Produtividade do trabalho agrícola em Portugal aumentou 277% em três décadas e salários no setor cresceram mais de 50% na última década, acima da média da economia nacional;
• Mais de 10.500 jovens agricultores instalaram-se em Portugal desde 2007, mobilizando mais de 1,5 mil milhões de euros de investimento;
• Apenas 12% dos gestores agrícolas da União Europeia têm menos de 40 anos;
• Complexo agroflorestal gera 9,4 mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto e 15,2 mil milhões de euros em exportações.
A agricultura portuguesa está mais produtiva, mais tecnológica e mais competitiva do que nunca. Nas últimas três décadas, a produtividade do trabalho agrícola aumentou 277%, os salários cresceram acima da média da economia nacional e o setor consolidou-se como um dos motores da criação de valor, do emprego e das exportações do país. Mas, apesar desta transformação, a agricultura enfrenta hoje um desafio que pode condicionar a sua capacidade de crescimento nas próximas décadas: a renovação geracional.
A idade média da mão-de-obra familiar agrícola aumentou de 46 para 59 anos em cerca de 30 anos, enquanto o número de trabalhadores familiares caiu mais de 50%. Ao mesmo tempo, apenas 12% dos gestores agrícolas na União Europeia têm menos de 40 anos, revelando uma tendência de envelhecimento que ameaça a competitividade, a capacidade produtiva e a sustentabilidade futura do setor. Esta será uma das questões centrais do B-Rural Summit, iniciativa promovida pela CONSULAI que terá lugar no próximo dia 23 de junho, em Lisboa, reunindo especialistas, empresários, jovens empreendedores e decisores para discutir o futuro da agricultura e da floresta em Portugal.
Nova geração está a chegar, mas os obstáculos mantêm-se
Entre 2007 e 2022, instalaram-se em Portugal 10.513 jovens agricultores, responsáveis por mais de 1,5 mil milhões de euros de investimento e pela gestão de mais de 252 mil hectares de superfície agrícola.
Trata-se de uma geração mais qualificada, mais empreendedora e mais aberta à inovação. A idade média dos novos agricultores é de 33 anos e a maioria possui formação superior ou técnico-profissional especializada. Ainda assim, quase um terço iniciou atividade sem experiência prévia no setor.
Os desafios permanecem essencialmente estruturais: acesso à terra, financiamento, escala económica das explorações e integração em mercados organizados. A experiência mostra que o sucesso da renovação geracional depende menos da motivação dos jovens e mais da capacidade de criar condições para que os seus projetos sejam sustentáveis e competitivos.
“Existe ainda um desfasamento significativo entre a perceção pública e a realidade do setor. A agricultura de hoje é uma atividade empresarial, tecnológica e altamente especializada. Atrair talento exige mostrar que estamos perante um setor com futuro, capacidade de inovação e oportunidades de carreira qualificadas”, acrescenta aquele responsável.
Um desafio estratégico para a economia nacional
A renovação geracional deixou de ser apenas uma questão setorial para assumir uma dimensão estratégica para a economia portuguesa.
Num contexto marcado pela pressão sobre a segurança alimentar, pelas alterações climáticas e pela crescente necessidade de gestão sustentável do território, garantir a entrada de novos profissionais tornou-se um fator crítico para a competitividade do país.
B-Rural Summit: em busca das soluções
Sob o mote “Do Exemplo à Ação”, o B-Rural Summit, pretende ir além do diagnóstico e centrar-se nas soluções.
Estruturado em torno dos temas “Novas Gerações, Novas Ideias: Casos que Inspiram”, “Da Inspiração à Transformação” e “Construir Pontes Entre Gerações”, o evento pretende demonstrar que o futuro da agricultura e da floresta dependerá não apenas de tecnologia, investimento ou produtividade, mas sobretudo da capacidade de atrair, desenvolver e reter uma nova geração de líderes, gestores e empreendedores.
Fonte: B-Rural