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Edição genética | Aceitação global da tecnologia na agricultura ganha força

  • Thursday, 12 February 2026 11:52

A perceção global sobre as culturas geneticamente editadas mudou significativamente desde 2018, com reguladores e indústria a adotarem posições mais favoráveis, ainda que persistam incertezas, sobretudo no comércio internacional.

 Há cerca de oito anos, o futuro das culturas agrícolas geneticamente editadas parecia comprometido, em grande parte devido a decisões judiciais hostis na União Europeia. Hoje, o cenário é diferente. Segundo Dan Jenkins, vice-presidente da empresa norte-americana Pairwise, especializada em edição genética de plantas, a tecnologia está a ganhar aceitação em várias regiões do mundo.

Num texto publicado na revista The Western Producer, o jornalista canadiano especializado em agricultura, Robert Arnason, afirma que Dan Jenkins destacou, num webinar promovido pelo Council for Agricultural Science and Technology, que os reguladores, os media e o público encaram agora a edição genética com maior abertura. A tecnologia permite alterar com precisão o código genético das plantas para introduzir características desejáveis, como maior valor nutricional ou resistência a doenças.

De acordo com Jenkins, a tendência política global aponta para regulamentações mais leves, focadas sobretudo em garantir a ausência de ADN estranho. Países como Canadá, Estados Unidos, Japão, Austrália, Índia, Reino Unido e grande parte da América do Sul optaram por enquadrar estas culturas de forma semelhante ao melhoramento convencional, desde que não envolvam material genético externo.

Arnason recorda que, em 2018, o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que plantas obtidas por novas técnicas de edição genética deveriam seguir o mesmo processo rigoroso de aprovação que os organismos geneticamente modificados tradicionais — uma decisão que travou investimentos e gerou incerteza. Entretanto, a posição europeia evoluiu. Em Dezembro passado, responsáveis políticos da UE chegaram a acordo para classificar culturas desenvolvidas com “novas técnicas genómicas” em duas categorias: uma equiparada ao melhoramento convencional e outra sujeita a regras semelhantes às dos OGM, dependendo da complexidade da modificação.

Para empresas do setor, esta mudança representa um sinal positivo. Jenkins considera que a Europa está a “corrigir o rumo”, prevendo que novas regras possam estar plenamente em vigor até 2028.

No Canadá, a abordagem regulatória centra-se no produto final e não no processo, o que significa que culturas editadas geneticamente são tratadas como convencionais quando não contêm ADN externo. Isso abre portas a aplicações que vão desde a melhoria nutricional até à resistência a fungos.

Contudo, o comércio internacional continua a impor prudência. Mercados de grande dimensão, como Índia e China, ainda estão a avaliar o enquadramento destas tecnologias. Essa incerteza leva países exportadores de cereais, oleaginosas e leguminosas a avançarem com cautela.

Como sublinhou Greg Cherewyk, presidente da Pulse Canada, citado por Arnason, a indústria agrícola vê a edição genética com entusiasmo, mas reconhece que os principais mercados de exportação continuam em fase de análise — um fator decisivo para a adoção generalizada.

Fonte: CiB

  • Last modified on Thursday, 12 February 2026 12:13