O setor da amêndoa continua a expandir-se em Portugal, impulsionado pela procura internacional e pelo aumento da área agrícola dedicada ao fruto seco. No entanto, apesar do dinamismo, especialistas e produtores alertam que a consolidação do mercado ainda está distante, travada por desafios estruturais que vão desde a fragmentação da produção até à volatilidade dos preços.
Nos últimos anos, o país assistiu a um crescimento expressivo das plantações, sobretudo no Alentejo e em Trás‑os‑Montes. A modernização dos pomares, a entrada de investidores estrangeiros e a aposta em sistemas de rega mais eficientes contribuíram para elevar a produtividade e colocar Portugal no radar dos principais compradores europeus.
Ainda assim, o setor enfrenta obstáculos significativos. A maioria dos produtores continua a operar de forma isolada, dificultando a criação de escala e o acesso a canais de comercialização mais competitivos. A falta de unidades de transformação e descasque em algumas regiões obriga muitos agricultores a exportar o produto em casca, perdendo valor acrescentado.
Outro ponto crítico é a oscilação dos preços internacionais, influenciados sobretudo pela produção da Califórnia, líder mundial. A dependência deste mercado torna os produtores portugueses vulneráveis a flutuações que escapam ao seu controlo.
Apesar das dificuldades, o potencial de crescimento permanece elevado. Organizações do setor defendem que a criação de cooperativas mais robustas, o investimento em transformação local e a aposta em certificações de qualidade podem acelerar a consolidação e reforçar a competitividade da amêndoa portuguesa.
Para já, o setor cresce — e a tendência deve manter-se — mas o caminho até um mercado verdadeiramente estruturado continua longo.
Fonte: Qualfood