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Os microrganismos do solo que alimentam as suas plantas e porque deve protegê-los se não quiser que entrem em declínio

  • Friday, 12 June 2026 13:21

Por baixo de cada planta existe uma rede viva que permanece invisível, mas que determina se as suas raízes estão bem nutridas, se resistem ao stress ou se começam a enfraquecer gradualmente.

Quando uma planta amarelece, cresce com dificuldade ou deixa de responder ao fertilizante, quase sempre culpamos as folhas, a rega ou os nutrientes. Mas, em muitos casos, o problema começa abaixo da superfície, na parte que raramente vemos: o solo. Grande parte da saúde de uma planta é determinada ali.

Na agricultura e na jardinagem, enfrentamos um grande problema: o uso generalizado de lavoura intensiva, monocultura e agroquímicos em excesso fez com que muitos solos perdessem a sua estrutura, matéria orgânica e vida microbiana.

O microbioma do solo é composto por bactérias, fungos, actinomicetos, protozoários, nemátodos benéficos e muitos outros organismos microscópicos. Para se ter uma ideia, um único grama de solo saudável pode conter quase um bilhão de bactérias e milhares de espécies bacterianas.

Esses microrganismos não são apenas habitantes passivos. Alguns decompõem resíduos orgânicos, outros libertam nutrientes retidos, alguns protegem as raízes e outros ajudam a formar agregados do solo, as estruturas semelhantes a migalhas que permitem que o ar e a água circulem pelo solo. É por isso que um solo saudável tem um cheiro agradável, desintegra-se facilmente e não se transforma numa massa dura após a rega.

A realidade é simples: o verdadeiro motor da fertilidade do solo não é o fertilizante químico, mas sim o microbioma do solo. Os fertilizantes podem dar um impulso, mas é esta comunidade invisível que recicla, transforma e fornece nutrientes disponíveis para as plantas às raízes. Se o cuidares, a planta colabora contigo; se o destruíres, cada época de cultivo exigirá mais intervenção.

Simbiose: a parceria subterrânea que alimenta as plantas

O exemplo mais famoso é a micorriza arbuscular, uma parceria entre as raízes das plantas e fungos benéficos. A planta fornece açúcares produzidos através da fotossíntese e, em troca, o fungo fornece água, fósforo, zinco e outros micronutrientes.

Isto ajuda a explicar por que razão uma planta micorrízica é frequentemente mais resistente à seca, à salinidade, ao choque de transplante e a solos pobres. Os fungos micorrízicos também melhoram a absorção de água e de minerais, reforçando o crescimento e aumentando a tolerância ao stress ambiental.

Existem também bactérias benéficas. O Rhizobium forma nódulos em leguminosas como o feijão, a soja e a alfafa, onde converte o azoto atmosférico numa forma que a planta pode utilizar.

Outras bactérias, incluindo algumas espécies de Pseudomonas, podem solubilizar o fósforo através de ácidos orgânicos, libertando nutrientes que já estavam presentes no solo, mas que não estavam disponíveis para as plantas.

Como a vida do solo é prejudicada — e como restaurá-la

O microbioma do solo enfraquece quando removemos as suas fontes de alimento e destruímos o seu habitat. O uso excessivo de fertilizantes altamente solúveis, fungicidas de amplo espectro, herbicidas mal geridos, solo descoberto e a falta de matéria orgânica reduzem a atividade biológica.

Como podemos reconhecer o problema? Muitas vezes manifesta-se através de plantas amareladas, raízes curtas ou escuras com odores desagradáveis, solos que se compactam rapidamente, doenças nas raízes e rendimentos em declínio ano após ano. O mesmo acontece em vasos: misturas de envasamento que se tornam biologicamente inativas e nunca são renovadas com composto acabam por depender quase inteiramente de fertilizantes líquidos.

Para regenerar o solo, comece pelo básico: adicione composto maduro, vermicomposto, resíduos de culturas triturados ou cobertura morta orgânica. Adote práticas como a rotação de culturas, o cultivo com lavoura reduzida e a manutenção de raízes vivas no solo.

Para avaliar a atividade biológica, experimente o teste da pá: desenterre um bloco de solo e examine o seu cheiro, a presença de minhocas, as raízes finas e a estrutura. Outro método simples consiste em enterrar uma tira de tecido 100% algodão durante um mês. Quanto mais se decompor, maior será a probabilidade de atividade biológica. Esta técnica é frequentemente utilizada como uma avaliação simples no terreno da decomposição microbiana.

O solo não é um meio de cultivo inerte; é um sistema vivo. Não é necessário transformar todo o seu jardim ou quinta da noite para o dia. Comece por adicionar mais matéria orgânica e reduzir o uso de produtos químicos num único canteiro, em alguns vasos ou numa secção do terreno. Se o solo recuperar, as suas plantas irão rapidamente demonstrar o seu agradecimento.

Fonte: tempo.pt