A MSC, organização que defende a pesca sustentável, pretende chegar a 2030 com 40% do pescado em Portugal com origem sustentável certificada, segundo um balanço ontem apresentado em Lisboa.
No próximo verão, disseram os responsáveis da “Marine Stewardship Council” (MSC), a sardinha consumida em Portugal também já é certificada pela organização não-governamental e terá o selo azul, que identifica pescado de origem sustentável certificada.
A propósito da 5ª. edição da iniciativa Semana Mar para Sempre, que decorre até sexta-feira e se destina a sensibilizar para a proteção dos oceanos e para um consumo sustentável de peixe, o responsável pela organização na Península Ibérica, Alberto Martin, disse que a MSC pretende chegar a 2030 com um terço das capturas vinculadas à sustentabilidade. Portugal está atualmente nos 28%.
Num encontro com jornalistas, o responsável destacou o grande esforço das frotas de pesca para conseguirem o selo azul, sinónimo de sustentabilidade, e lamentou que os mercados ainda não estejam a “compensar esse esforço”, estimando um aumento de produtos certificados. E também um aumento do conhecimento e da confiança no “selo azul por parte dos consumidores”.
Segundo Alberto Martin, atualmente 46% dos consumidores reconhecem o selo azul, sendo esse conhecimento maior em países do norte da Europa, e o objetivo para 2030 é aumentar para 56%.
Rodrigo Sengo, responsável pela organização em Portugal, disse que 35% das populações de peixe são exploradas a níveis biologicamente insustentáveis, mas salientou que 77% do volume de pescado desembarcado globalmente provém de populações pescadas de forma sustentável.
Nos impactos positivos para o oceano, disse, o MSC promoveu mais de 2.600 melhorias nas pescarias, mais de 500 nos últimos três anos, melhorando também o estado de ‘stocks’, e beneficiou espécies em perigo e melhorou ecossistemas e habitats.
“Se toda a pesca fosse sustentável, mais 72 milhões de pessoas poderiam ver as suas necessidades de proteína satisfeitas”, disse Rodrigo Sengo, que destacou a importância dos consumidores, que podem “gerar impactos positivos nos oceanos”.
Quanto a Portugal, disse que há 450 produtos com o selo azul, usado por mais de 30 marcas, e que em 2024/25 foram colocadas no mercado 16.000 toneladas de pescado com selo azul. Mesmo assim apenas três a quatro por cento do pescado consumido em Portugal tem o selo azul MSC.
No futuro, os responsáveis da ONG querem certificar espécies pelágicas (como carapau ou cavala) e explicaram que a certificação da sardinha, que já tinha sido certificada mas que perdeu o selo e só o recuperou no ano passado, levou ao aumento também de produtos certificados (nas conservas, por exemplo).
Questionados sobre se o uso do selo azul de certificação pode ser usado de forma abusiva os responsáveis disseram que as empresas têm auditorias anuais, por entidades externas ao MSC, e que podem perder o certificado se estiverem em incumprimento.
“Há um sistema para assegurar que isso não acontece. E também fazemos verificação de amostragens de DNA, para saber se estão a comercializar o que dizem que estão a comercializar”, disse Rodrigo Sengo.
O responsável disse também que nos muitos requisitos de certificação foi incluída a questão da perda de artes de pesca (responsáveis por parte da poluição oceânica), e que há um projeto-piloto quanto à pegada carbónica das frotas de pesca.
Também questionado pelos jornalistas, Alberto Martin disse que o aumento de custos da certificação do MSC acaba por se diluir e não se reflete no preço dos produtos ao consumidor final.
Na presente edição da semana do mar do MSC está a destacar-se o tema “mar saudável, vida saudável” e a ligação entre a saúde e o mar, a segurança alimentar e o bem-estar das pessoas.
O MSC trabalha com pescadores, cientistas e indústria e luta contra a sobrepesca. O selo azul é aplicado apenas a peixe selvagem e a produtos do mar que foram certificados cm as normas do MSC.
Fonte: Greensavers