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UE/Mercosul: Produtores de milho defendem salvaguardas para equiparar países

  • Friday, 13 February 2026 17:02

O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Milho afirmou hoje não ser possível obrigar os outros países a cumprir as regras da União Europeia (UE), mas pediu salvaguardas no âmbito do Mercosul para que possam estar equiparados.

“Não podemos obrigar os outros países a cumprir as regras da União Europeia, mas temos de ter mecanismos de salvaguarda e de controlo fitossanitário para estarmos equiparados, nomeadamente, com o Brasil”, afirmou o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (Anpromis), Jorge Neves, em declarações à Lusa.

A assinatura do acordo entre UE e o Mercosul foi formalizada em 17 de janeiro, no Paraguai.

O acordo comercial com o Mercosul e os cortes na nova Política Agrícola Comum (PAC) têm motivado protestos dos agricultores por vários pontos da Europa.

Estes temas estiveram em cima da mesa no Congresso Nacional do Milho, que se realizou entre 11 e 12 de fevereiro 2026, em Santarém, e assinalou os 40 anos de adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE).

Já relativamente à nova PAC, Jorge Neves sublinhou que “todo o setor e o próprio Governo português” estão contra a proposta inicial da Comissão Europeia.

Contudo, assinalou “sinais de abertura” por parte de Bruxelas para corrigir muitas questões que têm sido apontadas pelo setor.

Entre as principais mudanças da nova PAC está o desmantelamento do segundo pilar (desenvolvimento rural), que passa a ser integrado no primeiro, dedicado aos pagamentos diretos.

É também dada abertura aos Estados-membros para que complementem este orçamento com verbas nacionais, decisão que tem vindo a ser contestada pelo setor, que aponta para a criação de desigualdades.

O presidente da Anpromis fez um balanço “extremamente positivo” do Congresso Nacional do Milho, que agregou, pela segunda vez, o encontro das culturas cerealíferas, o que disse revelar a “congregação de pontos de vista e objetivos” de toda a fileira.

O congresso, que decorreu no CNEMA – Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas, em Santarém, juntou cerca de 600 participantes.

Jorge Neves afirmou ainda que a adesão a este evento reflete a importância destas culturas e o seu impacto na coesão do território e na manutenção da agricultura em vários pontos do país.

“Pretendemos, mais do que tudo, que as grandes orientações de política deste Governo se vão concretizando, por forma a que esta atividade se reforce na senda da estratégia +Cereais”, concluiu.

A estratégia +Cereais, aprovada no final de 2025, aposta em novas tecnologias e na agricultura de precisão para um maior autoaprovisionamento de cereais em Portugal.

O Congresso Nacional do Milho foi organizado pela Anpromis, em colaboração com a Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (Anpoc) e com a Associação de Orizicultores de Portugal (AOP).

A 16.ª edição deste congresso assinalou a adesão de Portugal à CEE, formalizada em 1986, que, para os produtores representou um “ponto de viragem estrutural” para o setor agrícola.

Fonte: Agroportal