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Número de pessoas com alergias alimentares aumentou 18% Featured

Dados da associação Alimenta revelam que, só entre as crianças, a incidência de alergias cresceu cerca de 50%.

O número de pessoas com alergias alimentares em Portugal aumentou cerca de 18% na última década. No caso das crianças, o aumento é de aproximadamente 50%, revelam os dados fornecidos ao CM pela Alimenta - Associação Portuguesa de Alergias e Intolerâncias Alimentares.

Atualmente, e "por comparação internacional, estima-se que cerca de 8% das crianças e 4% dos adultos sofram de alergias alimentares", explica Ana Lúcia Silva, nutricionista do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, em Lisboa, e vice-presidente da Alimenta.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, as "alergias alimentares são reações adversas desencadeadas por alimentos, mais concretamente pelas proteínas alimentares, designadas de alergénios. Estão associadas a mecanismos de resposta imunológicos".

Na prática, "o sistema imunológico reconhece erradamente um alimento como se de um agente agressor ao organismo se tratasse", explica a nutricionista.

Os sintomas podem levar entre alguns minutos até duas horas após a ingestão do alimento a manifestarem-se, causando reações cutâneas, respiratórias, gastrointestinais e cardiovasculares. A anafilaxia é a manifestação alérgica mais grave, que pode resultar em dificuldade respiratória, perda de consciência ou mesmo morte, se não for imediatamente tratada.

"Reação grave aos 4 meses"

Marlene Pequenão, 39 anos, descobriu que o filho, Pedro, de seis, era alérgico às proteínas do leite de vaca quando este tinha quatro meses, depois de ter feito uma "reação alérgica grave a uma papa".

Os pais foram apanhados de surpresa porque não havia nenhum caso de alergias alimentares na família. "Tivemos de suprimir praticamente tudo o que tenha proteínas do leite de vaca, lemos sempre os rótulos, acautelamos questões como a contaminação cruzada e andamos sempre com um kit de emergência", explica a mãe do menino.

Alergia ao marisco é comum

Entre os alimentos que mais alergias alimentares causam estão "o leite de vaca, o ovo, o amendoim e frutos secos de casca rija, o peixe, o marisco, o trigo e a soja. Estes alimentos são responsáveis por aproximadamente 90% das reações alérgicas", afirma a nutricionista Ana Lúcia Silva.

A resposta alérgica varia consoante a quantidade ingerida/contactada, porque "pode ser desencadeada por vapores ou migalhas", podendo ainda por vezes existir uma alergia a um alimento e não a outros dentro do mesmo grupo alimentar.

"É possível uma pessoa ser alérgica a leite e não a iogurtes ou outros derivados, ou ainda a um animal e não a outros, como ao leite de vaca e não ao leite de cabra ou ovelha", esclarece Ana Lúcia Silva, acrescentando que "alguns produtos que sofreram a ação do calor podem deixar de provocar a resposta alérgica".

A abordagem terapêutica passa pela prevenção e tratamento das reações. A adrenalina/epinefrina subcutânea autoinjetável é aplicada no tratamento de emergência, em situações de anafilaxia.

A leitura dos rótulos dos produtos alimentares "é fundamental e aconselha-se a conhecer todas as designações do alergénio alimentar", diz a nutricionista Ana Lúcia Silva. Segundo a especialista, a população deve ter especial cuidado, em caso de alergia ou intolerância, na forma como as refeições são preparadas em contexto não familiar. Pode haver uma manifestação alérgica devido à contaminação cruzada.

"Aparecem em todas as idades"

Ana Lúcia Silva - Vice-presidente da associação Alimenta

CM - Em que idade aparecem as alergias alimentares?

Ana Lúcia Silva – É mais comum aparecerem na infância, dada a imaturidade imunológica da barreira intestinal. Mas podem aparecer em todas as idades.

– A história familiar é uma das causas para o aparecimento das alergias?

– Os mecanismos que desencadeiam as respostas adversas não estão totalmente esclarecidos. As características da flora intestinal, introdução precoce de alimentos e imaturidade gastrointestinal na criança são fatores determinantes no que diz respeito às causas das alergias alimentares, tal como a genética.

Fonte: ANILACT

  • Last modified on Thursday, 11 January 2018 10:46