Portugal prepara-se para um crescimento económico estável em 2026 e 2027, mas um novo estudo da OCDE alerta para reformas estruturais que podem fortalecer a prosperidade a longo prazo, com impacto direto no sector agrícola e nas zonas rurais.
De acordo com o relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), o Produto Interno Bruto (PIB) português deverá crescer acima da média da zona euro, impulsionado pela forte procura interna e pelo equilíbrio das contas públicas. Esta situação cria espaço para investimento, essencial para apoiar a agricultura, que é uma fonte significativa de emprego nas áreas rurais e desempenha um papel relevante nas exportações.
O estudo recomenda, entre outras medidas, o desenvolvimento de competências e a melhoria do emprego, especialmente face à redução da população ativa. No sector agrícola, muitas regiões enfrentam dificuldades em atrair jovens qualificados. Investir em formação profissional, reconversão e orientação de carreira poderá acelerar a adoção de tecnologias modernas, como a agricultura de precisão e práticas sustentáveis de gestão do solo, criando oportunidades de inovação.
A OCDE sublinha ainda a importância da política habitacional, apontando que a falta de habitação acessível limita a mobilidade da mão-de-obra, especialmente trabalhadores sazonais e jovens. Reformas nesta área podem reforçar o mercado laboral rural e apoiar o crescimento agrícola.
No domínio da sustentabilidade, o relatório aconselha Portugal a intensificar a redução de emissões de gases com efeito de estufa e a adaptar-se às alterações climáticas. Para a agricultura, isto representa desafios, como a implementação de práticas de baixa emissão, mas também oportunidades, por exemplo em iniciativas de captura de carbono, tornando a produção agrícola mais competitiva. Investimento público em transporte e energia renovável pode ainda melhorar a logística e o acesso a soluções energéticas sustentáveis para o setor.
O relatório da OCDE destaca quatro eixos principais para apoiar a agricultura:
- Desenvolvimento de competências para a força de trabalho rural;
- Investimento público em infraestruturas e tecnologia agrícola;
- Reformas habitacionais que tornem o trabalho em zonas rurais mais atrativo;
- Estratégias climáticas que promovam uma agricultura sustentável.
Para o LAN (Netherlands Agricultural Network) em Portugal, o foco na agricultura climaticamente inteligente reforça estes objetivos, promovendo a partilha de conhecimentos, cadeias alimentares sustentáveis e a resiliência do setor agrícola, com benefícios económicos e ambientais a longo prazo.
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Fonte: CiB