Uma equipa internacional de cientistas conseguiu sequenciar, pela primeira vez, genomas completos e sem lacunas de seis variedades de amendoim, criando um recurso considerado decisivo para acelerar programas de melhoramento agrícola e aumentar a produtividade desta cultura essencial.
O trabalho, publicado na revista Nature Genetics, envolveu investigadores da Murdoch University e de várias instituições internacionais, que analisaram duas espécies ancestrais selvagens e quatro variedades cultivadas, além de desenvolverem genomas de referência para subespécies que nunca tinham sido totalmente mapeadas.
Genes associados ao tamanho das sementes e teor de óleo
Com base na análise de mais de 500 amostras recolhidas em todo o mundo, os investigadores identificaram variantes genéticas ligadas a características-chave, como o tamanho das sementes e o teor de óleo.
Entre os principais resultados, destaca-se a identificação do gene AhWRI1, associado a diferenças significativas no conteúdo de óleo — cerca de seis pontos percentuais entre variedades —, e do gene AhGSA1, ligado a sementes substancialmente maiores, com diferenças superiores a 70% no peso.
Estas descobertas poderão ser utilizadas como marcadores genéticos para acelerar o desenvolvimento de variedades mais produtivas e nutritivas.
Um desafio genético finalmente ultrapassado
O genoma do amendoim tem sido historicamente difícil de sequenciar devido à sua elevada complexidade e à presença de grandes regiões repetitivas de ADN. Tentativas anteriores deixaram lacunas importantes, limitando o uso de ferramentas genómicas no melhoramento da cultura.
Agora, com uma montagem completa “de telómero a telómero”, os cientistas conseguiram preencher essas falhas e revelar novas informações sobre a estrutura e evolução do genoma.
“O amendoim é uma fonte essencial de óleo e proteína para centenas de milhões de pessoas, mas a sua genética tem sido mais difícil de estudar do que a de outras culturas”, explica Rajeev Varshney, um dos autores do estudo.
Implicações para a segurança alimentar e agricultura sustentável
O estudo identificou ainda diferenças estruturais relevantes entre subespécies de amendoim, incluindo regiões de ADN associadas à arquitetura da planta e ao metabolismo lipídico, o que ajuda a explicar variações observadas no campo.
Para os investigadores, este avanço poderá ter impacto direto na segurança alimentar global. O amendoim é uma cultura fundamental em muitas regiões, não só pelo seu valor nutricional, mas também pela capacidade de fixar azoto no solo, contribuindo para sistemas agrícolas mais sustentáveis.
Com este novo recurso genómico, espera-se que seja possível desenvolver variedades mais resistentes, produtivas e adaptadas às exigências climáticas futuras.
Fonte: GreenSavers
Revisão científica alerta para um “fosso de validação” entre a precisão molecular e os efeitos concretos nos alimentos e no consumidor. Para ultrapassar esta lacuna, os investigadores sugerem um novo modelo de validação mais abrangente e centrado na exposição real. A proposta passa por combinar diferentes tipos de dados “ómicos” (como genómica, proteómica e metabolómica), estudar o comportamento dos alimentos após a colheita e acompanhar o seu desempenho já no mercado.
A edição genética está cada vez mais a ser apontada por inúmeros estudos científicos como uma ferramenta promissora para melhorar a segurança alimentar e a qualidade nutricional dos alimentos. No entanto, o seu impacto no mundo real ainda depende de fatores que vão muito além da precisão ao nível do ADN. Esta é a principal conclusão de uma revisão científica publicada na revista Nature (npj Science of Food), da autoria de Pinar Sekerci Keles e Yusuf Esen.
O estudo analisa evidência acumulada sobre a forma como alterações genéticas se traduzem em efeitos concretos ao longo de toda a cadeia alimentar — desde os fenótipos das plantas até à sua interação com a matriz alimentar, os processos de transformação, a ecologia microbiana e, por fim, a exposição alimentar dos consumidores.
Os autores identificam um “fosso de validação” persistente entre os indicadores técnicos utilizados nas fases iniciais do desenvolvimento, como a precisão da edição genética, e os resultados que realmente importam para a segurança alimentar. Ou seja, uma alteração bem-sucedida ao nível molecular não garante, por si só, benefícios mensuráveis no alimento final ou na saúde do consumidor.
Para colmatar esta lacuna, os investigadores propõem um novo modelo de validação, baseado numa abordagem multidimensional e centrada na exposição. Este enquadramento inclui a integração de dados “ómicos” (como genómica, proteómica e metabolómica), a análise do comportamento dos alimentos após a colheita, e ainda a monitorização após a sua entrada no mercado.
Segundo os autores, só com este tipo de abordagem será possível alinhar a inovação em edição genética com melhorias concretas na segurança dos sistemas alimentares e na proteção dos consumidores.
A revisão sublinha, assim, a necessidade de ir além dos critérios laboratoriais tradicionais, defendendo uma avaliação mais abrangente e contínua dos impactos da edição genética ao longo de toda a cadeia alimentar.
Leia o abstract na Nature.
Fonte: Centro de informação de biotecnologia
A aplicação de biocarvão pode contribuir para reduzir a acidificação dos solos e melhorar as condições de produção agrícola, segundo um estudo global da Universidade de Wuhan, na China.
A investigação baseou-se numa meta-análise de 232 estudos, abrangendo diferentes climas, tipos de solo e sistemas agrícolas. No total, foram avaliadas 1.460 observações emparelhadas que compararam solos com e sem aplicação de biocarvão.
Os resultados indicam que, em média, o biocarvão aumentou o pH do solo em 5,59%, evidenciando uma redução significativa da acidez. No entanto, os autores sublinham que a eficácia desta solução varia em função de fatores ambientais e de gestão.
“A acidificação dos solos é um desafio global crescente, especialmente em regiões com agricultura intensiva”, refere Nanhai Zhang, um dos autores do estudo, acrescentando que “o biocarvão pode melhorar significativamente as condições do solo, mas a sua eficácia depende tanto de fatores ambientais como de gestão”.
Segundo os investigadores, o biocarvão atua através de vários mecanismos, incluindo a presença de compostos alcalinos e cinzas minerais que neutralizam a acidez, bem como grupos funcionais que ligam iões de hidrogénio, reduzem a acidez na solução do solo. Ao contrário de corretivos tradicionais como o calcário, pode apresentar efeitos mais duradouros e benefícios adicionais, como a melhoria da estrutura do solo e o sequestro de carbono.
A análise identificou vários fatores determinantes para o desempenho do biocarvão. Solos inicialmente ácidos registaram maiores melhorias, enquanto solos neutros ou alcalinos apresentaram pouca ou nenhuma resposta. Solos com elevada capacidade de retenção de nutrientes também revelaram menor sensibilidade à aplicação.
As condições climáticas influenciam igualmente os resultados, aponta a análise. O biocarvão demonstrou maior eficácia em regiões com temperaturas e precipitação mais elevadas, onde os processos de acidificação são mais intensos. Em particular, sistemas agrícolas em ambientes mais húmidos, como arrozais, evidenciaram melhorias superiores no pH face a sistemas de sequeiro.
De acordo com a investigação, as características do próprio biocarvão são outro fator crítico, uma vez que materiais produzidos a temperaturas moderadas e com pH intrínseco mais elevado mostraram melhores resultados. A taxa de aplicação também se revelou relevante, com maiores quantidades associadas a aumentos mais expressivos do pH. A combinação com fertilizantes orgânicos potenciou a eficácia, em comparação com a utilização conjunta com fertilizantes sintéticos.
Apesar dos benefícios identificados, o estudo alerta que o biocarvão não constitui uma solução universal. Em determinados contextos, como solos já alcalinos, a sua aplicação pode ter efeitos limitados ou mesmo reduzir ligeiramente o pH. Os autores referem ainda que os efeitos positivos podem diminuir ao longo do tempo, nomeadamente devido à absorção de nutrientes pelas culturas ou à sua lixiviação.
Os autores frisaram o potencial do biocarvão enquanto solução alinhada com a bioeconomia circular, ao valorizar resíduos agrícolas como recurso para melhoria dos solos.
Fonte: Vida Rural
Algumas doenças transmitidas por alimentos não começam com sintomas gastrointestinais como diarreia, mas levam diretamente a doenças invasivas graves, incluindo infecções da corrente sanguínea, destruição articular e complicações a longo prazo, mesmo em adultos saudáveis. Essa é a realidade do Streptococcus agalactiae tipo de sequência 283 (ST283), também conhecido como estreptococo do grupo B (EGB), um patogénio zoonótico associado a peixes de água doce e sistemas de aquicultura. A revisão abrangente “Repensando o estreptococo do grupo B: a ascensão do tipo de sequência 283 como um patogénio zoonótico transmitido por alimentos” , publicada na revista Comprehensive Reviews in Food Science and Food Safety, reúne as evidências atuais sobre essa preocupação com a segurança alimentar e suas implicações mais amplas.
Além das doenças típicas transmitidas por alimentos
A GBS ST283 desafia as expectativas convencionais sobre doenças transmitidas por alimentos. A maioria dos riscos microbiológicos transmitidos por alimentos está associada a sintomas gastrointestinais e geralmente é autolimitada. A GBS ST283 apresenta um perfil fundamentalmente diferente. Ela está associada a infeções invasivas, incluindo meningite, artrite séptica e bacteremia, e afetou indivíduos sem comorbidades.
As evidências mostram que a exposição está ligada não apenas ao consumo de peixes de água doce contaminados, mas também às práticas de manipulação ao longo da cadeia alimentar, ampliando o leque de possíveis pontos de entrada. Esse contraste ressalta uma importante mudança de perspectiva: a exposição a doenças transmitidas por alimentos nem sempre leva a doenças transmitidas por alimentos, mas pode resultar em doenças invasivas transmitidas por alimentos.
Peixes de água doce: um contexto de risco diferente
O papel dos peixes de água doce é fundamental para a compreensão desse risco alimentar. Ao contrário dos peixes marinhos comumente usados para sushi e sashimi, os peixes de água doce não são tipicamente consumidos crus em muitas culturas preocupadas com a segurança alimentar, em parte porque são mais frequentemente associados a riscos como parasitas e contaminação ambiental.
A norma GBS ST283 adiciona uma nova dimensão a este panorama de riscos já existente. Ela destaca que, além dos riscos parasitários bem conhecidos, os perigos bacterianos associados aos sistemas de aquicultura e às práticas de manuseio também podem levar a consequências graves, principalmente quando o peixe é consumido cru ou malpassado, ou manuseado sem a devida proteção. Este contexto é importante para a comunicação de riscos. A questão não é o consumo do peixe em si, mas o tipo de peixe, como ele é produzido, preparado e manuseado.
O invisível: o papel das ferramentas genómicas
Um aspecto fundamental para essa compreensão é o uso do sequenciamento de genoma completo (WGS). O GBS ST283 não pode ser identificado de forma confiável apenas por métodos microbiológicos convencionais. Sua identificação depende de abordagens baseadas em sequências, que permitem a diferenciação no nível do tipo de sequência e revelam ligações entre casos humanos, peixes e fontes ambientais. Por meio do WGS, o que poderia parecer infeções esporádicas ou não relacionadas torna-se visível como parte de um padrão interconectado ao longo da cadeia alimentar. Isso tem sido crucial para reconhecer o GBS ST283 não apenas como uma observação clínica, mas como um risco zoonótico transmitido por alimentos.
Perfil de risco na prática
Essa compreensão em evolução está em estreita consonância com o trabalho da FAO sobre a elaboração de perfis de risco, particularmente para perigos que não se encaixam perfeitamente em categorias estabelecidas. O GBS ST283 ilustra como o risco não é definido apenas pela exposição, mas pela combinação de gravidade, complexidade de transmissão e fatores sistémicos. Ele se situa na interseção entre produção de alimentos, vias ambientais e saúde humana, com ligações a sistemas de aquicultura, múltiplas rotas de transmissão e importantes lacunas em dados e vigilância. A FAO identificou o GBS ST283 como um perigo que requer a elaboração de perfis de risco estruturados, enfatizando a necessidade de considerar não apenas a frequência da exposição, mas também o que acontece quando ela ocorre.
Uma perspectiva de Saúde Única
A revisão destaca como a ST283 se dissemina entre humanos, peixes e ambientes aquáticos, reforçando a importância de uma abordagem de Saúde Única. Peixes de água doce atuam como reservatórios, enquanto as condições ambientais e as práticas de manipulação de alimentos contribuem para as vias de exposição. Ao mesmo tempo, diferenças na capacidade laboratorial e no acesso a ferramentas avançadas, como o sequenciamento de genoma completo (WGS), influenciam a deteção, sugerindo que o panorama atual pode não capturar completamente a escala ou a distribuição do risco.
Da evidência à ação
Apesar do crescente conhecimento, questões cruciais permanecem. A forma como a exposição leva a doenças invasivas ainda não é totalmente compreendida. O papel do estado de portador assintomático, a ausência de dados quantitativos sobre a relação dose-resposta e as incertezas em torno de intervenções eficazes limitam a capacidade de traduzir evidências em ações concretas. O fortalecimento do acesso a ferramentas como o sequenciamento de genoma completo (WGS), juntamente com a vigilância e a integração de dados, será essencial para apoiar a tomada de decisões baseada em risco, que continua sendo fundamental para o trabalho da FAO em segurança alimentar.
Olhando para o futuro
A GBS ST283 continua a fornecer uma lição valiosa e abrangente. Os perigos transmitidos por alimentos nem sempre seguem padrões conhecidos. Alguns são menos visíveis, menos frequentes, mas muito mais graves em suas consequências. Ao mesmo tempo, ferramentas como o sequenciamento completo do genoma estão tornando esses perigos cada vez mais visíveis. Integrar essas abordagens aos sistemas de segurança alimentar será fundamental para garantir que os riscos emergentes sejam reconhecidos precocemente e tratados de forma eficaz.
Fonte: FAO
O Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, assinalado todos os anos a 28 de abril, volta a colocar no centro do debate uma questão que atravessa fronteiras, setores e realidades: como garantir que cada pessoa regressa a casa em segurança no final do dia. Este ano, o tema ganha ainda mais força num contexto de transformação acelerada dos ambientes laborais, marcado pela digitalização, novas formas de trabalho e riscos emergentes.
Um dia que lembra o essencial: a vida em primeiro lugar
Criado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), este dia pretende reforçar a prevenção como a ferramenta mais poderosa para reduzir acidentes e doenças profissionais. Apesar dos avanços, os números continuam a impressionar: milhões de trabalhadores em todo o mundo enfrentam diariamente riscos que poderiam ser evitados com políticas eficazes, formação contínua e uma cultura de segurança verdadeiramente integrada.
Riscos antigos, desafios novos
Se por um lado persistem problemas clássicos — quedas, má ergonomia, exposição a agentes químicos — por outro surgem ameaças modernas:
Sobrecarga digital e riscos psicossociais, como burnout e ansiedade;
Automatização e interação com máquinas inteligentes, que exigem novas competências;
Alterações climáticas, que aumentam episódios de calor extremo e impactam setores como agricultura, construção e logística.
A segurança no trabalho deixou de ser apenas capacetes e sinalização. Hoje, envolve também saúde mental, bem-estar e adaptação a um mundo laboral em constante mudança.
Em Portugal, o debate ganha tração
Empresas, associações e entidades reguladoras reforçam campanhas, formações e auditorias internas. A aposta em sistemas de gestão de SST, na monitorização contínua e na capacitação das equipas tem vindo a crescer, mas especialistas alertam: ainda há caminho a percorrer para consolidar uma cultura preventiva robusta e transversal.
Uma oportunidade para repensar prioridades
Mais do que uma data simbólica, o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho funciona como um espelho: mostra o que já foi conquistado, mas também o que ainda precisa de ser feito. É um convite à ação — para líderes, técnicos, trabalhadores e instituições — porque a segurança não é um custo, é um investimento que salva vidas, aumenta produtividade e fortalece organizações.
Fonte: Qualfood
O Pacto Português para os Plásticos apresentou novas metas estratégicas para 2030, reforçando a ambição de acelerar a transição para uma economia circular em Portugal e mobilizar toda a cadeia de valor do sector.
O anúncio surge num contexto de balanço positivo, evidenciado no quinto relatório de progresso da iniciativa, que destaca avanços relevantes. Cerca de 60% dos plásticos de uso único considerados problemáticos ou desnecessários já foram eliminados, enquanto 66% das embalagens colocadas no mercado são atualmente recicláveis e 5% reutilizáveis. A taxa de reciclagem de embalagens de plástico situa-se nos 39% e a incorporação média de plástico reciclado em novas embalagens atinge os 18%.
Apesar destes progressos, a iniciativa reconhece a necessidade de acelerar a transformação. As novas metas para 2030 estruturam-se em três eixos – Reduzir, Circular e Mobilizar – alinhados com objetivos europeus e compromissos globais.
No eixo “Reduzir”, destaca-se a eliminação total de plásticos de uso único problemáticos e a aposta no ecodesign para otimizar embalagens. Já no eixo “Circular”, o objetivo passa por atingir uma taxa de reciclagem de 70%, garantir que todas as embalagens sejam reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis e incorporar, em média, 30% de plástico reciclado.
A vertente “Mobilizar” aposta no envolvimento de empresas, entidades públicas e cidadãos, através de campanhas de sensibilização, capacitação e partilha de conhecimento, promovendo uma mudança sistémica nos padrões de produção e consumo.
Segundo Patrícia Carvalho, coordenadora da iniciativa, estas metas traduzem uma ambição reforçada e a urgência de alcançar resultados concretos em toda a cadeia de valor.
Integrado numa rede global liderada pela Fundação Ellen MacArthur e pela WRAP, o Pacto Português para os Plásticos reúne atualmente 115 entidades e pretende eliminar resíduos e poluição, garantindo que os plásticos permanecem na economia como recursos reutilizáveis.
Fonte: Grande Consumo
A DGAV publicou o Esclarecimento Técnico n.º 4/DGAV/2026, trazendo respostas muito aguardadas pelo setor lácteo sobre a comercialização de manteiga congelada e os requisitos legais que devem ser cumpridos para garantir segurança, transparência e conformidade.
O documento surge na sequência do aumento da utilização de manteiga congelada como matéria‑prima na indústria alimentar, bem como da necessidade de clarificar como este produto pode ser colocado no mercado sem comprometer a integridade, a rotulagem e a rastreabilidade exigidas pela legislação europeia e nacional.
O que muda na prática
Segundo o novo esclarecimento, a manteiga pode ser congelada e posteriormente comercializada desde que o operador assegure que o processo não altera as características essenciais do produto, nomeadamente composição, teor de gordura e propriedades organoléticas definidas para a categoria “manteiga”.
A DGAV reforça ainda que:
A congelação deve ser devidamente validada e controlada, integrando o plano HACCP do operador;
A rotulagem deve refletir de forma clara o estado do produto, incluindo menções obrigatórias sobre condições de conservação e utilização;
A rastreabilidade não pode ser comprometida, sendo obrigatório manter registos que permitam identificar o lote original, a data de congelação e o destino final;
A manteiga congelada não pode ser comercializada como “fresca”, evitando práticas que possam induzir o consumidor em erro.
Impacto para produtores e indústria
Para os operadores do setor lácteo, o esclarecimento representa uma oportunidade e um desafio. Por um lado, permite maior flexibilidade na gestão de stocks e na utilização de manteiga como ingrediente industrial. Por outro, exige rigor documental, controlo de processos e comunicação transparente, especialmente para empresas que exportam ou fornecem grandes cadeias de distribuição.
Especialistas do setor consideram que a clarificação “chega em boa hora”, num momento em que a pressão sobre custos e a necessidade de otimizar matérias‑primas tornam a congelação uma prática cada vez mais comum.
DGAV reforça foco na segurança alimentar
Com este novo esclarecimento técnico, a DGAV volta a sublinhar que a segurança alimentar e a proteção do consumidor permanecem no centro da regulamentação, incentivando os operadores a rever procedimentos internos e a garantir que todas as etapas — da congelação ao transporte — cumprem as normas aplicáveis.
Fonte: Qualfood
Os crustáceos representam um grupo grande e diversificado de espécies marinhas de elevado valor comercial, cujo consumo tem aumentado significativamente a nível global, não só pela sua ampla disponibilidade, mas também pelo seu elevado valor nutricional. Contudo, os crustáceos são considerados alimentos potencialmente alergénicos por serem capazes de desencadear reações adversas em indivíduos sensibilizados. Estas reações devem-se à existência de proteínas, conhecidas como panalergénios, que estão presentes nos crustáceos e outros artrópodes.
Dentro dos artrópodes, os insetos destacam-se como novas fontes de proteína recentemente introduzidas no mercado europeu, com crescente aceitação e integração na dieta dos países ocidentais. Nesse contexto, o consumo de insetos pode desencadear reações alérgicas em indivíduos sensibilizados a crustáceos, devido ao fenómeno de reatividade cruzada. Este trabalho apresenta a taxonomia dos artrópodes, o consumo de crustáceos e insetos comestíveis, bem como os principais panalergénios em crustáceos e insetos comestíveis.
Os crustáceos representam um grupo amplo e diversificado de espécies marinhas de alto valor comercial, cujo consumo tem aumentado significativamente em todo o mundo, não apenas devido à sua ampla disponibilidade, mas também ao seu elevado valor nutricional. No entanto, os crustáceos são considerados alimentos potencialmente alergênicos, pois podem desencadear reações adversas em indivíduos sensibilizados. Essas reações devem-se à presença de proteínas, encontradas em crustáceos e outros artrópodes, conhecidas como pan-alérgenos. Entre os artrópodes, os insetos destacam-se como novas fontes de proteína recentemente introduzidas no mercado europeu, com crescente aceitação e integração na dieta dos países ocidentais. Assim, o consumo de insetos pode levar a reações alérgicas em indivíduos sensibilizados a crustáceos, através do fenômeno da reatividade cruzada. Este trabalho apresenta a taxonomia dos artrópodes, o consumo de crustáceos e insetos comestíveis, bem como os principais pan-alérgenos presentes nesses alimentos.
Introdução
Os crustáceos são animais invertebrados artrópodes que representam um grupo amplo e diversificado de espécies. Eles são classificados taxonomicamente pelo subfilo Crustacea, cujo nome deriva da palavra latina casca, que consiste em um exoesqueleto rígido que protege e caracteriza esses animais. Este grupo inclui principalmente espécies marinhas que servem de alimento para vários animais marinhos, mas também para humanos, como camarões, lagostas, lagostins, caranguejos e cracas.
O mercado global de crustáceos representa um setor económico significativo, com estimativas a indicarem um valor aproximado de 51 mil milhões de USD em 2025 e com previsão de aumento para 70,5 mil milhões de USD até 2035, correspondendo a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 3,3 %, impulsionado pela elevada procura de proteínas de origem marinha e ao aumento da aquacultura em regiões como a Ásia-Pacífico. Em 2022 a captura de crustáceos na União Europeia (UE), totalizou cerca de 109 276 toneladas, com um valor de aproximadamente 919 milhões de euros, evidenciando o valor comercial destes alimentos no setor da pesca e aquacultura.
As espécies de crustáceos mais consumidas globalmente incluem camarões, nomeadamente o Litopenaeus vannamei, e caranguejos, como o Portunus trituberculatus. Os camarões representam o grupo dominante no consumo de crustáceos, impulsionados principalmente pela extensa produção em aquacultura e vasta disponibilidade no mercado. O consumo destes crustáceos tem aumentado significativamente a nível global, não só pela sua ampla disponibilidade, mas também pelo seu elevado valor nutricional. Estes organismos constituem uma fonte de proteínas de elevada qualidade, fornecendo todos os aminoácidos essenciais necessários ao organismo humano. São ricos em ácidos gordos ómega-3, associados a benefícios cognitivos e cardiovasculares, bem como em vitaminas do complexo B, iodo, selénio e outros minerais essenciais. Este perfil nutricional contribui para a sua elevada procura e inclusão em diversos padrões alimentares globais.
Apesar da relevância econômica e do alto consumo de crustáceos em nível global, sua ingestão não é isenta de riscos dado que a prevalência de alergia a esses alimentos pode variar de 0,5 % a 2,5%, na população geral, sendo observadas taxas mais altas em regiões costeiras ou em populações com ingestão frequente de frutos do mar. Em indivíduos sensibilizados, exposições mínimas por ingestão, contato ou inalação de vapores do processamento desses alimentos podem desencadear reações alérgicas graves, incluindo anafilaxia, exigindo a adoção de restrições dietéticas rigorosas. Consequentemente, os crustáceos fazem parte da lista dos 14 alimentos/ingredientes potencialmente alergênicos, cuja rotulagem é obrigatória e deve ser destacada na listagem.
Leia o artigo completo na TecnoAlimentar nº 46, janeiro/ março de 2026 dedicado ao tema Aquicultura e sustentabilidade.
Fonte: TecnoAlimentar
A cadeia do leite cru entra em 2026 com um quadro regulatório mais rigoroso e transparente. O Esclarecimento Técnico n.º 3/DGAV/2026 — recentemente disponibilizado pela Direção‑Geral de Alimentação e Veterinária — vem consolidar e clarificar os requisitos aplicáveis às operações de transporte, armazenagem e registo de informação, reforçando a rastreabilidade desde a exploração até ao primeiro destino industrial.
Segundo a DGAV, o objetivo central é garantir que cada litro de leite cru possa ser rastreado de forma inequívoca, reduzindo riscos sanitários e assegurando que operadores e autoridades dispõem de informação completa e verificável em caso de incidente. Embora o documento se enquadre no quadro já estabelecido pelos Regulamentos (CE) n.º 852/2004 e 853/2004, a sua publicação surge num momento em que a pressão sobre a cadeia de frio e a integridade dos géneros alimentícios é cada vez maior.
O que muda na prática
Registos mais detalhados e imediatos — Os operadores passam a ter de garantir que cada recolha, transferência e entrega de leite cru é acompanhada de informação completa sobre origem, volumes, horários, temperaturas e identificação do transporte;
Transporte sob maior vigilância — O esclarecimento reforça que o leite cru deve manter-se em condições que impeçam a multiplicação microbiana, destacando a importância da cadeia de frio e da monitorização contínua da temperatura durante todo o percurso;
Armazenagem com critérios mais estritos — As unidades de frio devem assegurar separação adequada, evitar sobrecarga e garantir circulação homogénea do ar, prevenindo zonas de risco e variações térmicas que comprometam a segurança do produto;
Responsabilidade reforçada do operador — A DGAV sublinha que cabe ao operador garantir que todos os requisitos legais são cumpridos, desde a recolha na exploração até à receção no estabelecimento de destino.
Porquê agora?
A publicação deste esclarecimento insere‑se numa estratégia mais ampla da DGAV para harmonizar procedimentos, reduzir ambiguidades e fortalecer a confiança na cadeia alimentar. Em 2026, vários documentos técnicos foram atualizados para consolidar práticas de higiene, controlo de temperatura e segurança dos alimentos de origem animal — incluindo leite e produtos lácteos.
Impacto no setor
Para produtores, transportadores e indústrias, o novo enquadramento significa:
maior previsibilidade regulatória;
necessidade de sistemas de registo mais robustos;
reforço das auditorias internas e da formação das equipas;
uma rastreabilidade mais sólida, capaz de responder rapidamente a incidentes.
O setor do leite cru entra assim numa nova fase, onde transparência, rigor e controlo operacional deixam de ser apenas boas práticas — passam a ser requisitos incontornáveis para operar em conformidade.
Fonte: Qualfood
Este guia técnico, desenvolvido pela FoodDrinkEurope em colaboração com a Fedima (Federation of European Manufacturers and Suppliers of Ingredients to the Bakery, Confectionery and Patisseries Industries ), oferece orientações práticas para apoiar pequenas e médias empresas (PMEs) no aumento do teor de grãos integrais em produtos de panificação em toda a Europa. Ele aborda a atual falta de definições e marcos regulamentares harmonizados para grãos integrais em nível da UE.
Principais conclusões e orientações:
Este guia fornece às padarias europeias o conhecimento técnico e as ferramentas práticas necessárias para aumentar o teor de grãos integrais no pão, melhorar a qualidade nutricional e contribuir para dietas mais saudáveis. Ao adotar inovações incrementais e boas práticas, as PMEs podem superar com sucesso os desafios técnicos e, ao mesmo tempo, atender à crescente demanda dos consumidores por produtos integrais.
Fonte: Food Drink Europe
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