Recorrendo à técnica de edição genética CRISPR-Cas9, investigadores na Índia conseguiram desenvolver batatas com um teor significativamente mais elevado de amido resistente.
Investigadores da Universidade de Himachal Pradesh, do ICAR–Central Potato Research Institute e do ICAR–Indian Institute of Wheat and Barley Research focaram-se em dois genes envolvidos na biossíntese do amido — SBE2.1 e SBE2.2, que codificam enzimas responsáveis pela ramificação do amido — na variedade de batata Kufri Chipsona-I, amplamente cultivada no país. O objetivo foi aumentar a proporção de amilose, um tipo de amido associado a benefícios para a saúde, incluindo um melhor controlo glicémico e a saúde intestinal.
Utilizando transformação mediada por Agrobacterium, a equipa gerou 50 linhas de batata geneticamente editadas, das quais cerca de 70% apresentaram inserção dos genes marcadores bar e Cas9. Seis dessas linhas mutantes — designadas K301 a K306 — revelaram deleções e substituições nos exões alvo dos genes SBE2.1 e SBE2.2.
Entre as linhas analisadas, a K304 destacou-se como a mais eficientemente editada, apresentando mutações do tipo inserção-deleção e substituição em três dos quatro alvos seleccionados nos dois genes. Os tubérculos desta linha exibiram o teor mais elevado de amilose (95,91%) e de amido resistente (8,69 gramas por cada 100 gramas).
Análises adicionais mostraram alterações na estrutura cristalina do amido e uma redução significativa no alongamento das cadeias ramificadas da amilopectina, confirmando que a modificação genética teve um impacto directo na composição e organização do amido.
De acordo com os autores, os resultados demonstram que a mutagénese mediada por CRISPR-Cas9 em genes da biossíntese do amido é uma estratégia eficaz para desenvolver variedades de batata com um perfil nutricional melhorado e potenciais benefícios para a saúde humana.
O estudo foi publicado na revista científica Frontiers in Genome Editing.
Fonte: Centro de Informação de Biotecnologia