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Biocarvão pode mitigar acidificação dos solos e melhorar produtividade agrícola

  • Tuesday, 28 April 2026 14:04

A aplicação de biocarvão pode contribuir para reduzir a acidificação dos solos e melhorar as condições de produção agrícola, segundo um estudo global da Universidade de Wuhan, na China.

A investigação baseou-se numa meta-análise de 232 estudos, abrangendo diferentes climas, tipos de solo e sistemas agrícolas. No total, foram avaliadas 1.460 observações emparelhadas que compararam solos com e sem aplicação de biocarvão.

 Os resultados indicam que, em média, o biocarvão aumentou o pH do solo em 5,59%, evidenciando uma redução significativa da acidez. No entanto, os autores sublinham que a eficácia desta solução varia em função de fatores ambientais e de gestão.

“A acidificação dos solos é um desafio global crescente, especialmente em regiões com agricultura intensiva”, refere Nanhai Zhang, um dos autores do estudo, acrescentando que “o biocarvão pode melhorar significativamente as condições do solo, mas a sua eficácia depende tanto de fatores ambientais como de gestão”.

 Segundo os investigadores, o biocarvão atua através de vários mecanismos, incluindo a presença de compostos alcalinos e cinzas minerais que neutralizam a acidez, bem como grupos funcionais que ligam iões de hidrogénio, reduzem a acidez na solução do solo. Ao contrário de corretivos tradicionais como o calcário, pode apresentar efeitos mais duradouros e benefícios adicionais, como a melhoria da estrutura do solo e o sequestro de carbono.

A análise identificou vários fatores determinantes para o desempenho do biocarvão. Solos inicialmente ácidos registaram maiores melhorias, enquanto solos neutros ou alcalinos apresentaram pouca ou nenhuma resposta. Solos com elevada capacidade de retenção de nutrientes também revelaram menor sensibilidade à aplicação.

 As condições climáticas influenciam igualmente os resultados, aponta a análise. O biocarvão demonstrou maior eficácia em regiões com temperaturas e precipitação mais elevadas, onde os processos de acidificação são mais intensos. Em particular, sistemas agrícolas em ambientes mais húmidos, como arrozais, evidenciaram melhorias superiores no pH face a sistemas de sequeiro.

De acordo com a investigação, as características do próprio biocarvão são outro fator crítico, uma vez que materiais produzidos a temperaturas moderadas e com pH intrínseco mais elevado mostraram melhores resultados. A taxa de aplicação também se revelou relevante, com maiores quantidades associadas a aumentos mais expressivos do pH. A combinação com fertilizantes orgânicos potenciou a eficácia, em comparação com a utilização conjunta com fertilizantes sintéticos.

 Apesar dos benefícios identificados, o estudo alerta que o biocarvão não constitui uma solução universal. Em determinados contextos, como solos já alcalinos, a sua aplicação pode ter efeitos limitados ou mesmo reduzir ligeiramente o pH. Os autores referem ainda que os efeitos positivos podem diminuir ao longo do tempo, nomeadamente devido à absorção de nutrientes pelas culturas ou à sua lixiviação.

Os autores frisaram o potencial do biocarvão enquanto solução alinhada com a bioeconomia circular, ao valorizar resíduos agrícolas como recurso para melhoria dos solos.

Fonte: Vida Rural

  • Last modified on Tuesday, 28 April 2026 14:22