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Em fevereiro de 2016, a França e os Países Baixos apresentaram ao Comité dos Medicamentos para Uso Veterinário (CVMP), da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), uma arbitragem no âmbito do Artigo 35º.

O CVMP realizou uma revisão científica dos dados fornecidos pelos detentores das autorizações e concluiu, que os riscos para o meio ambiente associados ao uso desses medicamentos veterinários, não são ultrapassados pelos benefícios clínicos demonstrados em suínos.

Foi também identificado um risco associado ao desenvolvimento de resistência aos antimicrobianos, embora não se conseguisse quantificá-lo.

Assim, o CVMP recomendou a retirada da EU de medicamentos veterinários contendo óxido de zinco.

A 26 de junho, a Comissão Europeia adotou a decisão de retirar as AIMs de medicamentos veterinários contendo óxido de zinco para administração oral a espécies produtoras de alimento para consumo humano.

Foi dado aos Estados-Membros um período de até cinco anos, a partir da data de adoção da decisão da Comissão, para revogar as autorizações de introdução no mercado de medicamentos veterinários contendo esta substância ativa.

Esta decisão foi adotada na reunião do Comité Permanente da Comissão a 19 de junho.

À data, tendo em conta a Decisão da CE, a DGAV informou os Titulares das AIMs deste período máximo de 5 anos antes do termo dessas autorizações de forma a apoiar a adoção e a transição para estratégias de maneio alternativas.

Existem 3 medicamentos veterinários autorizados em Portugal para administração oral a animais produtores de alimentos para consumo humano, que contêm óxido de zinco como substância ativa.

 

Nome do Medicamento Veterinário Número de AIM Código ATCvet
APSAMIX ZINC 1000 mg/g pré-mistura medicamentosa para suínos 073/01/08RFVPT QA07XA91
Gutal 1000 mg/g pré-mistura medicamentosa para alimento medicamentoso para leitões 966/01/15DFVPT QA07XA91
ÓXIDO DE ZINCO CALIER, 1000 mg/g, pré-mistura medicamentosa para alimento medicamentoso para suínos (leitões) 112/01/08NFVPT QA07XA91

Face ao acima exposto, informa-se que os medicamentos veterinários em questão não poderão ser comercializados / utilizados após 26/06/2022.

Informamos também o seguinte:
A data limite de prescrição médico-veterinária de medicamentos com óxido de zinco é 25/06/2022.
A data limite para fabrico de alimentos medicamentosos com óxido de zinco é 01/07/2022.

Tendo em conta o RCMV dos Medicamentos Veterinários em questão que estabelecem 14 dias de tratamento, os alimentos medicamentosos com estes medicamentos veterinários podem ser utilizados até 15 de julho (último dia de tratamento).

Fonte: DGAV

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, através da Unidade Regional do Sul – Unidade Operacional de Évora, realizou uma ação de fiscalização direcionada à depuração e expedição de moluscos bivalves vivos (MBV), no concelho de Grândola.
 
Durante a ação foi possível verificar que um dos operadores económicos procedia à depuração de moluscos bivalves vivos de forma ilícita, camuflada e sem a aprovação das entidades competentes, sendo estes posteriormente encaminhados para um segundo operador económico que procedia ao seu depósito, não havendo garante relativo às condições técnico-funcionais e à sua rastreabilidade. Os moluscos bivalves vivos em causa, eram posteriormente comercializados com um terceiro operador económico (peixaria) onde, para além da comercialização dos MBV, se procedia igualmente à comercialização de produtos da aquicultura, como se de espécies provenientes do meio marítimo se tratassem.
 
Como balanço desta ação, foram fiscalizados 3 operadores económicos, tendo sido instaurados 2 processos-crime e 3 processos contraordenacionais. Destes, sublinham-se, como principais infrações:
  • falsificação de documentos,
  • fraude sobre mercadoria por falta de rastreabilidade em géneros alimentícios,
  • colocação no mercado para consumo humano de MBV sem as condições legais tipificadas, e
  • instalação de estabelecimento sem título de atividade aquícola.
Foi ainda determinada a suspensão de atividade dos locais não licenciados e apreendidos cerca de 200 documentos e material diverso, 400 Kg de moluscos bivalves vivos, 15 Kg de pescado, tudo num valor aproximado de 5.100,00 €.
 
De forma a preservar a natureza e o ambiente, os moluscos bivalves vivos apreendidos foram restituídos ao seu habitat natural.
 
A ASAE continuará a desenvolver ações de fiscalização, no âmbito das suas competências, em todo o território nacional, em prol de uma sã e leal concorrência entre operadores económicos, na salvaguarda da segurança alimentar e saúde pública dos consumidores.
Fonte: ASAE

Portugal é o único de 17 países europeus a ter uma abordagem totalmente abrangente na implementação de políticas de nutrição, de acordo com o Nourishing Framework - uma ferramenta de avaliação de políticas para promover a alimentação saudável e reduzir a obesidade do World Cancer Research Fund International. O reconhecimento do país no âmbito das boas práticas em políticas alimentares e nutricionais aconteceu no Simpósio Europeu de Políticas na área da Prevenção das Doenças Crónicas, que decorreu entre os dias 14 e 16 de junho em Bruxelas. 

No segundo dia do Simpósio foi apresentado um estudo que analisou 17 países europeus e destacou Portugal em três grandes áreas de atuação: ambiente alimentar, comunicação para a mudança de hábitos e sistema alimentar. Os resultados apresentados identificam um claro progresso de Portugal no que diz respeito a políticas de nutrição. 

De acordo com o Healthy Food Environment Policy Index (Food-EPI), Portugal destaca-se também pela positiva, a par da Noruega e da Finlândia, num conjunto de 11 países europeus (Estónia, Finlândia, Alemanha, Irlanda, Itália, Holanda, Noruega, Polónia, Portugal, Eslovénia e Espanha). O Food-EPI é uma ferramenta desenvolvida para avaliar o grau de implementação de políticas públicas com impacto no ambiente alimentar e para identificar e priorizar as ações necessárias à criação de ambientes alimentares saudáveis. 

Durante o Simpósio, foram também identificadas algumas das melhores práticas em Portugal na área das políticas de nutrição. Destacam-se a limitação de produtos pouco saudáveis em máquinas de venda automática; a criação de um imposto especial para os refrigerantes e ainda a implementação de restrições na publicidade alimentar direcionada a crianças com menos de 16 anos.   

Maria João Gregório, Diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) da Direção-Geral da Saúde, considera ser "muito positivo ver o reconhecimento internacional de que Portugal está a fazer um bom trabalho nas políticas alimentares e nutricionais", acrescentando que "apesar de ainda haver um longo caminho a percorrer, muito já foi feito em Portugal".

Fonte: Direção-Geral da Saúde

Mais de 90% dos consumidores preferem marcas que estão a tomar medidas para reduzir o desperdício alimentar, enquanto três quintos (60%) dos consumidores se sentem culpados por desperdiçar alimentos, descobriu um novo estudo da Capgemini.

De acordo com o estudo, “Reflect. Rethink. Reconsider. Why food waste is everybody’s problem”, a consciência dos consumidores em relação ao desperdício alimentar mais do que duplicou nos últimos dois anos, uma vez que o aumento dos preços dos alimentos, os desafios da cadeia de abastecimento, a pandemia e as preocupações com a sustentabilidade estão a ter impacto no comportamento dos consumidores.

O estudo concluiu que, atualmente, 72% dos consumidores estão conscientes da sua pegada de resíduos alimentares, em comparação com apenas 33% antes de 2020. Além disso, cerca de 61% dos consumidores querem que os retalhistas e as marcas façam mais para resolver este problema.

Constatou também que os consumidores já estão a estudar formas de reduzir o seu desperdício alimentar. Tem havido um crescimento de 80% de ano para ano na procura de métodos para aumentar a vida dos produtos alimentares. A poupança de custos (56%), as preocupações com a fome no mundo inteiro (52%) e as alterações climáticas (51%) são as principais razões que contribuem para esta mudança.

A crescente consciencialização dos consumidores e as iniciativas que estão a ser tomadas pelas empresas para combater os resíduos alimentares é um passo positivo“, disse Tim Bridges, líder mundial do sector Produtos de Consumo, Retalho e Distribuição na Capgemini. “Com a ajuda da tecnologia, as organizações podem acompanhar e avaliar os resíduos alimentares em cada fase da cadeia de valor alimentar para permitir uma acção no momento certo, ao mesmo tempo que se envolvem com os seus consumidores, inculcando novos comportamentos e tornando-os um participante activo na redução de resíduos“.

Uma cadeia de abastecimento ágil e inteligente pode também permitir uma colaboração eficaz ao longo da cadeia de valor para criar um ecossistema sustentável e pronto para o futuro“.

 

Iniciativa

Enquanto muitas empresas estão a tomar medidas para combater o desperdício alimentar nas lojas, bem como nas casas dos consumidores, muitos acreditam que estas iniciativas não vão suficientemente longe. Por exemplo, 60% das organizações dizem que ajudam os consumidores a compreender termos como “melhor antes”, “consumir até” e “data de validade”, mas apenas 39% dos consumidores estão satisfeitos com o facto de esta informação ser suficientemente clara.

Os consumidores querem que as organizações façam mais em áreas como a inovação do produto, embalagem, clareza dos rótulos de datas e educação do consumidor. Por exemplo, os consumidores gostariam de ver rótulos digitais (códigos QR, etc.) que lhes forneçam mais informações sobre o percurso e a qualidade do produto.

De facto, os consumidores sentem que são demasiadas vezes deixados à sua própria sorte no que diz respeito à redução do desperdício alimentar. Quando se trata de aumentar a longevidade dos alimentos em casa, dois terços (67%) vão para fontes de informação de terceiros (amigos, família, influenciadores, e meios de comunicação social) com apenas um terço (33%) a obter informação de embalagens, anúncios ou campanhas geridas por fabricantes e retalhistas de alimentos.

Fonte: Grande Consumo

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) realizou, nas últimas semanas, uma operação de fiscalização, de norte a sul do País, direcionada à verificação das regras estabelecidas para a atividade de comércio de carnes, com enfoque na Segurança Alimentar e na Informação ao Consumidor.


A operação foi direcionada a estabelecimentos de comércio de carnes, designadamente, talhos e estabelecimentos de retalho com secção de talho, para verificação do cumprimento das regras estabelecidas para esta atividade económica, designadamente investigação de eventual troca de origem e investigação de evidências de incorporação de aditivos não autorizados em géneros alimentícios com a denominação de venda de carne picada e/ou utilização abusiva de aditivos em preparados de carne.


Como balanço da ação, foram fiscalizados cerca de 100 operadores económicos, tendo sido instaurados 19 processos de contraordenação, destacando-se como principais infrações, a distribuição, preparação e venda de carnes e seus produtos com desrespeito das normas higiénicas e técnicas aplicáveis, o incumprimento dos requisitos gerais e específicos de higiene, a falta de controlo metrológico de pesos, a falta de requisitos, o incumprimento das regras relativas à rotulagem e rastreabilidade dos produtos, entre outras.


Foi ainda determinada a apreensão de 750 kg de produtos cárneos no valor estimado de 4.684,94€, e apreendidos 35 instrumentos de pesagem, no valor aproximado de 29.650,00€.


O valor total da apreensão ascendeu a 34.000,00€.


A ASAE continuará a desenvolver ações de fiscalização, no âmbito das suas competências ao nível dos estabelecimentos de venda de géneros alimentícios, na salvaguarda da segurança alimentar, da saúde pública e das práticas fraudulentas, com vista à proteção dos consumidores.

Fonte: ASAE

A Organização Mundial de Saúde quer que os governos dos estados-membros façam da segurança alimentar uma prioridade de saúde pública, uma vez que desempenham um papel fulcral no desenvolvimento de políticas e quadros regulamentares e no estabelecimento e implementação de sistemas eficazes de segurança alimentar.

A Organização Mundial de Saúde é uma agência especializada das Nações Unidas responsável pela saúde pública internacional.

A organização afirma que os manipuladores de alimentos e os consumidores precisam de compreender como manusear os alimentos com segurança e praticar os cinco pontos-chave da OMS para uma alimentação mais segura em casa, ou em restaurantes e mercados locais. Os produtores de alimentos podem cultivar frutas e legumes com segurança utilizando os cinco pontos-chave da OMS para cultivar frutas e legumes mais seguros.

A OMS planeia reforçar os sistemas nacionais de controlo alimentar para facilitar a prevenção, deteção e resposta global a ameaças à saúde pública associadas a alimentos inseguros. Para o efeito, a OMS apoia os países membros:

  • fornecendo avaliações científicas independentes sobre riscos microbiológicos e químicos que constituem a base das normas, diretrizes e recomendações alimentares internacionais, conhecidas como o Codex Alimentarius;
  • avaliar o desempenho dos sistemas nacionais de controlo alimentar ao longo de toda a cadeia alimentar, identificando áreas prioritárias para desenvolvimento futuro, e medir e avaliar o progresso ao longo do tempo através da ferramenta de avaliação do sistema de controlo alimentar da FAO/OMS;  
  • avaliar a segurança das novas tecnologias utilizadas na produção alimentar, tais como a modificação genética, os produtos alimentares cultivados e a nanotecnologia;
  • ajudar a implementar infraestruturas adequadas para gerir os riscos de segurança alimentar e responder a emergências de segurança alimentar através da Rede Internacional de Autoridades de Segurança Alimentar (INFOSAN); 
  • promoção da manipulação alimentar segura através de programas sistemáticos de prevenção e sensibilização para a doença, através dos cinco pontos-chave da OMS para uma mensagem alimentar mais segura e materiais de formação; 
  • defendendo a segurança alimentar como componente importante da segurança da saúde e a integração da segurança alimentar nas políticas e programas nacionais, em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional (IHR 2005);
  • controlar regularmente o peso global das doenças de origem alimentar e zoonoses a nível nacional, regional e internacional, e apoiar os países a estimar o peso nacional das doenças de origem alimentar; e
  • atualização da Estratégia Global de Segurança Alimentar da OMS (2022-2030) para apoiar os Estados-Membros a reforçar os seus sistemas nacionais de controlo alimentar e a reduzir o peso das doenças de origem alimentar.

A OMS trabalha em estreita colaboração com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) e outras organizações internacionais para garantir a segurança alimentar ao longo de toda a cadeia alimentar, desde a produção até ao consumo.

De acordo com a OMS, o abastecimento alimentar seguro apoia as economias nacionais, o comércio e o turismo, contribui para a segurança alimentar e nutricional, e promove o desenvolvimento sustentável.

As mudanças nos hábitos de consumo aumentaram o número de pessoas que compram e comem alimentos preparados em locais públicos. A globalização desencadeou uma crescente procura dos consumidores por uma maior variedade de alimentos, resultando numa cadeia alimentar global cada vez mais complexa e mais longa. Prevê-se também que as alterações climáticas tenham impacto na segurança alimentar.

A OMS diz que estes desafios colocam uma maior responsabilidade aos produtores e manipuladores de alimentos para garantirem a segurança alimentar. Os incidentes locais podem evoluir rapidamente para emergências internacionais devido à rapidez e variedade da distribuição de produtos.

Sediada em Genebra, Suíça, a OMS tem seis escritórios regionais e 150 escritórios de terreno em todo o mundo.

Fonte: Food Safety News e Qualfood

O cultivo do milho geneticamente modificado “não tem praticamente nenhum impacto na abundância ou função ecológica dos insetos não alvo”. Esta é uma das principais conclusões de uma extensa revisão da investigação sobre os impactos do milho GM.

Na mesma revisão, que foi publicada no jornal Environmental Evidence, os cientistas afirmam que esta variedade de milho é muito menos prejudicial para os organismos não alvo do que o cultivo de milho através de métodos convencionais, nos quais se usam inseticidas para combater pragas.  

Esta revisão pretendeu dar resposta às preocupações levantadas pelos críticos do milho geneticamente modificado, incluindo afirmações de que as avaliações anteriores de potenciais impactos eram de âmbito limitado.

Mais informação aqui.

Fonte: CiB - Centro de informação de biotecnologia

Um estudo da Universidade de Coimbra (UC), que avaliou a influência da paisagem na dinâmica da Bactrocera oleae (mosca da azeitona), sugere uma nova estratégia sustentável para reduzir uma das pragas da oliveira com maior expressão na Península Ibérica, assim como os custos económicos associados à perda de rendimento da cultura.

Conduzido por uma equipa de investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), neste estudo foi analisada a dinâmica populacional da Bactrocera oleae em diferentes usos do solo de uma paisagem típica de olival da região Centro de Portugal, na zona de Idanha-a-Nova.

O objetivo do estudo, explica Daniel Paredes, primeiro autor do artigo científico publicado no Journal of Pest Science, foi compreender qual «a influência da composição e estrutura da paisagem na dinâmica da praga, mais concretamente avaliar a possível utilização pela praga de zonas que não sejam olival e avaliar qual a influência desses diferentes usos do solo na abundância da praga no próprio olival. Resumidamente, perceber se a diversidade na paisagem em termos de uso do solo tem uma influência positiva, isto é, uma menor incidência da praga no olival, quando comparada com uma paisagem de olival contínuo».

Para tal, a equipa, coordenada por José Paulo Sousa, professor do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC, selecionou 79 pontos de amostragem, distribuídos pelos usos do solo mais comuns detetados na área de amostragem (uma área de 10km x 10Km). «Além de áreas de olival, foram amostradas áreas dominadas por matos autóctones (vegetação arbustiva), áreas de montado, pastagens, vinha e plantações de eucalipto e pinheiro-bravo», detalha Daniel Paredes.

Os investigadores concluíram que as paisagens mais diversificadas que rodeiam os olivais reduzem a abundância da mosca da azeitona. «Verificámos que, na realidade, a B. oleae serve-se de todos os tipos de uso do solo e que a dinâmica populacional foi muito semelhante à observada nos olivais, muito embora a sua abundância, como esperado, tenha sido sempre superior nos olivais. No entanto, esta maior incidência da praga no olival é tanto maior quanto mais simplificada for a paisagem. Em paisagens compostas principalmente por olivais (paisagens simplificadas), a abundância da praga por unidade de área do olival é muito maior do que em paisagens com uma maior diversidade de usos do solo em redor dos mesmos. A praga, ao utilizar estes outros usos do solo, sem causar dano, vai diminuir a sua incidência no olival com a consequente redução de danos», explica o investigador.

Tendo em conta que a dinâmica populacional de pragas fora da cultura focal (o olival) tem sido pouco estudada, a abordagem adotada neste estudo, segundo os autores, «é uma abordagem extremamente importante para compreender a dinâmica da paisagem e das pragas no contexto da paisagem, permitindo perceber quais são os tipos de uso do solo não focais que mais contribuem para uma melhor gestão da praga na área do olival».

Os resultados do estudo, afirma Daniel Paredes, mostram a «diversificação da paisagem como uma estratégia que pode permitir aos agricultores reduzir a abundância de B. oleae e os danos a ela associados nas suas explorações. As implicações destes resultados são de extrema importância para os olivicultores, uma vez que a diversificação da paisagem pode reduzir a probabilidade de ocorrência de “outbreaks” (surtos) de pragas e evitar os custos económicos associados à perda de rendimento da cultura ou à aplicação (por vezes, excessiva) de inseticidas para controlar as pragas».

Além disso, observa o investigador do Centro de Ecologia Funcional da FCTUC, esta investigação chama ainda a atenção para a «necessidade de haver um melhor planeamento do território (pelas autoridades locais/regionais), aquando da autorização para instalação de novas culturas (neste caso de olival), de forma a manter uma paisagem diversificada em termos de uso do solo». Em suma, face aos resultados obtidos neste estudo, «incentivamos os agricultores, técnicos e políticos a promoverem a diversificação da paisagem nos olivais», conclui.

Este estudo foi cofinanciado pelo Programa Operacional Regional do Centro no âmbito do projeto ReNATURE, pelo Programa de Investigação e Inovação Horizonte 2020 da União Europeia, ao abrigo do projeto ECOSTACK, e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) através do projeto OLIVESIM.

O artigo científico, intitulado “Landscape simplification increases Bactrocera oleae abundance in olive groves: adult population dynamics in different land uses”, pode ser consultado em: https://link.springer.com/article/10.1007/s10340-022-01489-1.

Fonte: Agroportal

Após a implementação das medidas de controlo e erradicação dos focos ocorridos em Portugal desde dezembro passado, Portugal recuperou o estatuto de país livre de gripe aviária de alta patogenicidade a 22 de abril de 2022, de acordo com o disposto no capítulo 10.4 do Código Sanitário dos Animais Terrestres da Organização Mundial para a Saúde Animal (WOAH).
A validação oficial do estatuto de “país livre” para gripe aviária de alta patogenicidade pela WOAH pode ser consultada no portal da referida organização.

Fonte: DGAV

A toma de um suplemento à base de vitamina D3, curcumina e quercetina demonstrou reduzir o tempo de hospitalização de doentes internados e acelerar a sua recuperação, num ensaio clínico realizado em hospitais na Bélgica.

Pode um suplemento alimentar já existente no mercado acelerar a recuperação de doentes hospitalizados com covid-19? Essa é a nota de esperança que chega da Bélgica, onde um ensaio clínico efetuado nas unidades do grupo hospitalar Chirec revelou resultados considerados "surpreendentes" no uso de um suplemento à base de vitamina D3, curcumina e quercetina. Os pacientes que receberam este tratamento não só não desenvolveram qualquer complicação do seu estado como manifestaram uma recuperação bastante mais rápida do que a dos outros doentes hospitalizados - 82% mais de altas hospitalares ao final de sete dias, em relação ao grupo de controlo.

O estudo ainda não foi publicado em qualquer revista científica - "está prevista a publicação em outubro", diz Yves Henrotin, fundador e CEO da biotecnológica Artialis, que promoveu o ensaio clínico - e, portanto, ainda não revisto por pares, mas "os dados foram tão animadores que resolvemos comunicá-los já", explica ao DN o também professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Liège.

O ensaio clínico envolveu pacientes hospitalizados com doença severa de covid-19, mas sem necessidade de serem intubados. Quase cinquenta doentes (49) internados nas unidades hospitalares do grupo Chirec em Bruxelas (Delta e Sainte-Anne/Saint-Rémi) e Braine-l"Alleud foram divididos em dois grupos: 25 deles receberam o suplemento alimentar Nasafytol durante 14 dias, além do tratamento hospitalar padrão reservado a todos os doentes com covid; os outros 24 receberam apenas um suplemento de vitamina D, além do tratamento padrão.

Os grupos eram similares na sua composição, em parâmetros de idade, género, etnia, peso, altura e índice de massa corporal. A única diferença, segundo os autores do estudo, era o número de vacinados (com pelo menos uma dose) em cada um dos grupos: nove naquele que recebeu apenas a vitamina D, contra somente dois no grupo que recebeu o suplemento alimentar.

"O estudo concentrou-se num suplemento dietético, não num medicamento", salienta Jean Gérain, chefe do Departamento de Medicina Interna do Hospital Delta, uma das unidades onde decorreu o ensaio clínico. "Escolhemos uma combinação de quercetina bioativa, um extrato bioativo de curcumina e vitamina D3, porque têm propriedades conhecidas por ajudar a manter o bom funcionamento do sistema imunológico e a eficácia das nossas defesas naturais", diz Yves Henrotin.

"São flavonoides conhecidos pelos seus efeitos anti-inflamatórios, mas também antivirais, antibacterianos e imunomoduladores", especifica Jean Gérain. "Ao combinar esses três elementos, queríamos desenvolver uma preparação natural que ajudasse os doentes com covid-19. Por um lado, reduzindo o risco de complicações graves e, por outro, reduzindo o número de transferências para cuidados intensivos, evitando a sobrelotação dessas unidades", acrescenta.

Quatro comprimidos do suplemento alimentar tomados pela manhã e outros quatro à noite mostraram reduzir significativamente o tempo de hospitalização. "O grupo que recebeu Nasafytol apresentou redução de 59% no número de internados no dia 7 e 73% no dia 14 , em comparação com o grupo que recebeu vitamina D", relata o médico belga.

As conclusões do estudo mostram ainda que "76% dos que receberam este suplemento alimentar tiveram alta hospitalar no sétimo dia, em comparação com apenas 42% do grupo "Vitamina D". E nenhuma complicação grave foi detetada no grupo tratado com o suplemento alimentar (ou seja, não houve óbitos nem doentes transferidos para UCI), enquanto no outro grupo um paciente morreu e quatro tiveram necessidade de cuidados intensivos.

A melhoria no estado dos doentes que receberam o suplemento começou a notar-se "a partir do quarto dia", descreve o chefe de Medicina Interna do hospital Delta em Bruxelas. "Um período de tempo coerente", indica, "pois demora um pouco para que o suplemento seja metabolizado pelo organismo e produza os efeitos desejados", explica, sublinhando, no entanto, ter ficado "surpreendido com resultados tão significativos" entre os doentes que receberam este suplemento, até porque, regista, "não apresentaram quaisquer efeitos colaterais".

Os resultados animadores não devem convidar, no entanto, a extrapolações perigosas, advertem. Como, por exemplo, desprezar o papel das vacinas contra a covid-19 (no grupo do ensaio clínico que recebeu Nasafytol apenas dois doentes tinham sido vacinados). "As vacinas têm o seu papel na prevenção da doença e de formas graves da doença. O nosso estudo refere-se apenas a uma forma de acelerar a recuperação de doentes hospitalizados e retirar carga sobre enfermarias e UCI", sublinha Yves Henrotin ao DN.

Também por isso não pode ser generalizada a ideia de que a toma deste suplemento beneficiará todos os doentes com covid, desde o momento em que acusem positivo. "Por muito que o senso comum sugira essa extrapolação, nada no nosso estudo sugere que tomar o suplemento possa prevenir uma possível deterioração do estado de saúde das pessoas que deram positivo num autoteste", refere Jean Gérain. "Este estudo não foi configurado para esse cenário. Por outro lado, mostra-nos que há potencial novos estudos".

Para já, esta pode ser uma boa notícia para doentes hospitalizados e corpos clínicos dos hospitais: "Estamos muito satisfeitos com o facto de podermos oferecer um complemento ao tratamento hospitalar padrão, que não apenas reduzirá a duração dos internamentos e salvará vidas, como também reduzirá significativamente a carga de trabalho das equipas hospitalares", resume Jean Gérain.

Fonte: Diário de Notícias