O uso excessivo de antibióticos na pecuária intensiva continua a ser um dos fatores que mais contribuem para a resistência antimicrobiana (AMR), uma ameaça crescente para a saúde pública na UE.
Embora a legislação europeia tenha apertado o controlo sobre medicamentos veterinários, especialistas alertam que o modelo de produção intensiva ainda favorece a disseminação de bactérias resistentes.
Pressão da produção intensiva
Na pecuária industrial — aves, suínos, bovinos e aquacultura — os antibióticos são usados para tratar doenças, controlar surtos e, historicamente, compensar condições de elevada densidade animal. Este uso frequente cria um ambiente ideal para a seleção de bactérias resistentes, que podem circular entre animais, trabalhadores, superfícies, águas residuais e alimentos de origem animal.
Resistência antimicrobiana: uma ameaça One Health
A Organização Mundial da Saúde considera a AMR uma das maiores ameaças globais. Na UE, a ligação entre saúde animal, humana e ambiental é monitorizada pela EFSA e pelo ECDC, numa abordagem integrada One Health. Estudos recentes mostram que o uso contínuo e indiscriminado de antibióticos promotores de crescimento contribui significativamente para a disseminação de resistência, exigindo alternativas sustentáveis.
Resíduos de antibióticos nos alimentos: conformidade alta, mas preocupação mantém‑se
O relatório anual da EFSA sobre resíduos de medicamentos veterinários revela que apenas 0,13% das amostras analisadas em 2024 estavam acima dos limites legais — um valor estável face ao ano anterior. Apesar da elevada conformidade, os resíduos de antibióticos, esteroides e hormonas na carne continuam entre as maiores preocupações dos consumidores europeus (36%).
Regulamentação europeia mais rigorosa
A UE tem implementado legislação vinculativa, como o Regulamento (UE) 2019/6, que restringe o uso não essencial de antimicrobianos e reforça a responsabilidade veterinária. Estratégias como o Farm to Fork incentivam práticas de produção mais sustentáveis e com menor dependência de antibióticos.
Caminhos para reduzir o uso de antibióticos
Investigação recente indica que alternativas como aditivos naturais, probióticos e melhorias no bem‑estar animal podem manter o desempenho produtivo e reduzir a pressão seletiva sobre bactérias de importância clínica. A substituição gradual dos antibióticos promotores de crescimento é considerada viável e necessária para alinhar a produção animal com as diretrizes de saúde pública.
O que está em jogo
- Saúde pública: risco aumentado de infeções resistentes em humanos;
- Economia: custos acrescidos para sistemas de saúde e cadeias de produção,
- Confiança do consumidor: preocupação crescente com resíduos de medicamentos na carne;
- Sustentabilidade: pressão para modelos de produção menos dependentes de antibióticos.
Fonte: Qualfood