O início de 2026 encontra o tecido industrial europeu num momento de estabilização frágil, após vários anos de choques sucessivos – pandemia, inflação elevada, conflitos geopolíticos e disrupções logísticas. Embora os indicadores macroeconómicos apontem para alguma normalização, subsistem condicionantes estruturais que limitam o crescimento e impõem maior rigor nas decisões de investimento. Neste contexto, temas como sustentabilidade, digitalização, reorganização das cadeias de abastecimento e governação tecnológica deixam de ser abordagens prospetivas e passam a integrar o núcleo da estratégia empresarial.
Impactos setoriais: desafios comuns, respostas diferenciadas
Indústria de plásticos
Para a indústria de plásticos, 2026 deverá ser um ano de consolidação de tendências já em curso. A pressão para reduzir a pegada ambiental, aumentar a circularidade e responder a exigências regulatórias mais rigorosas mantém-se elevada. Neste contexto, a inovação em materiais, o ecodesign e a integração de dados ao longo do ciclo de vida do produto tornam-se fatores críticos de competitividade, sobretudo num ambiente marcado por custos energéticos e matérias-primas voláteis.
A indústria alimentar apresenta perspetivas relativamente favoráveis em 2026. Dados do INE indicam um crescimento nominal de 8,1% nas exportações de produtos alimentares e bebidas, refletindo a procura externa e a valorização de produtos transformados. Em paralelo, o setor enfrenta desafios significativos em termos de custos, segurança alimentar e rastreabilidade, tornando a digitalização da cadeia de abastecimento e a automação determinantes para responder a exigências regulatórias e às expectativas dos consumidores.
Indústria de produção agrícola
A agricultura enfrenta desafios específicos associados à pressão climática e à necessidade de produzir mais com menos recursos. A inovação, a eficiência no uso da água e da energia e a digitalização dos processos produtivos tornam-se centrais, num contexto em que são exigidos elevados padrões de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade, alinhados com as tendências discutidas no âmbito do BCSD Portugal.
Decidir em contexto de incerteza
Mais do que um ano de rutura, 2026 afirma-se como um ano de decisões exigentes.
Como foi salientado no encontro do BCSD Portugal, sustentabilidade, tecnologia e inovação não são apenas temas para comunicar, mas prioridades que requerem execução coordenada entre empresas, governos e sociedade.
Num ambiente marcado por crescimento moderado, disrupção tecnológica e pressão regulatória, a vantagem competitiva dependerá da capacidade de interpretar sinais, integrar diferentes dimensões da estratégia e transformar incerteza em ação informada. Para a indústria, construir resiliência, flexibilidade e visão de longo prazo deixa de ser opcional e passa a ser condição de sobrevivência.
Fonte: iAlimentar