Uma análise de uma década de dados de vigilância da resistência antimicrobiana (RAM) em patógenios transmitidos por alimentos identificou padrões que moldam a multirresistência (MDR) em sistemas de produção animal. O estudo foi publicado na revista MDPI e conduzido por investigadores da Universidade Villanova.
Os investigadores examinaram 9.393 isolados de Salmonella enterica, Campylobacter jejuni e Escherichia coli recolhidos de aves, bovinos e suínos entre 2015 e 2025, utilizando dados do Navegador de Isolados de Patógenios do Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia (NCBI) dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA.
O conjunto de dados foi analisado para caracterizar os padrões de resistência antimicrobiana (RAM) em isolados que apresentavam resistência entre um a seis antimicrobianos, constatando-se que tetraciclina, estreptomicina, sulfisoxazol, ampicilina, ácido nalidíxico e ciprofloxacina formaram consistentemente os eixos dominantes de co-resistência entre os patógenios. Isso reflete as pressões seletivas de longa data nos sistemas de produção animal para consumo humano.
A tetraciclina surgiu como o fator mais influente, aparecendo em quase todos os isolados MDR.
C. jejuni apresentou, em grande parte, resistência a um único fármaco. S. enterica foi responsável por quase todos os casos de resistência complexa a múltiplos fármacos, especialmente em isolados resistentes entre cinco a seis antimicrobianos, devido à acumulação de diversos determinantes de resistência.
A análise genética revelou uma acumulação progressiva e modular de determinantes de resistência, especialmente genes de bombas de efluxo, genes de resistência à tetraciclina, enzimas modificadoras de aminoglicosídeos, genes de sulfonamidas, determinantes de resistência a fluoroquinolonas e β -lactamases.
Essas descobertas sugerem que a resistência a múltiplos fármacos (MDR) evolui por meio de interações coordenadas entre genes, fármacos e patógenios, em vez de eventos aleatórios ou isolados, surgindo através da montagem progressiva de módulos de genes de resistência estáveis. Isso ressalta a necessidade de vigilância integrada e estratégias de gestão antimicrobiana direcionadas, com foco nos antimicrobianos dominantes e nos patógenios transmitidos por alimentos de alto risco.
Os investigadores recomendam que trabalhos futuros ampliem a vigilância para incluir mais patógenios, antimicrobianos e dados internacionais, além de aprimorar as anotações para distinguir entre fontes de produção, processamento, retalho e surtos.
Em geral, o estudo reforça a necessidade urgente de estratégias integradas de vigilância fenotípica e genotípica direcionadas a patógenios de alto risco e antimicrobianos dominantes. Ao compreender a progressão gradual da resistência antimicrobiana, os intervenientes da saúde pública e do setor agroalimentar podem antecipar melhor as tendências de resistência e implementar medidas de uso racional de antibióticos em sistemas de produção animal.
Fonte: Food Safety