Portuguese English French German Italian Spanish

  Acesso à base de dados   |   em@il: qualfood@idq.pt

Segurança Alimentar | As paletes de madeira

  • Thursday, 27 August 2026 16:13

Se é gestor, consultor ou auditor de segurança alimentar, provavelmente já teve muitas conversas sobre paletes de madeira ao longo dos anos.

As conversas decorrem mais ou menos assim…

Gestor do armazém: «As paletes de madeira servem perfeitamente. Sempre as utilizámos.»

Gestor de compras: «São mais baratas e mais fáceis de adquirir.»

Diretor financeiro: «Por que razão gastaríamos mais em paletes de plástico se as de madeira dão conta do recado?»

Responsável pela produção: «Não se preocupe, se alguma ficar danificada, retiramo-la imediatamente da área.»

Este é o conhecido impasse entre custo, praticabilidade e segurança alimentar. No que diz respeito às paletes, os aspetos de segurança alimentar deste debate são óbvios.

As paletes de madeira apresentam riscos tanto físicos como microbianos nas áreas de produção alimentar: riscos físicos decorrentes de lascas, agrafos e pregos; riscos microbianos porque a sua natureza absorvente os torna um refúgio ideal para agentes patogénicos como a Listeria monocytogenes.

O problema é que pode ser difícil convencer os seus colegas (e clientes) de que as paletes de madeira não são apenas um risco teórico, mas representam perigos reais para os consumidores.

E foi por isso que um recall devido a um objeto estranho me chamou a atenção na semana passada. O comunicado identificou especificamente o contaminante como proveniente de uma palete.

Isto é útil porque pode utilizar este recall como prova de que pedaços de palete podem (e de facto acabam por!) ir parar aos ingredientes alimentares e ao equipamento alimentar, apesar dos melhores esforços dos operadores para verificar se as paletes estão danificados, partidos ou lascados.

Pedaços de madeira em latas de guisado: recolha — maio de 2025

O Serviço de Inspeção de Segurança Alimentar dos Estados Unidos (FSIS) anunciou a recolha de cerca de 256 000 lb de guisado de carne «Hormel Dinty Moore» na sequência de três reclamações de consumidores relativas à presença de madeira. FSIS | USDA

Pedaços de madeira incrustados na massa dos corn dogs: recolha — abril de 2025

O FSIS anunciou um recall de aproximadamente 3,84 milhões de libras de corn dogs de frango da Foster Poultry Farms devido à presença de fragmentos de madeira. FSIS | USDA

Madeira no ingrediente de coentros: alerta de saúde pública — abril de 2025

O FSIS emitiu um alerta para vários produtos de sopa e pratos prontos depois de um ingrediente ter sido recolhido devido a contaminação por madeira. Neste caso, o material estranho foi introduzido numa fase anterior da cadeia de produção e, posteriormente, espalhou-se por vários produtos acabados. Quality Assurance Mag

Conclusões para profissionais de segurança alimentar

Já sabe que as paletes de madeira são proibidas em áreas de manuseamento de alimentos. Utilize este cenário para demonstrar aos seus colegas de trabalho que as paletes podem criar — e de facto criam — riscos nos alimentos que podem prejudicar os consumidores e levar a recolhas dispendiosas.

Fonte: The Rotten Apple

 

Investigadores desenvolveram formulações de ketchup enriquecidas com proteína extraída da microalga Chlorella vulgaris. As amostras com 3 % e 5 % de extrato apresentaram duas a três vezes mais proteína, enquanto concentrações mais elevadas tiveram menor aceitação na avaliação sensorial.

A incorporação de proteína de microalgas pode aumentar o valor nutricional do ketchup, embora a quantidade adicionada influencie características como o sabor e a cor. A conclusão resulta de um estudo publicado na revista científica ACS Food Science & Technology

Os investigadores utilizaram proteína extraída da microalga Chlorella vulgaris para desenvolver diferentes formulações de ketchup, com concentrações entre 1 % e 13 %. Além do extrato protéico, foram utilizados ingredientes como tomate, açúcar, sal, vinagre, especiarias e ácido cítrico. As amostras foram posteriormente engarrafadas e pasteurizadas. 

Formulações apresentam duas a três vezes mais proteína

As formulações com 3 % e 5 % de extrato de microalgas apresentaram entre duas e três vezes mais proteína do que o ketchup sem enriquecimento utilizado no estudo.

Os investigadores identificaram também quantidades superiores de aminoácidos essenciais, minerais, particularmente sódio e ferro, e antioxidantes nas formulações enriquecidas. 

A utilização de Chlorella vulgaris foi considerada pelos investigadores devido ao seu teor proteico e às características associadas ao seu cultivo. Segundo os autores, esta microalga pode ser produzida rapidamente ao longo do ano, utilizando comparativamente pouca área terrestre e água doce.

Quantidade adicionada condiciona aceitação

A equipa avaliou também o impacto da incorporação da proteína nas características sensoriais do ketchup. Um painel constituído por 15 pessoas provou as diferentes formulações depois do engarrafamento e da pasteurização.

As amostras com 1 % e 3 % de proteína adicionada mantiveram o sabor doce, ácido e ligeiramente condimentado característico do ketchup, apresentando apenas uma nota subtil associada às microalgas.

Nas formulações com 5 % e 13 %, o sabor das microalgas e a tonalidade esverdeada tornaram-se mais evidentes, o que reduziu a aceitação das amostras apesar do aumento do teor proteico. 

Os resultados apontam, assim, para a necessidade de equilibrar o enriquecimento nutricional com a manutenção das características sensoriais do produto.

Estudos com mais consumidores serão necessários

Os investigadores consideram que a incorporação moderada de proteína de microalgas pode constituir uma possibilidade para aumentar o valor nutricional deste tipo de produto. O trabalho encontra-se, contudo, numa fase de investigação.

Entre os próximos passos estão estudos com um maior número de consumidores, ensaios de vida útil e o desenvolvimento do produto à escala comercial.

Fonte: TecnoAlimentar

As regras de produção de queijo são rigorosas, mas terão de ser aligeiradas. É a resposta para garantir a produção dos queijos mais famosos do país, depois de a seca e as ondas de calor terem afetado as pastagens. De outra forma, estará em causa o sustento dos trabalhadores rurais.

Uma das iguarias mais conhecidas de França é o queijo Comté, feito com leite cru de vacas nas montanhas de Jura. São mais de 62 mil toneladas por ano. E, a partir de agora, os seus produtores estão autorizados a aplicar regras menos rígidas, anunciou o Governo.

Também os produtores de Beaufort e Abondance, dois queijos feitos com leite de vacas criadas nos Alpes, receberam a mesma permissão devido ao estado das paisagens.

São queijos com denominação de origem protegida, com regras apertadas, para garantir a sua autenticidade e proteger os métodos de produção tradicionais.

A seca afetou 95% do território continental francês em julho, deixando amarelas pastagens que costumavam ser verdejantes. Por isso, a partir de agora, anunciaram as autoridades francesas, estes produtores vão poder complementar, de forma temporária, a dieta dos animais com mais forragem e grãos trazidos de outros locais.

Em complemento, os agricultores receberão apoios - incluindo aqueles que fazem outros tipos de queijo como o reblochon, o cantal, o bleu d’Auvergne ou o fourme d’Ambert.

“Não há mesmo mais pasto para comer, está completamente queimado, não tem qualquer valor”, descreveu Hubert Genty, produtor de queijo em Richemont, na Normandia, em declarações ao canal TF1. A família costumava produzir 600 a 700 queijos por dia. Está agor nos 400 a 450, devido à baixa produção de leite.

Fonte: CNNPortugal

A agricultura deve dar maior prioridade à produção de alimentos diversificados e nutritivos, além de garantir volumes suficientes para abastecer a população, defendeu Qu Dongyu, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no Congresso Internacional de Horticultura de 2026, em Quioto.

Segundo o responsável, frutas, vegetais e outras culturas hortícolas têm um papel relevante em dietas saudáveis, na biodiversidade, na resiliência climática e nos meios de subsistência.

“O sucesso não pode mais ser medido simplesmente pela quantidade de alimentos que produzimos. Ele também deve ser medido pela capacidade da agricultura de fornecer os alimentos que as sociedades saudáveis necessitam e pela disponibilidade, acessibilidade e preços acessíveis a todos”, afirmou Qu Dongyu.

Entre 2010 e 2024, a produção de frutas e vegetais cresceu mais rapidamente do que a de cereais. A horticultura representa atualmente quase um quarto do valor da produção agrícola global, cerca de 1,4 biliões de dólares.

As exportações do setor cresceram cerca de 2,6% ao ano nesse período, atingindo 175 milhões de toneladas, no valor de 240 mil milhões de dólares, em 2024.

Apesar deste desempenho económico, o diretor-geral da FAO sublinhou que esse crescimento não se traduziu em dietas mais saudáveis.

Produção insuficiente para cumprir recomendações

Qu Dongyu identificou três desafios para desbloquear o potencial nutricional da horticultura: produtividade, disponibilidade e acessibilidade.

Segundo a FAO, a produtividade das culturas hortícolas cresceu menos de 1% ao ano, ficando atrás da de outros cereais, num contexto de subinvestimento em investigação, genética e infraestrutura.

Em termos de disponibilidade, a análise mais recente da FAO mostra que, em 2023, apenas cerca de metade dos países produzia frutas e vegetais suficientes para atingir a recomendação conjunta da FAO e da OMS de 400 gramas por pessoa por dia.

O consumo médio global situa-se abaixo desse valor, estimado em 80 gramas de fruta e 190 gramas de vegetais por pessoa por dia.

No acesso económico, a FAO aponta para uma subida dos preços ao produtor entre 2016 e 2025 em 89% dos países no caso da fruta e em 93% dos países no caso dos vegetais. Os aumentos médios anuais foram de cerca de 4,2% e 4,7%, respetivamente.

As projeções indicam que, até 2050, menos de um terço dos países da África Subsaariana terá oferta suficiente de frutas e vegetais para cumprir a recomendação conjunta da FAO e da OMS.

Investimento em sementes, rega e pós-colheita

Perante recursos hídricos e terrestres cada vez mais limitados, e com maior pressão associada às alterações climáticas, Qu Dongyu defendeu investimento em sementes e materiais de plantação melhorados, solos mais saudáveis, rega eficiente, mecanização e tecnologias digitais.

O diretor-geral da FAO apontou ainda a necessidade de reforçar os serviços de extensão rural, os sistemas pós-colheita e a ligação entre produtores e mercados.

“O crescimento futuro terá de vir cada vez mais da produção de mais recursos com menos recursos”, afirmou.

Qu Dongyu considerou que o progresso no setor exigirá transformação, e não apenas expansão, colocando os agricultores no centro das decisões.

“Nenhuma inovação, política ou investimento terá sucesso sem o conhecimento, a confiança e a participação dos agricultores. O trabalho de cientistas e investigadores precisa ser reconhecido pelos agricultores”, afirmou.

Pequenos produtores têm peso central

A FAO destaca que a inteligência artificial (IA), a edição genómica e as ferramentas digitais estão a acelerar o melhoramento genético e a reduzir perdas pós-colheita.

Qu Dongyu citou o trabalho do Centro Conjunto FAO/IAEA de Técnicas Nucleares na Alimentação e Agricultura sobre melhoramento por mutação, que contribuiu para o lançamento oficial de mais de 3450 variedades de culturas em mais de 70 espécies de plantas, incluindo frutas e vegetais.

O responsável defendeu que a inovação deve ser acessível, economicamente viável e passível de adoção, em particular pelos pequenos produtores.

As explorações agrícolas com 20 hectares ou menos são responsáveis por mais de metade da produção mundial de frutas e vegetais. Na Ásia e na África Subsaariana, esse peso ultrapassa 80%.

Qu Dongyu apelou ainda aos governos para apoiarem o setor através de investigação, sistemas de sementes, infraestrutura, política comercial e mercados que recompensem a qualidade e o valor nutricional.

Tradição e inovação

O diretor-geral da FAO defendeu também que o futuro da horticultura deve ter em conta o conhecimento tradicional acumulado ao longo de gerações.

Quase metade dos 104 sistemas reconhecidos pela FAO como Património Agrícola de Importância Global envolve a horticultura, incluindo pomares de jujuba no condado de Jia, na China, palmeiras e olivais no oásis de Siwa, no Egito, e sistemas de cultivo em terraços nos Andes peruanos.

Durante uma sessão de perguntas e respostas, Qu Dongyu destacou a aplicação de tecnologias avançadas como forma de desbloquear o potencial de culturas e métodos de produção tradicionais. Sublinhou também a necessidade de orientar os consumidores para novos padrões de consumo e para a redução do desperdício alimentar.

Fonte: Vida Rural

A Universidade Estadual de Montana, nos Estados Unidos da América (EUA), inaugurou um novo Laboratório de Lã para apoiar a formação de estudantes e ajudar os produtores ovinos a tornar a produção de lã mais eficiente e rentável.

A instalação, inaugurada em julho, custou cerca de 10 milhões de dólares e foi financiada por verbas legislativas e donativos privados e tem como objetivo contribuir para a revitalização da indústria regional da lã.

O projeto surge num contexto de perda de expressão da fileira ovina nos EUA. Nos últimos 80 anos, o efetivo ovino norte-americano diminuiu 90%. Em Montana, a produção de lã caiu dois terços nas últimas três décadas e o número de explorações ovinas reduziu-se para metade.

Em 2024, o estado contava com cerca de 190 mil ovinos e cerca de 1100 explorações ligadas à produção de lã.

Um laboratório para formar a próxima geração

O novo Laboratório de Lã substitui instalações mais antigas, cuja origem remonta à década de 1940. Segundo o responsável pela infraestrutura, Brent Roeder, laboratórios deste tipo eram comuns em universidades públicas com ligação à agricultura e às ciências agrárias em meados do século XX, mas hoje são raros nos EUA.

A Universidade Estadual de Montana mantém também um rebanho ovino, que é usado para dar experiência prática aos estudantes de agronomia, incluindo na seleção de animais de qualidade para venda.

O responsável pelo laboratório afirma também que o investimento pretende também aproximar os estudantes da fileira da lã, sublinhando que pretende mostrar aos alunos “porque é que a indústria da lã ainda é importante e relevante”.

Lã perdeu espaço para fibras sintéticas
A aposta da universidade surge depois de décadas em que a lã perdeu mercado para os tecidos sintéticos.

“Foi apenas nos últimos 70 ou 80 anos que os materiais sintéticos entraram em cena. E dominaram completamente todo o sistema de fabrico de tecidos”, afirmou Brent Roeder.

O especialista defende uma maior valorização das fibras naturais, incluindo algodão e lã, e aponta críticas ao custo ambiental dos materiais sintéticos, produzidos a partir de combustíveis fósseis, não biodegradáveis e associados à libertação de microplásticos durante a lavagem.

O Laboratório de Lã pretende desenvolver formas mais económicas de produzir e processar lã. Os produtores de Montana participam na orientação da investigação, com avaliações realizadas de dois em dois anos por 25 criadores de ovinos.

Fonte: Vida Rural

A Comissão Europeia não conseguiu garantir a isenção de tarifas para os produtos vinícolas no acordo fechado com os Estados Unidos da América (EUA), uma reivindicação defendida fortemente por Itália e França.

Apesar da pressão dos dois maiores produtores vinícolas europeus, a medida não foi incluída nos detalhes do entendimento comercial entre a União Europeia (UE) e os EUA.

“Infelizmente, não conseguimos”, admitiu o comissário para o Comércio e Segurança Económica, Maroš Šefčovič, em conferência de imprensa em Bruxelas.

Tal como a maioria dos produtos comunitários, o vinho enfrentará um agravamento alfandegário de 15% à entrada no mercado norte-americano.

A Comissão Europeia afirmou ainda que o acordo comercial alcançado representa o cumprimento dos objetivos traçados e constitui o “cenário mais favorável” alguma vez concedido por Washington a um país parceiro.

A propósito do acordo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, referiu que “confrontados com uma situação difícil, obtivemos resultados positivos para os nossos Estados-Membros e para a indústria e restabelecemos a clareza e a coerência do comércio transatlântico”.

E continua: “este não é o fim do processo, continuamos a dialogar com os EUA para acordar mais reduções tarifárias, identificar mais áreas de cooperação e criar mais potencial de crescimento económico. Ao mesmo tempo, continuamos a diversificar as nossas parcerias comerciais internacionais, criando emprego e prosperidade na UE”.

Fonte: Vida Rural

A taxa de inflação homóloga da zona euro aumentou para 2,9% em julho de 2026, face aos 2,8% registados em junho, segundo os dados divulgados pelo Eurostat. Há um ano, a inflação situava-se nos 2,0%.

Na União Europeia (UE), a taxa de inflação anual também acelerou, passando de 2,9% em junho para 3,0% em julho. Em julho de 2025, a inflação na UE era de 2,4%.

Em Portugal, a taxa de inflação anual medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) situou-se em 3,1% em julho. A evolução coloca Portugal ligeiramente acima das médias europeias, com uma diferença de 0,2 pontos percentuais face à zona euro e de 0,1 pontos percentuais em relação à UE.

 Em termos homólogos, a inflação portuguesa também está acima do valor registado há um ano, quando se situava em 2,5%.
 
Serviços e energia pressionam os preços

Na zona euro, os serviços continuaram a ser o principal motor da inflação em julho, contribuindo com 1,55 pontos percentuais para a taxa anual de 2,9%. A inflação nos serviços situou-se em 3,3%.

A energia apresentou uma taxa de inflação de 10,3%, contribuindo com 0,94 pontos percentuais para a inflação global. Já os bens industriais não energéticos e a alimentação, álcool e tabaco contribuíram, cada um, com 0,23 pontos percentuais, registando taxas de inflação de 0,9% e 1,2%, respetivamente.

Excluindo a energia, a inflação ficou em 2,2%, enquanto a medida que exclui energia, alimentação, álcool e tabaco se situou nos 2,5%.

Diferenças entre os Estados-Membros

A evolução dos preços continua a apresentar diferenças expressivas entre os países da União Europeia.

As taxas mais baixas foram registadas na Suécia (0,3%), na Chéquia (1,3%) e na Dinamarca e Hungria (1,6%).

No extremo oposto, a Roménia registou a inflação mais elevada, com 8,2%, seguida da Lituânia (5,4%) e de Chipre e Bulgária (4,4%).

Face a junho, a inflação anual diminuiu em 15 Estados-Membros, manteve-se estável em três e aumentou em nove.

Fonte: Grande Consumo

A Fundação Mendes Gonçalves apresenta o guia de boas práticas Proteção e Regeneração do Solo, uma publicação que reúne recomendações práticas baseadas em conhecimento científico para apoiar agricultores, técnicos e profissionais ligados à gestão do território na adoção de práticas que contribuam para solos mais saudáveis e sistemas agrícolas mais resilientes, produtivos e sustentáveis. Desenvolvido no âmbito do programa Regenerar, com o apoio financeiro do projeto Soilscape e enquadrado nos objetivos da Missão Solo do Horizonte Europa, o guia procura aproximar a investigação científica da prática agrícola e contribuir para decisões adaptadas à realidade de cada solo, cultura e exploração.

A agricultura regenerativa tem vindo a ganhar espaço no debate sobre o futuro da produção alimentar, num contexto marcado pelas alterações climáticas, escassez de água, perda de biodiversidade e necessidade de tornar os sistemas agrícolas mais resilientes. Transformar estes princípios em decisões concretas no terreno exige mais do que adotar um conjunto de práticas: primeiro é necessário compreender o contexto e diagnosticar as limitações existentes.

É precisamente dessa premissa que parte o guia de boas práticas Proteção e Regeneração do Solonão existem receitas universais para regenerar um solo. Antes de qualquer intervenção, é necessário avaliar três dimensões inseparáveis da saúde do solo — física, química e biológica. O documento propõe, por isso, um percurso que começa no conhecimento e mapeamento do território, passa pela observação no campo e pelas análises laboratoriais e só depois conduz à definição das práticas mais adequadas a cada realidade.

“A agricultura regenerativa não deve ser encarada como uma receita que se aplica da mesma forma em todo o lado. O primeiro passo é perceber o estado do solo, quais as suas limitações e potencial. Com este guia queremos apoiar a disseminação de conhecimento científico, tornando-o não só mais acessível, mas, sobretudo, mais útil para quem tem de tomar decisões dia a dia no terreno”, afirma Manuel dos Santos, diretor do programa Regenerar da Fundação Mendes Gonçalves.

O guia de boas práticas Proteção e Regeneração do Solo organiza esta abordagem em torno de seis princípios fundamentais: compreender o contexto; minimizar a perturbação do solo; fornecer o solo com carbono; manter o solo coberto; promover a biodiversidade acima e abaixo da superfície; e integrar a pecuária. A partir destes princípios, são aprofundadas seis áreas: intervenção mecânica no solo; culturas de cobertura; matérias orgânicas e mulching; fertilização integrada; gestão de pragas e doenças; e integração animal. Em cada uma são apresentados fundamentos agronómicos, benefícios, estratégias de aplicação e principais erros a evitar.

Entre as práticas analisadas estão, por exemplo, as culturas de cobertura, utilizadas para proteger o solo da erosão, favorecer a infiltração da água e aumentar a biodiversidade; a gestão da matéria orgânica, determinante para a estrutura do solo, a retenção de água e a disponibilidade de nutrientes; ou a fertilização integrada, assente no equilíbrio nutricional e no conhecimento das necessidades efetivas do solo e das culturas.

“Um dos grandes desafios está em conseguir fazer chegar o conhecimento científico a quem trabalha diariamente no terreno, de forma útil e reaplicável. É esse o papel que queremos assumir com o programa Regenerar: criar pontes entre investigação e prática, partilhar conhecimento e contribuir para que agricultores e técnicos tenham cada vez mais ferramentas para tomar decisões informadas e ajustadas ao seu contexto”, acrescenta Manuel dos Santos.

Pode consultar o guia AQUI.

Fonte: Agroportal

Um fabricante português de garrafas de PET, assegura a produção das embalagens, que são posteriormente enchidas por uma produtora nacional de sumos frescos e bebidas funcionais. A colaboração centra-se na validação do processamento do material e na avaliação do seu desempenho ao longo de todo o processo, desde o fabrico das garrafas até à fase de enchimento.

O PEF é um material reciclável, de origem vegetal e concebido para oferecer propriedades de barreira superiores às dos plásticos convencionais de origem fóssil, contribuindo para preservar as características e a qualidade das bebidas.

Através desta iniciativa, os parceiros pretendem demonstrar a possibilidade de integrar materiais renováveis em processos industriais e cadeias de abastecimento já existentes, avaliando simultaneamente o potencial do PEF para aumentar a proteção do produto, prolongar o prazo de validade e reduzir o impacto ambiental das embalagens.

“Este projeto demonstra como os novos materiais podem ser integrados nos processos de produção de garrafas já existentes”, afirma Lígia Passos, diretora de I&D da empresa de embalagens. “A colaboração com os restantes parceiros permite-nos avaliar o desempenho do PEF numa aplicação em contexto real e ao longo de toda a cadeia de valor.”

"A cooperação entre os vários intervenientes é essencial para avaliar o comportamento de novos materiais em aplicações reais". Segundo a responsável, o projeto permite analisar o desempenho do PEF ao longo de todo o processo produtivo, num segmento em que a procura de embalagens mais sustentáveis continua a aumentar.

Fonte: iAlimentar

A Rede de Alerta Rápido para Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais (RASFF) emitiu o alerta 2026.7463 após a deteção de dióxido de titânio, como agente de revestimento.

A autorização para a utilização do dióxido de titânio foi revogada (Regulamento (UE) n.º 2022/63 da Comissão) na sequência da reavaliação realizada pela EFSA, na qual se concluiu que não pode ser considerado seguro quando utilizado como aditivo alimentar, devido à sua possível genotoxicidade.

 Motivo do alerta

A presença de um ingrediente não autorizado implica risco potencial para a saúde pública.

Segundo o enquadramento legal e os procedimentos nacionais, quando um género alimentício não seguro é identificado, o operador deve comunicar o caso às autoridades competentes — DGAV ou ASAE — sem necessidade de duplicação da notificação, conforme esclarecido no Esclarecimento Técnico n.º 6/DGAV/2026. O alerta RASFF permite que os Estados‑Membros atuem rapidamente, retirando o produto do mercado e evitando a sua circulação na UE.

Situação em Portugal

As autoridades portuguesas estão a acompanhar o caso, assegurando a retirada do suplemento alimentar e a avaliação da cadeia de produção para determinar a origem. O operador responsável deverá implementar medidas corretivas e garantir que futuros produtos cumprem integralmente a legislação europeia sobre substâncias não autorizadas.

Contexto regulatório

A UE mantém uma política rigorosa sobre aditivos alimentares, exigindo avaliação científica prévia e autorização antes da sua utilização em alimentos ou suplementos. A inclusão de ingredientes não autorizados — como o dióxido de titânio- constitui violação direta da legislação, justificando a emissão de alertas RASFF e ações de controlo reforçadas.

Ponto de situação

O alerta RASFF 2026.7463 permanece ativo enquanto decorrem as ações de retirada e investigação. Consumidores são aconselhados a evitar suplementos contendo dióxido de titânio.

Fonte: Qualfood