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Produzir não chega: o novo mapa da competitividade agroalimentar

  • Friday, 08 May 2026 11:37

A agricultura portuguesa entra numa nova fase de exigência. Produzir continua a ser o ponto de partida, mas já não garante competitividade. Num contexto marcado por custos elevados, pressão internacional e maior exigência do mercado, o setor é chamado a responder com mais eficiência, maior integração e capacidade de diferenciação.

Os sinais dessa mudança são claros. Por um lado, a estrutura produtiva enfrenta constrangimentos conhecidos. Por outro, a cadeia de valor mantém a sua reorganização para manter uma maior proximidade ao mercado e uma crescente valorização de atributos como qualidade, origem e sustentabilidade.

Para Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), a evolução é evidente, mas os limites também. “O setor agrícola está sem dúvida mais competitivo”, afirma, apontando o investimento em inovação e novas tecnologias como um dos fatores determinantes. Ainda assim, sublinha que persistem fragilidades estruturais que condicionam essa evolução.

Entre essas fragilidades estão os custos de contexto. “As dificuldades no acesso à mão de obra, a pesada carga fiscal e uma administração pública pouco eficaz na aplicação célere dos fundos comunitários penalizam particularmente os produtores nacionais”, refere, comparando com mercados concorrentes como Espanha ou França.

A pressão não é uniforme, mas atravessa toda a cadeia. Energia, fertilizantes e água continuam a pesar nos custos de produção, num cenário em que os apoios públicos não são equivalentes entre países. “Os apoios dados por alguns países, como Espanha, são em muitos casos substancialmente superiores, o que afeta a competitividade dos nossos produtores”, acrescenta.

A questão da água é um desafio que ultrapassa o setor: exige resposta de política pública e investimento em infraestruturas hídricas. A mão de obra imigrante, que representa já 53% dos trabalhadores agrícolas, segundo dados da CAP, é outro fator de vulnerabilidade estrutural.

É difícil Portugal diferenciar-se pela quantidade, mas tem uma clara vantagem na qualidade, autenticidade e valor acrescentado.
 
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Fonte: Jornal de Negócios

 

  • Last modified on Friday, 08 May 2026 11:49