Se o Reino Unido aceitar um acordo comercial com os EUA, os britânicos poderão começar a ter de lidar com uma maior existência de pêlos de rato, porções de insectos e mofo nos bens alimentares consumidos. Chocolates com pequenos resquícios de insectos, massas com pêlos de ratos e sumo de laranja até 250 ml com uma larva incluída ou com duas larvas por cada 100 gr de molho de tomate usado em pizzas poderão ser alguns dos exemplos.
As regras nos EUA também permitem que os produtores passem com bolor por uma secção variada de comida: um quarto das azeitonas colocado no mercado pode ter vestígios de fungos, tal como 20% do ananás em lata e até 15% de molho de arando.
As normas que regulam a higiene e condições dos bens alimentares nos Estados Unidos são um pouco mais permissivas do que na União Europeia (EU). Por exemplo, os produtores norte-americanos podem legalmente incluir até 30 fragmentos de insectos num jarro de manteiga de amendoim com 100 gr; até 11 pêlos de roedores num frasco de paprica com 25 gr; ou até 3 mg de excrementos de ratos por cada libra de gengibre.
Contrariamente, na Europa não há limites de corpos estranhos permitidos em qualquer tipo de comida, dado que não são permitidos.
Membros do Parlamento comentaram com a Business Insider que estão preocupados que o Brexit provoque uma contaminação alimentar nos supermercados britânicos. "Claramente, os Tories vão ter algumas surpresas desagradáveis ao jantar no Reino Unido se fizerem à sua maneira o acordo comercial com os Estados Unidos", disse Bill Esterson, Ministro do Comércio do Partido Trabalhista. "Sabemos que os Tories são apreciadores dos frangos lavados com cloro e os bifes injectados com hormonas, mas não podem decerto esperar o que povo Britânico fique feliz em engolir estes horrores", reforçou.
A opinião é partilhada por Caroline Lucas, ex-líder do Partido Verde, que acrescentou que esta é a "realidade arrepiante do acordo comercial norte-americano, publicitada pelo Liam Fox como sendo um dos grandes benefícios de abandonar a UE."
Por seu turno, o ministro do Comércio Internacional britânico Liam Fox negou que o Reino Unido irá baixar os padrões de exigência referentes aos bens alimentares depois do Brexit, mas admitiu que ainda não foi excluído mudá-los de forma a conseguir firmar novos acordos comerciais com outros países.
Para Sam Lowe, um especialista de comércio do Centre For European Reform, defende, em declarações à mesma publicação, que os EUA irão pressionar o Reino Unido para abandonar os regulamentos dos produtos alimentares no futuro. "Os Estados Unidos não gostam de muitas das medidas da União Europeia e irão seguramente pressionar o Reino Unido para abandonar muitas delas durante as negociações", afirmou.
Fonte: Sábado