestas percentagens para as pessoas terem consciência de que podem mudar estes valores. A maior parte destes fatores de risco são modificáveis e a população tem de tomar consciência que a sua saúde dela depende. Não é depois de ter a doença instalada que vai ao médico e toma um medicamento”, defende a responsável, acrescentando: "Tenho a certeza de que a pessoa sabe o que é uma dieta saudável ou um estilo de vida saudável, mas é difícil instituir. É preciso vontade (...). A pessoa tem de ter consciência de que depende de si atuar e mudar o estilo de vida”.

Fonte: Sapo24