Em um novo artigo publicado no International Journal of Food Microbiology , pesquisadores do Instituto Norueguês de Pesquisa em Alimentos, Pesca e Aquicultura (Nofima) relataram um processo bem-sucedido de "Buscar e Destruir" realizado por um produtor de salmão defumado envolvido em um surto de listeriose. O artigo descreve como a empresa identificou a fonte da contaminação e controlou a Listeria monocytogenes em suas instalações, além de destacar as principais lições para o setor.
Fonte: Food Safety Magazine
Investigadores chineses identificam mecanismo genético que permite desenvolver variedades de soja mais resistentes a solos salinos. Este é um desafio crescente para a agricultura em muitas regiões do mundo.
Uma equipa de investigadores na China conseguiu identificar um mecanismo genético chave que aumenta a tolerância da soja a elevados níveis de salinidade. O estudo incidiu sobre a soja selvagem (Glycine soja) e foi publicado na revista científica Plant Physiology and Biochemistry.
A investigação centrou-se no fator de transcrição GsWRKY23, que regula a ativação de um gene downstream, GsPER3, desempenhando um papel fundamental na resposta das plantas ao stress salino. O gene GsPER3 está envolvido no controlo das espécies reativas de oxigénio produzidas durante situações de stress ambiental, ajudando a proteger as células vegetais.
Os investigadores da Universidade Agrícola de Nanjing e da Universidade Agrícola de Xinjiang demonstraram que o GsWRKY23 ativa diretamente o gene GsPER3 ao ligar-se a uma região específica do seu promotor. Através de técnicas de edição genética, verificou-se que plantas com sobre-expressão de GsWRKY23 apresentavam níveis mais elevados de expressão de GsPER3 e maior atividade de peroxidase (POD), uma enzima associada à defesa antioxidante. Em contraste, plantas com expressão reduzida de GsPER3 mostraram uma resposta oposta.
Os resultados revelam que a ativação de GsPER3 melhora significativamente a tolerância à salinidade. As plantas modificadas apresentaram maior peso, melhor retenção de água nas folhas e menores níveis de danos celulares, avaliados através da redução da fuga eletrolítica e do teor de malondialdeído em raízes e folhas.
Segundo os autores, estes resultados demonstram o potencial da edição genética para desenvolver variedades de soja mais resilientes, capazes de crescer em solos salinos, um desafio crescente para a agricultura em muitas regiões do mundo.
Fonte: CiB
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou nas últimas semanas, uma operação de fiscalização através da Brigada Especializada de Vinhos e Produtos Vitivinícolas da Unidade Regional do Centro, direcionada à verificação do cumprimento das regras na distribuição e posterior comercialização de produtos vitivinícolas, no distrito de Viseu.
Durante a ação de inspeção, procedeu-se à apreensão de aproximadamente 21.130 litros de vinho engarrafado e prontos para serem introduzidos no consumo, dos quais, 11.450 litros de vinho branco e 9.680 litros de vinho tinto, em claro incumprimento da legislação aplicável.
Foram instaurados dois processos de contraordenação, por incumprimento das regras das menções obrigatórias na rotulagem de vinhos e falta de comunicação prévia dos rótulos ao Instituto da Vinha e do Vinho.
A falta de rotulagem impede a identificação adequada do produto, o que configura uma violação das exigências legais em vigor e uma prática fraudulenta, na medida em que induz em erro o consumidor, permitindo ao agente económico comercializar o produto com características
falsas ou manipuladas, resultando em lucros indevidos e fomentando uma concorrência desleal no mercado.
Fonte: ASAE
A crescente consciência ambiental está a transformar o setor vitivinícola português.
Mais do que práticas sustentáveis, importa que as empresas comuniquem as suas ações ambientais com clareza e credibilidade.
Rótulos “verdes” e certificações ambientais influenciam as decisões de compra dos consumidores de vinho.
O despertar “verde” no setor vitivinícola
O green marketing é cada vez mais uma peça-chave para o futuro do setor agrícola e vitivinícola.
Mais do que uma tendência, trata-se de uma forma de agir e comunicar, valorizando práticas sustentáveis, desde a vinha até ao consumidor final.
Ao reduzir o impacte ambiental da produção, apostar em embalagens ecológicas e transmitir de forma transparente o compromisso com a natureza, as empresas não só conquistam a confiança dos consumidores como também se diferenciam num mercado competitivo.
No caso do vinho, o green marketing reforça a ligação entre tradição e inovação, mostrando que é possível produzir com qualidade e, ao mesmo tempo, respeitar o ambiente.
Neste contexto, e para compreender esta dinâmica “verde” no mercado português, foi realizado um trabalho académico que teve por base um inquérito aplicado a uma amostra de 212 consumidores de vinho em Portugal, entre maio e junho deste ano.
O objetivo do trabalho foi conhecer e avaliar a perceção dos consumidores de vinho sobre a comunicação das ações ambientais pelas empresas vitivinícolas, com especial atenção aos elementos presentes nos rótulos.
Para ilustrar e contextualizar esta investigação, a empresa Esporão foi utilizada como um caso de estudo, reconhecida pela sua liderança em sustentabilidade no setor vitivinícola nacional.
O Esporão destaca-se pela integração estratégica de práticas sustentáveis – como a agricultura biológica em mais de 98% das suas áreas de produção, a conservação da biodiversidade e a utilização de garrafas mais leves e materiais recicláveis nas embalagens – e pela comunicação consistente dessas ações através dos seus produtos e canais, incluindo os rótulos.
Aceda aqui ao estudo realizado.
Fonte: Agroportal
Estão abertas as inscrições para as Centrais de Armazenamento e Embalamento (CAE) que pretendam exportar, durante a campanha 2026/2027, os frutos abaixo indicados, para os países terceiros referidos.
As CAE devem assegurar o cumprimento dos requisitos definidos nos Planos de Monitorização de Pragas das Unidades de Produção e nos Manuais de Procedimentos das Centrais, disponíveis para consulta aqui.
Planos de Trabalho acordados para exportação
Inscrições:
Procedimentos a cumprir pelas CAE:
Fonte: DGAV
A União Europeia (UE) lançou o RecFishing, uma solução digital para simplificar e racionalizar a recolha de dados sobre as capturas da pesca recreativa em todas as zonas marinhas da UE. Esta iniciativa contribuirá para “melhorar a nossa compreensão colectiva das actividades de pesca e para promover a gestão sustentável das unidades populacionais de peixes”.
Com a introdução de novas medidas em Janeiro, “a plataforma RecFishing está pronta para transformar a forma como os dados são recolhidos e utilizados pelas 22 nações costeiras da UE. Ao simplificar a forma como as informações sobre as espécies e as unidades populacionais de peixes são recolhidas, esta nova plataforma ajudará as autoridades a tomar decisões mais informadas, assegurando a saúde e a longevidade dos ecossistemas marinhos”, avança uma nota da Comissão Europeia.
Fornecerá igualmente aos cientistas “dados sólidos, melhorando a sua capacidade de monitorizar os níveis das unidades populacionais de peixes e impulsionando iniciativas de apoio à utilização sustentável dos recursos marinhos. A plataforma servirá como um instrumento importante para promover a responsabilização e a inovação nas práticas de pesca recreativa”.
“A pesca recreativa faz parte do compromisso da UE de promover a gestão ambiental e garantir um futuro próspero tanto para os nossos oceanos como para as comunidades que deles dependem”, reforça a mesma nota.
Mais informações sobre esta nova plataforma digital aqui.
Fonte: Agricultura e Mar
Em Portugal, o setor agrícola é responsável por 75% do total de água utilizada, um número que contrasta com a média da União Europeia (24%) e chega a ser superior à média mundial (69%), estando no entanto alinhado com o de países mediterrânicos como a Espanha e a Grécia. Tal é explicado pela existência de regadio, em que a rega de culturas compensa o calor e a falta de chuva que caracterizam as estações quentes do ano.
Para aprofundar conhecimento sobre esta problemática, a Fundação Gulbenkian encomendou ao C-Lab o estudo “O Uso da Água em Portugal”, desenvolvido entre 2019 e 2020.
Fazer diferente e pensar a longo prazo é um desafio que compete a todos: agricultores, setor agrícola, indústria alimentar, grande distribuição e consumidor, que faz a escolha final.
O projeto Gulbenkian Água tem três áreas de atuação prioritárias:
Fonte: Fundação Calouste Gulbenkian
O micélio está a ganhar destaque no campo da biotecnologia não apenas como fonte de alimento, mas também como material sustentável para aplicações industriais e ecológicas.
Com propriedades únicas de crescimento, versatilidade e biodegradabilidade, o micélio está a emergir como uma das peças-chave para soluções que combinam inovação e sustentabilidade ambiental.
O micélio é a “raiz” dos fungos — uma rede de filamentos que cresce através de materiais orgânicos. Ao alimentar-se de resíduos agrícolas ou industriais (como serradura ou palha), estas redes naturais criam uma matriz sólida que pode ser moldada em materiais leves, resistentes e completamente biodegradáveis.
Este processo elimina a necessidade de químicos nocivos e consome muito menos energia do que a produção de muitos materiais convencionais, contribuindo para uma economia circular com menor impacto ambiental.
Principais aplicações do micélio na biotecnologia sustentável
Materiais de construção ecológicos
Materiais compósitos feitos a partir de micélio podem substituir isolamentos tradicionais e elementos estruturais na construção. São leves, funcionam como excelente isolante térmico e acústico e reduzem até 60 % das emissões de carbono incorporado em comparação com materiais convencionais.
Moda e têxteis sustentáveis
O micélio é usado para criar biotecidos semelhantes ao couro — biodegradáveis, com baixa pegada hídrica e sem químicos agressivos. Estes materiais podem ser usados em calçado, bolsas e acessórios, reduzindo drasticamente o impacto ambiental da indústria da moda.
Embalagens biodegradáveis
O micélio pode ser moldado em embalagens que se decompõem naturalmente em poucas semanas, sem libertar microplásticos ou resíduos tóxicos — uma alternativa aos plásticos derivados de petróleo.
Alimentos funcionais e proteínas alternativas
Projetos pioneiros estão a explorar o micélio como base de alimentos funcionais — ricos em nutrientes — oferecendo alternativas nutritivas às proteínas tradicionais. Este tipo de biotecnologia pode transformar resíduos em ingredientes alimentares sustentáveis.
Onde é que o micélio está a ser usado em biotecnologia em Portugal?
O potencial do micélio já está a ser explorado em várias frentes dentro do ecossistema tecnológico português:
Construção e materiais sustentáveis
Investigação alimentar e biotecnológica
Investigação académica & inovação proteica
Por que é que isto importa?
O micélio representa uma das fronteiras mais promissoras da biotecnologia aplicada à sustentabilidade. Ao transformar resíduos em materiais de alto valor acrescentado — desde isolamentos verdes até alimentos funcionais — esta solução biológica atribui um novo significado à expressão “circularidade industrial”.
Em Portugal, startups, projetos académicos e iniciativas financiadas já estão a demonstrar que a combinação de biotecnologia e economia circular pode gerar impacto ambiental real, inovação tecnológica e valor económico, abrindo caminho para um futuro mais sustentável e verde.
Fonte: CiB
A Autoridade de Segurança Alimentar da Irlanda (FSAI) publicou uma atualização significativa ao seu guia técnico para o controlo de Listeria monocytogenes em alimentos prontos a comer (RTE). As novas orientações acompanham a implementação do Regulamento (UE) 2024/2895, que entra em vigor a 1 de julho de 2026, e reforçam as responsabilidades dos operadores do setor alimentar no que diz respeito à gestão do risco associado a este patogénio.
Entre as principais alterações destaca‑se o reforço das exigências para a demonstração da vida útil, especialmente em produtos que suportam o crescimento de L. monocytogenes. Nestes casos, os operadores devem comprovar, através de estudos robustos, que o limite de 100 ufc/g é cumprido até ao final da vida útil.
O guia atualizado também dá maior ênfase aos programas de monitorização ambiental, agora considerados elementos centrais na prevenção da contaminação em ambientes de produção de alimentos RTE. A FSAI reforça a necessidade de planos estruturados de amostragem, investigação de resultados positivos e eliminação de nichos persistentes, em linha com as melhores práticas internacionais.
A nova versão apresenta orientações mais detalhadas sobre como estruturar um Programa de Monitorização Ambiental (EMP) eficaz. Inclui maior ênfase na avaliação de risco, na seleção de locais de amostragem, na frequência adequada e na necessidade de ajustar o programa com base no histórico da instalação. A categorização das zonas de risco (1 a 4) é clarificada e integrada de forma mais operacional.
A atualização descreve de forma mais clara como investigar resultados positivos de Listeria no ambiente. Inclui orientações sobre rastreabilidade interna, intensificação de amostragem, validação de higienização e análise de tendências. A necessidade de documentação estruturada e de registos consistentes é reforçada.
Com estas alterações, a Irlanda procura harmonizar a sua abordagem com o Codex Alimentarius e com o novo enquadramento europeu, promovendo uma gestão mais rigorosa e preventiva do risco de Listeria monocytogenes ao longo da cadeia alimentar.
Fonte: Qualfood
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