A participação ativa das mulheres em projetos comunitários de conservação da vida selvagem está associada a melhores resultados na proteção da biodiversidade, segundo um estudo internacional liderado por investigadores da University of Queensland, na Austrália.
A investigação, publicada na revista científica Journal of Environmental Management, analisou 32 projetos de gestão da vida selvagem em cinco continentes — África, Ásia, América Latina, América do Norte e Austrália — e concluiu que as iniciativas com maior envolvimento feminino apresentam impactos mais positivos na recuperação de espécies e na gestão de habitats.
De acordo com a investigadora Margaret Chapman, muitas vezes o papel das mulheres nestes projetos é pouco documentado, apesar de estas possuírem conhecimentos detalhados sobre os ecossistemas locais.
“Em muitas comunidades, as atividades do quotidiano dão às mulheres uma perspetiva única sobre a paisagem, as interações entre humanos e animais e as mudanças sazonais”, explica a investigadora. “Quando as mulheres não são plenamente incluídas nos projetos, a compreensão do território fica incompleta.”
Os autores do estudo verificaram que os projetos com melhores resultados eram aqueles em que as mulheres tinham não apenas participação, mas também voz nas decisões, poder de voto e posições de liderança.
Entre os exemplos analisados estão iniciativas de recuperação de habitats para o Greater Bilby na Austrália, a redução da caça furtiva através de patrulhas lideradas por mulheres na África do Sul, Zimbabué e Nepal, e projetos que aumentaram a proteção do Snow Leopard na Ásia e na América do Sul.
Segundo os investigadores, a inclusão das mulheres contribuiu também para aumentar a sobrevivência de crias de tartarugas marinhas em projetos na América Central e para restaurar habitats degradados e espécies vegetais no Senegal.
Para a coautora do estudo, Salit Kark, alcançar metas globais de conservação exige envolver toda a comunidade. “Garantir que diferentes formas de conhecimento são valorizadas e que as mulheres têm oportunidades de participação e liderança é fundamental para o sucesso das iniciativas de conservação”, afirma.
Os autores defendem ainda que a valorização do conhecimento feminino pode ter efeitos duradouros, ao inspirar as gerações mais jovens a envolverem-se na proteção da natureza.
Fonte: GreenSavers