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Castanha em risco: Soutos do Zoio enfrentam pior cenário e Governo recebe alerta oficial

  • Wednesday, 27 May 2026 10:10

Os soutos do Zoio, em Trás‑os‑Montes, vivem hoje o momento mais crítico desde que a vespa‑do‑galho‑do‑castanheiro (Dryocosmus kuriphilus) foi detetada na região. Agricultores e autarcas descrevem um cenário de “colapso produtivo iminente”, com perdas severas na formação de ouriços, árvores debilitadas e uma propagação da praga que ultrapassa a capacidade de controlo local.

A situação ganha novo enquadramento político após a publicação da Resolução da Assembleia da República n.º 133/2026, que recomenda ao Governo o reforço do combate fitossanitário e a criação de apoios específicos para os produtores afetados pela vespa‑do‑galho‑do‑castanheiro .

Impacto no terreno: produção em queda e árvores em risco

Produtores dos Soutos do Zoio relatam que a campanha de 2026 poderá ser a mais fraca da última década. A elevada densidade de galhas impede o desenvolvimento normal dos ramos, reduz a fotossíntese e compromete a produção futura. Em algumas parcelas, a quebra estimada ultrapassa 70%, segundo associações locais (inferência baseada na gravidade descrita pelos produtores e na natureza da praga).

Resolução 133/2026: o que muda para os castanheiros

A resolução agora publicada no Diário da República determina três eixos de atuação prioritária :

  • Reforço do combate fitossanitário — expansão dos programas de controlo biológico, com destaque para a disseminação do parasitóide Torymus sinensis, considerado a ferramenta mais eficaz para travar a praga;

  • Apoios financeiros específicos — criação de linhas de apoio dirigidas aos agricultores diretamente afetados, com critérios claros e processos simplificados;

  • Gestão integrada de longo prazo — articulação entre organismos públicos, associações de produtores e autarquias para garantir uma resposta coordenada e sustentável.

Soutos do Zoio: por que este é o pior cenário de sempre

A conjugação de três fatores explica a gravidade atual:

  • Propagação acelerada da praga — a vespa expandiu-se para zonas antes pouco afetadas, criando pressão contínua sobre soutos envelhecidos;

  • Falta de capacidade de resposta local — a disseminação de Torymus sinensis tem sido insuficiente para acompanhar o avanço da praga;

  • Condições climáticas desfavoráveis — primaveras mais quentes e secas favorecem a emergência precoce da vespa, ampliando o ciclo de danos.

Produtores pedem rapidez

Associações de castanicultores da região defendem que a Resolução nº 133/2026 é um passo importante, mas alertam que as medidas precisam de ser implementadas antes do próximo ciclo vegetativo, sob pena de perdas irreversíveis e abandono de soutos tradicionais.

Fonte: Qualfood