À medida que as alterações climáticas, a urbanização e a insegurança alimentar remodelam a agricultura, a agricultura moderna em ambientes fechados – desde estufas a quintas verticais – surge como uma possível solução. Mas, além de alguns possíveis benefícios, quais são as implicações para a segurança alimentar?
Uma nova publicação da FAO, Agricultura moderna em ambientes fechados e segurança alimentar – Uma revisão dos riscos, controlos e considerações regulamentares, oferece a primeira revisão global abrangente das oportunidades e riscos associados às culturas cultivadas em ambientes fechados e controlados, como hortas verticais, sistemas hidropónicos e aquaponia.
A agricultura interior é frequentemente promovida como uma alternativa mais segura à agricultura convencional, com benefícios, tais como a redução do uso de pesticidas, a gestão eficiente da água e dos fertilizantes e a produção local durante todo o ano. Embora estes sistemas ofereçam possíveis vantagens, o relatório sublinha que não estão imunes a riscos de segurança alimentar. O relatório destaca que os riscos de segurança alimentar, especialmente os riscos microbiológicos como a Salmonella e a E. coli, continuam presentes. Sementes, água, substratos e até mesmo o manuseio humano podem introduzir contaminação se não forem cuidadosamente geridos.
A publicação oferece uma visão geral científica dos riscos associados às culturas em ambientes fechados, identifica as medidas de controle disponíveis e mapeia as orientações regulatórias existentes. Ela também aponta lacunas na pesquisa e enfatiza a importância de uma comunicação clara entre reguladores, produtores e consumidores para garantir a confiança nesses novos sistemas de produção.
“A agricultura interior tem um potencial significativo para contribuir para sistemas agroalimentares sustentáveis e resilientes. Mas práticas rigorosas de segurança alimentar e supervisão continuam a ser essenciais para tornar essa promessa uma realidade”, afirmou Masami Takeuchi, responsável pela segurança alimentar da FAO, que coordenou a elaboração do relatório.
“A chave para o sucesso da agricultura interior é alcançar competitividade económica com as culturas convencionais”, acrescentou Keith Warriner, um dos principais autores da Universidade de Guelph. «Ao mesmo tempo, as condições dentro das explorações agrícolas internas podem favorecer a sobrevivência de agentes patogénicos, pelo que a prioridade deve ser evitar que os perigos entrem nas instalações.» Em conjunto, estas ideias sublinham a importância de aliar a inovação à vigilância, para que a agricultura interior possa crescer de forma segura e sustentável no futuro.
À medida que a agricultura interior continua a evoluir, a integração de medidas robustas de segurança alimentar será fundamental para libertar todo o seu potencial. A agricultura moderna em ambientes fechados e a segurança alimentar – Uma revisão dos riscos, controlos e considerações regulamentares serve como um guia oportuno para os decisores políticos, produtores e investigadores que navegam neste campo dinâmico.
Leia o relatório aqui.
Fonte: FAO