Portuguese English French German Italian Spanish

  Acesso à base de dados   |   email: qualfood@idq.pt

O Governo dos Açores estipula uma comparticipação financeira anual no valor de 250 euros por cabeça aos produtores detentores de juntas de bois da raça autóctone Ramo Grande.

“A Secretaria Regional da Agricultura e do Desenvolvimento Rural do Governo dos Açores já procedeu à publicação da portaria que estipula uma comparticipação financeira anual no valor de 250 euros por cabeça aos produtores detentores de juntas de bois da raça autóctone Ramo Grande”, informa às redações o Governo Regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM.

De acordo com a Secretaria Regional da Agricultura, as candidaturas podem ser efetuadas “no decurso do primeiro trimestre do ano, no Serviço de Desenvolvimento Agrário da ilha onde se localiza a exploração bovina”.

Este apoio, considera o gabinete do secretário regional da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, António Ventura, “é de grande relevância, tendo em conta a tradicional participação destes bovinos nas festividades da região, através da participação dos cortejos etnográficos e das festividades tradicionais, sobretudo associadas ao culto ao Divino Espírito Santo”.

Atualmente, os bovinos da Raça Ramo estão a ser preservados e melhorados do ponto de vista genético, no âmbito do programa de conservação e melhoramento genético em curso para esta raça.

O Governo Regional dos Açores entende que a sua manutenção “acarreta custos, agudizados com a situação pandémica” de covid-19, que “importa comparticipar de modo a garantir a continuidade da raça e, por consequência, a assegurar as manifestações culturais inerentes”.

A raça Ramo Grande é uma raça de gado bovino autóctone dos Açores.

Fonte: Agroportal

A DGAV informa que já é possível efetuar a mera comunicação prévia relativa à distribuição de produtos fitofarmacêuticos por prestadores de serviços de distribuição legalmente estabelecidos fora do território nacional e que não disponham de armazéns de distribuição destes produtos em Portugal, através do formulário desmaterializado disponível no portal e-Portugal.

Saiba mais sobre o tema na página Uso Sustentável dos Produtos Fitofarmacêuticos.

Fonte: DGAV

A plataforma digital do conhecimento da Região Demarcada do Douro estará disponível no início de 2022 e vai agregar e disponibilizar informação da “uva ao copo” a viticultores, empresas e público em geral, disseram hoje os promotores.

O projeto junta o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), com sede no Peso da Régua, distrito de Vila Real, e a NOVA Information Management School (NOVA IMS), da Universidade Nova de Lisboa.

A iniciativa está inserida no projeto “IVDP+ Compromisso para a Excelência” que conta com um financiamento de 1,8 milhões de euros.

À agência Lusa os promotores explicaram que o objetivo da plataforma é criar um “catálogo de dados”, disponibilizando informação e conhecimento da “uva ao copo”, que vai desde a colheita, trânsito de uva, produção, certificação e mercados.

O Douro agrega um conjunto variado de atores institucionais, privados e científicos que produzem e precisam de aceder a dados e informação, que se encontra muito dispersa, em formatos não integráveis e muitas vezes de difícil acesso.

Para ajudar, o projeto IVDP+ apostou na criação de um sistema de informação territorial interoperável e de dados abertos que pretende ser “um auxílio importante no apoio à tomada de decisão e um instrumento essencial na transferência de conhecimento”.

“O IVDP é a estrutura chave no acompanhamento do circuito da uva, nomeadamente por ser a entidade pública mais próxima dos viticultores, o que tem reflexo no planeamento das campanhas vitivinícolas, por exemplo”, afirmou o presidente do instituto, Gilberto Igrejas, citado em comunicado.

O responsável acrescentou que “só mediante uma estreita colaboração entre o mundo universitário, o IVDP e os viticultores se pode garantir uma evolução significativa dos vários contextos da produção vitivinícola, tirando partido da transformação digital e apostando na partilha da melhor informação disponível, sendo esta colaboração um objetivo estratégico para a garantia da competitividade do setor, num mundo que se digitaliza a passo acelerado”.

“É muito importante que os vinicultores planifiquem as suas campanhas, mas também é muito importante que olhem para diferentes etapas do circuito da uva ao copo, como é que elas se podem articular de uma forma virtuosa para conseguirmos explorar o potencial da transformação digital e construir novas abordagens”, salientou Miguel de Castro Neto, subdiretor da NOVA IMS.

A plataforma do conhecimento da Região Demarcada do Douro “está concluída”, encontrando-se numa fase de mapeamento de informação com os sistemas de informação do IVDP, pelo que se prevê uma “total integração e disponibilização na segunda quinzena do primeiro mês de 2022”.

Dirigida a viticultores, empresas e público em geral, pretende possibilitar uma “aproximação de todos os intervenientes da cadeia de valor”.

Quer também proporcionar um “acesso fácil, dinâmico, rápido e transparente aos dados mais recentes e tendências de evolução, ajudando a compreender a complexidade dos desafios que se colocam ao setor vitivinícola, de forma transversal”.

Fonte: Agroportal

A União Europeia prevê que as exportações líquidas de azeite português possam crescer a um ritmo anual de 9%, nos próximos 10 anos, muito apoiadas nas vendas para o mercado brasileiro, melhorando a posição relativa do país no mercado internacional.

No “Outlook Agrícola da UE para Mercados, Rendimento e Ambiente 2021-2031”, a Comissão Europeia refere que espera um aumento anual da produção de azeitona em Portugal, Itália e Espanha, no período em análise, a uma taxa entre 2,5% e 5%, não só através de ganhos de produtividade, mas também da área de cultivo.

A Grécia, outro produtor relevante, pelo contrário, deverá registar uma quebra.

Os autores do documento notam que, no quadro da pandemia de Covid-19, o sector foi afetado por falta de mão-de-obra, “especialmente nos sistemas menos mecanizados”, e avisam que, olhando para a frente, doenças como a Xylella Fastidiosa e eventos climáticos extremos constituem riscos para as projeções feitas.

Cumprindo-se os cenários previstos, “em 2031, Portugal e Espanha deverão melhorar a posição líquida como exportadores (face à média do período 2016-2020)”.

A Comissão Europeia prevê que as exportações líquidas de Portugal cresçam a um ritmo médio anual de 9%, triplicando o passo de expansão projetado para Espanha.

Entre os exportadores de azeite, a Grécia deverá manter a posição relativa, enquanto Itália verá reduzida a sua dependência de azeite do estrangeiro, “devido ao aumento de sua produção em quase 3%, em 2031, em comparação com o período de referência 2016-2020”.

As exportações de azeite de mesa deverão crescer a um ritmo entre 1% e 2%.

O documento refere diretamente Portugal, apontando que, “olhando para o período 2006-2031, observa-se uma mudança estrutural na posição comercial líquida de Portugal, que passou de ser um importador líquido [de azeite] para ter uma posição exportadora líquida, que provavelmente se manterá nos próximos anos, sustentada pela procura no Brasil”.

O relatório aponta que as exportações portuguesas para o Brasil, tal como as de Espanha, têm mostrado “potencial de crescimento”.

Aponta, também, que a procura emergente na região da Ásia-Pacífico será um dos catalisadores do crescimento das exportações, que não deverão ser afetadas pela concorrência criada pela recente expansão dos olivais no hemisfério sul.

Fonte: Jornal Económico

 
 
 

A Diretora-Geral de Alimentação e Veterinária, Susana Guedes Pombo, e o Presidente do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Nuno Banza, apresentaram no dia 20 de dezembro a Aplicação de Notificação Imediata de Mortalidade de Animais Selvagens ( ANIMAS), que resulta da união de esforços entre a DGAV e o ICNF, com o apoio do Ministério da Agricultura e do Ministério do Ambiente.

A plataforma permite o registo de mortalidade de animais selvagens, e desta forma a notificação de animais selvagens encontrados mortos vai permitir:

  • Estabelecer valores base de mortalidade e limiares de alerta para as várias espécies;
  • Avaliar e identificar a necessidade de proceder a colheita de amostras nos animais mortos;
  • Permitir a remoção e eliminação de certos cadáveres mais rápida e eficiente;
  • Aplicar medidas de controlo adequadas e atempadas.

Ajude a proteger a saúde pública, animal e do ambiente. Notifique!

Porque é importante o registo dos animais encontrados mortos?
Quando se conhecem os valores normais de mortalidade de uma espécie, é possível identificar situações em que essa mortalidade está aumentada e que precisam de ser investigadas. Nestas situações, as Autoridades Competentes devem atuar rapidamente, sendo, pois, necessário que sejam notificadas de imediato. Além disso, a mortalidade é um indicador fundamental para a deteção precoce de doenças de evolução aguda, como por exemplo a Peste Suína Africana em javalis.

Quem pode notificar?
Todos: médicos veterinários, agentes do SEPNA, guardas-florestais, vigilantes da natureza, caçadores, gestores de zona de caça, pescadores, investigadores e público em geral.

Como se notifica?
A notificação pode ser efetuada através do telemóvel, do tablet ou online.

Que espécies notificar?
Todas as espécies selvagens de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes.

Com que dados se notifica?
Uma fotografia do cadáver, nas coordenadas geográficas do local onde se encontra e o preenchimento dos campos respetivos.

Para descarregar a aplicação visite https://animas.icnf.pt

Fonte: DGAV

A República Popular da China alterou as regras de registo a cumprir pelos operadores que pretendem exportar produtos alimentares para aquele país, tendo emitido novos Decretos GACC nºs 248 e 249.

As novas regras entram em aplicação no dia 1 de janeiro de 2022 mas, até lá, os operadores nacionais, interessados em exportar para a China devem assegurar um conjunto de procedimentos compilados, pela DGAV, em Comunicado Oficial.

Consulte o referido comunicado, bem como a listagem atualizada de produtos/códigos HS e caso comercialize produtos:

  • que não requerem validação pela DGAV (de baixo risco – categoria 2), registe-se individualmente na plataforma “Singlewindow – Cifer” até dia 31/12/2021.
  • que requerem validação pela DGAV contacte-nos através de This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.


Veja ainda o seguinte material de apoio aos operadores:

Fonte: DGAV

Investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) analisaram 2.850 locais de venda de comida de rua em sete cidades da Ásia Central e Europa de Leste e concluíram ser pouca a oferta de fruta e hortícolas.

À agência Lusa, a investigadora Patrícia Padrão afirmou esta segunda-feira que o projeto, intitulado “FEEDCities” e resultado de uma parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), procurou “analisar o ambiente urbano de comida de rua” em cidades da Ásia Central e da Europa do Leste.

Iniciado em 2016, o projeto analisou o ambiente urbano de Dushanbe (Tajiquistão), Bishkek (Quirguistão), Chisinau (Moldávia), Sarajevo e Banja Luka (Bósnia-Herzegovina), Almaty (Cazaquistão) e Ashgabat (Turquemenistão).

“A implementação do estudo iniciou-se em países onde se tem verificado um aumento acentuado de doenças crónicas não transmissíveis [como as doenças cardiovasculares e o cancro], e sobre os quais há poucos dados recolhidos de forma sistemática sobre fatores de risco relacionados com a alimentação”, esclareceu.

Nas sete cidades, os investigadores avaliaram os locais de vendas, os produtos prontos a consumir, caracterizaram os compradores, as suas compras e avaliaram a composição nutricional dos produtos vendidos.

No total, foram avaliados 2.850 locais de venda e os alimentos recolhidos corresponderam aos “mais disponíveis” em cada uma das cidades, incluindo alimentos caseiros e alimentos industrializados (snacks, salgados, doces, bolachas e refrigerantes).

Segundo Patrícia Padrão, a “elevada disponibilidade de refrigerantes e baixa disponibilidade de fruta e produtos hortícolas prontos a consumir” foi uma característica comum aos locais de venda de todas as cidades.

No geral, os alimentos frequentemente disponíveis apresentavam um perfil nutricional “pouco saudável”, com elevados teores de energia, gordura e sódio. Já as compras apresentavam “elevada densidade energética”.

"Homens e compradores com excesso de peso ou obesidade tenderam a apresentar compras com perfil nutricional menos favorável, geralmente contendo valores superiores de gorduras saturadas, bem como de sódio”, observou Patrícia Padrão.

A par dos alimentos industrializados, alguns alimentos caseiros também apresentaram altos teores de ácidos gordos, o que poderá refletir “práticas culinárias menos saudáveis como a fritura e o uso frequente de gorduras de menor qualidade nutricional na confeção destes alimentos”.

Também nestes alimentos foram encontradas as principais fontes de sódio, especialmente nos pratos principais à base de carne, nos pastéis e snacks salgados, o que “pode indicar uma utilização excessiva de sal ou ingredientes ricos em sódio”.

Face aos resultados, Patrícia Padrão afirmou que intervenções no âmbito da nutrição e da saúde pública “poderão ser úteis para a melhoria destes ambientes alimentares”. “Estas medidas deverão ser adaptadas a cada contexto e poderão passar por limitar a disponibilidade de produtos alimentares ultra-processados ricos em gordura saturada, ácidos gordos, açúcar e sal”, referiu, acrescentando ser também necessária uma maior consciencialização dos vendedores e consumidores relativamente à composição nutricional da comida de rua.

À Lusa, Patrícia Padrão revelou que o estudo está a ser, neste momento, implementado em Tbilissi, na Geórgia, e que o intuito da equipa é alargá-lo a outras cidades para conseguir uma “visão mais completa dos ambientes de comida de rua nestas regiões”.

Os investigadores pretendem ainda realizar “estudos subsequentes nas cidades já avaliadas para aprofundar o conhecimento relativamente a outros fatores”, tais como a frequência e determinantes do consumo de comida de rua nestas populações, práticas culinárias e ingredientes usados.

Financiado pela OMS e pelo Ministério da Saúde da Federação Russa, o projeto “FEEDCities” contou com a colaboração de investigadores da Faculdade de Medicina, Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação e Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.

O estudo contou ainda com a colaboração de inquiridores locais, agências da OMS e institutos de saúde pública de cada país.

Fonte: Observador

No mês de janeiro, decorre mais um período obrigatório de Declarações de Existências de Ovinos e Caprinos (DEOC), conforme Aviso da Direção Geral de Alimentação e Veterinária.

A declaração de existências de ovinos e caprinos poderá ser efetuada diretamente pelo produtor na Área Reservada do portal do IFAP, ou em qualquer departamento dos Serviços de Alimentação e Veterinária Regionais ou ainda nas entidades protocoladas com o IFAP, através da aplicação SNIRA/iDigital (Modelo 657/DGV).

Fonte: DGAV

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) realizou, uma operação de Fiscalização, denominada Operação Outbreak – IV, com enfoque para estabelecimentos de bares e discotecas, tendo como principal objetivo fiscalizar o cumprimento da obrigatoriedade de apresentação de Certificado Digital nas modalidades de certificado de teste COVID-19 ou de recuperação; ou outro comprovativo de realização laboratorial de teste COVID-19 com resultado negativo.

Como balanço da ação, que envolveu 56 inspetores, e decorreu nas cidades de Santa Maria da Feira, Braga, Bragança, Figueira da Foz, Águeda, Covilhã, Alverca, Ericeira, Seixal, Almeirim, Cartaxo, Entroncamento, Torres Novas, Beja e Vilamoura, foram fiscalizados 97 operadores económicos, tendo sido instaurados 103 processos de contraordenação, dos quais 97 estão relacionados com incumprimento das regras estabelecidas em contexto de pandemia, incluindo 23 aos responsáveis dos estabelecimentos pela falta de observância do dever de verificação do certificado digital de testes COVID19, 4 por falta do uso de máscara por parte de funcionário, 70 a clientes por falta de observância do dever de apresentação e detenção de Certificado Digital COVID da EU e teste negativo e ainda instaurado 1 processo crime por falsificação de certificado digital COVID19.

Foi ainda determinada a suspensão imediata de atividade de 4 estabelecimentos situados em Santa Maria da Feira, Braga e Figueira da Foz, por não cumprimento das regras definidas para o atual contexto de pandemia, tendo as operações decorrido com a colaboração da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública.

A ASAE continuará a desenvolver ações de fiscalização, no âmbito das suas competências, em todo o território nacional, em prol de uma sã e leal concorrência entre operadores económicos, na salvaguarda da segurança alimentar bem como para garantia do cumprimento das regras de saúde pública determinadas pela situação pandémica.

Fonte: ASAE

Um relatório do Governo angolano sobre a situação da insegurança alimentar e nutricional aguda em três províncias do sul concluiu que 1,32 milhões de pessoas estão bastante afetadas, e até março de 2022 pode chegar aos 1,58 milhões.

Os dados constam do relatório, a que a Lusa teve esta quinta-feira acesso, realizado pelo Departamento Nacional de Segurança Alimentar, da Direção Nacional de Agricultura e Pecuária (DNAP), do Ministério da Agricultura e Pescas nas províncias do Cunene, Huíla e Namibe, entre março e maio de 2021, com inquérito em 17 municípios.

O documento, datado de agosto, tem como objetivo apresentar os resultados da análise da Classificação das Fases de Insegurança Alimentar (IPC) e de desnutrição aguda causadas pela seca e outros fatores externos.

“Os resultados permitiram concluir que 1,32 milhões de pessoas enfrentam uma situação de insegurança alimentar aguda alta”, refere o relatório, indicando que este número corresponde a 49% da população “que carece de uma intervenção urgente”.

Um quadro resumo divide a situação por fases, tendo a primeira 31.260 pessoas em segurança alimentar, a segunda 820.998 pessoas em situação de stress, a terceira 1.008.245 de pessoas em situação de crise, a quarta 307.288 pessoas em situação de emergência, e a quinta fase zero pessoas em situação de catástrofe.

A projeção para o período entre outubro de 2021 e março de 2022, aponta na primeira fase um número de 482.825 pessoas em segurança alimentar, a segunda com 638.303 pessoas em situação de ‘stress’, a terceira com 1.167.337 pessoas em situação de crise, a quarta com 416.660 pessoas em situação de emergência, e a quinta fase zero pessoas em situação de catástrofe.

O documento realça que a seca observada nos últimos dois anos agrícolas, o contexto de crise económica desde 2014, o aumento do custo de vida e a crise pandémica da Covid-19, desde março de 2020, resultaram no atual contexto de insegurança alimentar aguda nas três províncias.

De acordo com o relatório, a escassez de colheitas afetou gravemente o acesso das pessoas aos alimentos na região sul de Angola, com forte vocação agropecuária, agravando o estado nutricional da população.

“Com a tendência de redução acelerada das reservas alimentares, a situação tende a evoluir para o nível de crise alimentar, como revelam os dados apresentados no quadro”, alerta o documento, que acrescenta: “A assistência humanitária, até à próxima colheita, é uma ação necessária para evitar o agravamento da insegurança alimentar aguda das comunidades”.

Com 34% da população em IPC Fase 3 (crise) e 11,4% em IPC Fase 4 (emergência), as pessoas nesta situação, realça o relatório, “enfrentam dificuldades no acesso aos alimentos, ou apenas conseguem satisfazer as suas necessidades alimentares mínimas, com recurso a estratégias de crise e/ou de emergência”.

A escassez de chuvas e efeitos recorrentes da seca, que reduziram significativamente a produção agrícola, a principal fonte de alimentos dos agregados familiares das zonas rurais, e causou perda de animais por falta de pasto e água, o aumento generalizado dos preços dos alimentos e a praga de gafanhotos em algumas comunidades são igualmente apontados como alguns dos fatores da atual situação.

“Para os meses de outubro de 2021 a março de 2022, esse número poderá subir para 1,58 milhões de pessoas, em situação de insegurança alimentar aguda, o que corresponde a 58% da população dos 17 municípios inquiridos”, dos quais 42,9% na fase de crise e 15,3% em fase de emergência, destaca o documento.

"Com a agravante, que esses são meses de escassez alimentar, caracterizados pelo aumento dos preços no mercado interno, sendo que a próxima colheita agrícola apenas se inicia em março de 2022, caso haja regularidade de chuvas”, frisa o relatório.

O documento salienta que a insegurança alimentar está presente em todos os municípios, mas alguns têm maior prevalência da população em crise ou emergência, nomeadamente Cahama, Curoca e Namibe (Cunene), Gambos (Huíla), Virei e Camucuio (Namibe), com mais de 60% da população total nas fases três e quatro (crise e emergência), no período entre julho e setembro de 2021.

“Embora os municípios referidos anteriormente mantenham maior gravidade no período de projeção, coincide com a época de escassez, os 17 municípios terão que ser apoiados e monitorizados adequadamente até março de 2022, para evitar maior deterioração da situação de insegurança alimentar aguda das comunidades”, aponta o relatório.

No que se refere à desnutrição aguda, a metodologia de análise IPC indica que em 10 municípios elegíveis das três províncias 11.400 crianças, entre os 6 e 59 meses sofrem ou poderão vir a sofrer deste mal nos próximos 12 meses e necessitarem de tratamento.

"Em termos de gravidade da situação, no período entre abril e setembro (…), correspondente à época em que foi realizado o inquérito, os municípios da Humpata e da Jamba (Huíla) e da Bibala e Moçâmedes (Namibe) foram classificados em situação grave (Fase 3 de IPC, desnutrição aguda)”, lê-se no relatório.

Já os municípios de Cuanhama e Cuvelai (Cunene), da Chibia e Quilengues (Huíla) e Camucuio (Namibe) foram classificados na fase de alerta (Fase 2 de IPC, desnutrição aguda), sendo o município de Namacunde (Cunene) o menos afetado e classificado na fase aceitável (Fase 1 de IPC, desnutrição aguda).

Fonte: Observador