Portuguese English French German Italian Spanish

  Acesso à base de dados   |   em@il: qualfood@idq.pt

Interpack 2026: embalagens para bebidas tornam-se mais leves e circulares

  • Friday, 20 March 2026 14:25

A redução do peso das embalagens está a afirmar-se como uma das principais estratégias da indústria das bebidas para diminuir o consumo de materiais e melhorar a reciclabilidade. Na interpack 2026, fabricantes e fornecedores apresentam soluções que combinam lightweighting, novas tecnologias de barreira, rotulagem inovadora e eficiência produtiva, refletindo a evolução do setor rumo à economia circular.

A embalagem para bebidas está a tornar-se cada vez mais leve. Enquanto principal feira mundial dedicada a soluções de processamento e embalagem, a interpack voltará a reunir, em 2026, os principais intervenientes internacionais nas áreas do enchimento, enlatamento e acondicionamento de bebidas. Este setor é atualmente impulsionado por requisitos regulamentares – como o Regulamento Europeu relativo a Embalagens e Resíduos de Embalagens –, por metas ambiciosas de sustentabilidade definidas pelos fabricantes e por mudanças no comportamento dos consumidores.

As embalagens tradicionais para bebidas, como garrafas de vidro ou PET, latas de alumínio e embalagens cartonadas, estão em transformação. A nova geração de sistemas de embalagem exige redução máxima de materiais, funções de barreira inteligentes, controlo digital dos processos e maior reciclabilidade.

Redução de peso como prioridade

A redução do peso constitui um dos principais focos de inovação. O expositor da interpack KHS, por exemplo, segue uma abordagem denominada “premium lightweight” e apresenta a Premium Lite, uma garrafa para água mineral sem gás produzida com 100% de PET reciclado e com apenas 6,2 gramas para 0,25 litros. A nova garrafa combina utilização mínima de material com uma estética premium e foi especificamente concebida para responder às exigências das modernas linhas de produção de alta velocidade.

Esta solução é produzida na máquina de moldagem por estiramento e sopro KHS InnoPET Blomax Series V, que assegura estabilidade de processo e elevada precisão em produções de grande volume.

No domínio da proteção do produto e da economia circular, a KHS avança ainda mais com a nova garrafa Supreme PET. A empresa utiliza a sua tecnologia Plasmax, que aplica um revestimento interno de óxido de silício com menos de 100 nanómetros de espessura. Este revestimento atua como vidro, protegendo bebidas sensíveis ao oxigénio – como chá verde premium – contra a oxidação e prolongando significativamente o prazo de validade.

Ao mesmo tempo, a garrafa mantém-se totalmente reciclável: durante o processo de reciclagem, a camada vítrea é removida numa solução alcalina sem contaminar o PET. A combinação entre elevada proteção do produto, compatibilidade com rPET e velocidades industriais até 60 mil garrafas por hora demonstra a evolução das tecnologias de barreira orientadas para a circularidade.

Rótulos facilmente recicláveis

A opção EcoFloat White permite aos engarrafadores substituir embalagens opacas em HDPE ou PET por garrafas transparentes em PET. 
Para além da redução de materiais, a reciclabilidade dos componentes individuais assume crescente relevância. A CCL Label, também expositora na interpack 2026, apresenta inovações orientadas para a economia circular, demonstrando como o design da embalagem pode apoiar ativamente os sistemas de reciclagem.

Na área das mangas e rótulos, a empresa aposta em soluções compatíveis com reciclagem. O EcoFloat é uma manga retrátil baseada em poliolefinas de baixa densidade que, durante o processo de separação sink-float do PET, flutua enquanto os flocos de PET afundam, permitindo uma separação física essencial para a reciclagem “garrafa a garrafa” de elevada qualidade.

A opção EcoFloat White, destinada a produtos sensíveis à luz, permite ainda substituir embalagens opacas em HDPE ou PET por garrafas transparentes em PET.

Com os rótulos WashOff, a CCL responde também às exigências dos processos industriais de lavagem em sistemas reutilizáveis e de refill. Estes rótulos autoadesivos podem ser removidos em banho alcalino sem deixar resíduos, apoiando sistemas reutilizáveis de vidro e PET. Paralelamente, a nova tecnologia adesiva EcoShear melhora a reciclabilidade das garrafas de vidro descartáveis, permitindo a remoção quase total dos rótulos em filme.

Um adesivo para rotulagem de alta velocidade

Mesmo componentes aparentemente secundários estão a ganhar importância. A Henkel Adhesive Technologies apresenta um novo adesivo termofusível (hot-melt), isento de óleo mineral, com uma taxa de remoção de até 98% durante a reciclagem. Os resíduos são separados do fluxo de material juntamente com os restos dos rótulos.

Compatível com rótulos de papel e plástico, a solução assegura funcionamento estável em velocidades até 40 mil garrafas por hora, mantendo temperaturas de processamento relativamente baixas, entre 110 e 140 °C. Tal contribui para proteger os equipamentos, reduzir o consumo energético e aumentar a fiabilidade operacional.

Substituir rótulos por marcação laser

Outra abordagem passa por eliminar completamente os rótulos. A Krones desenvolveu a solução DecoBeam, que permite marcar diretamente garrafas PET e rPET com laser. Informações como quantidade líquida, ingredientes, data de validade e elementos gráficos são gravadas diretamente na embalagem, reduzindo materiais e facilitando a reciclagem.

Estão disponíveis dois métodos de marcação: lasers CO₂ produzem marcações mais claras, enquanto lasers de fibra criam inscrições negras. Logótipos, gráficos e elementos de design podem igualmente ser integrados.

Para recipientes de vidro, a Krones disponibiliza ainda o sistema INKpression, que transfere tinta diretamente para o recipiente. Neste caso, o design final é transferido integralmente a partir de um suporte, em vez de ser aplicado através de impressão convencional.

Cresce a procura por latas

A popularidade das latas de bebidas continua a aumentar. As vendas de refrigerantes e bebidas energéticas em lata registam atualmente forte crescimento, sobretudo entre consumidores mais jovens. Na Europa, a taxa de reciclagem ultrapassou 76% em 2023 e continua a subir, segundo dados das associações Metal Packaging Europe e European Aluminium. Sistemas de depósito e retorno contribuem significativamente para este desempenho, permitindo atingir taxas próximas dos 90%.

Muitos fabricantes estão, por isso, a expandir a oferta neste formato. A Coca-Cola Europacific Partners Germany (CCEP DE), por exemplo, está a investir numa nova linha de enchimento de latas na unidade de Halle, cuja entrada em funcionamento está prevista para o verão de 2026. O investimento multimilionário responde ao aumento da procura: apenas no mercado alemão, as vendas de bebidas em lata cresceram cerca de 12% no último ano.

Embalagens cartonadas com bom desempenho ambiental

Apesar das opiniões divergentes, as embalagens cartonadas para bebidas combinam várias vantagens tecnológicas: baixo peso, opacidade, reciclabilidade e composição maioritariamente baseada em fibra de cartão (cerca de três quartos do material), complementada por barreiras que protegem o produto e prolongam o prazo de validade.

Segundo a associação alemã FKN, o setor encontra-se mais avançado em reciclagem do que muitas vezes se assume. O sistema inclui empresas como Tetra Pak, SIG Combibloc e Elopak, bem como a unidade de reciclagem Palurec, no Knapsack Chemical Park. Na Alemanha, cerca de 36 mil toneladas anuais de plástico e alumínio provenientes destas embalagens são recicladas. Ainda assim, o país falhou a meta legal de reciclagem pelo terceiro ano consecutivo em 2024, segundo a Zentrale Stelle Verpackungsregister.

Tampas ligadas geram resistência dos consumidores

Um estudo do Nuremberg Institute for Market Decisions (NIM) indica que a maioria dos consumidores considera pouco práticas as tampas ligadas (tethered caps), obrigatórias desde meados de 2024 em embalagens de bebidas de utilização única. Estas tampas permanecem ligadas à embalagem após a abertura, com o objetivo de reduzir resíduos plásticos e facilitar a reciclagem. Contudo, dois terços dos inquiridos criticam a dificuldade de utilização, sobretudo ao beber e servir.

Fonte: iAlimentar