Na Tanzânia, uma equipa internacional de investigadores liderada pelo Imperial College London criou os primeiros mosquitos geneticamente modificado capazes de bloquear a transmissão da malária em África. Este avanço científico poderá transformar o combate a uma das doenças mais mortais do continente.
Investigadores do Imperial College London, em parceria com o Instituto Tropical e de Saúde Pública da Suíça (Swiss TPH), o Ifakara Health Institute (IHI) e o Instituto Nacional de Investigação Médica da Tanzânia (NIMR), desenvolveram com sucesso os primeiros mosquitos geneticamente modificados (GM) concebidos para impedir a transmissão da malária. O trabalho insere-se no projecto Transmission Zero e representa a primeira estirpe de mosquito GM compatível com gene drive desenvolvida em solo africano.
O estudo, publicado na revista científica Nature, descreve a introdução, em condições de contenção, de características antimaláricas em populações locais de mosquitos. Estas características baseiam-se em moléculas naturais encontradas em rãs e abelhas, que demonstraram ser eficazes a bloquear o desenvolvimento do Plasmodium falciparum, o principal parasita responsável pela malária em África.
Segundo os investigadores, os mosquitos modificados impediram de forma eficaz o ciclo do parasita no interior do insecto, interrompendo assim a transmissão da doença. Apesar dos resultados promissores, os cientistas sublinham que ainda são necessários mais estudos antes de avançar para ensaios no terreno.
A próxima fase do projecto Transmission Zero inclui avaliações rigorosas de risco, diálogo com as entidades reguladoras e um processo contínuo de envolvimento das comunidades locais. “Agora, queremos avançar ao ritmo certo. É importante não ir depressa demais e garantir que as pessoas apoiam esta nova tecnologia, mas também devemos agir com urgência e tratar a malária como a emergência que é”, afirmou Nikolai Windichler, investigador do Transmission Zero e do Departamento de Ciências da Vida do Imperial College London.
A malária continua a causar centenas de milhares de mortes por ano, sobretudo em África, e os cientistas acreditam que abordagens inovadoras como esta poderão complementar as estratégias existentes de controlo da doença, como redes mosquiteiras, insecticidas e medicamentos.
Fonte: CiB