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Área ardida sobretudo no Norte e Centro

  • Friday, 28 August 2026 14:43

As regiões Norte e Centro concentraram 90,7% da área ardida no Continente entre 2020 e 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O Norte representou 42,1% da área ardida no período, enquanto o Centro concentrou 48,6%.

Estas duas regiões são também aquelas onde as classes de alta e muito alta perigosidade de incêndio rural representam mais de metade da superfície regional.

A análise do INE relaciona o histórico recente dos incêndios rurais com a perigosidade estrutural do território, o uso e ocupação do solo, a cobertura dos corpos de bombeiros e a proximidade entre áreas edificadas e coberto vegetal potencialmente combustível.

Entre 2020 e 2025, foram registados 50.218 incêndios com ponto de origem identificável no território continental. Embora cerca de 31% das ocorrências tenham tido início em áreas de alta e muito alta perigosidade, estas classes concentraram 80,3% da área ardida no período.

Covilhã, Sabugal e Sernancelhe lideram área ardida
Os dez municípios com maior área ardida entre 2020 e 2025 localizavam-se nas regiões Norte e Centro.

A Covilhã foi o município com maior área ardida no período em análise, com 28,8 mil hectares, seguindo-se o Sabugal, com 22,6 mil hectares, e Sernancelhe, com 19,5 mil hectares.

A concentração territorial da área ardida é mais marcada do que a distribuição dos pontos de início de incêndio. Segundo o INE, os pontos de ignição distribuem-se por diferentes classes de perigosidade, mas a área percorrida pelo fogo concentra-se sobretudo nas classes de maior perigosidade estrutural.

Entre 2020 e 2025, os territórios de alta e muito alta perigosidade concentraram 519,9 mil hectares de área ardida. As restantes classes de perigosidade representaram 127,6 mil hectares.

Floresta e matos predominam nas áreas de maior perigosidade

Nos territórios classificados com muito alta perigosidade, a floresta e os matos ocupavam 92,6% da superfície. Nas áreas de alta perigosidade, estas ocupações representavam 84,5%.

Considerando em conjunto os territórios de alta e muito alta perigosidade, a floresta ocupava 1.326,0 mil hectares e os matos 1.082,7 mil hectares. A agricultura representava 185,7 mil hectares, enquanto as pastagens ocupavam 63,7 mil hectares e os sistemas agroflorestais 16,7 mil hectares.

A análise mostra ainda que 77,6% da área de matos e 47% da área de floresta do Continente se encontravam em territórios de alta e muito alta perigosidade. Na agricultura, esta proporção era de 8,4%, e nas pastagens de 6,5%.

Áreas ardidas mais do que uma vez

A repetição da área ardida assumiu particular expressão na região Norte. Nesta região, 25 municípios apresentavam mais de 200 hectares de área com sobreposição de área ardida, enquanto no Centro esta situação se verificava em sete municípios.

No Norte, Arcos de Valdevez, Baião, Chaves, Cinfães, Ponte da Barca, Sernancelhe e Vila Real apresentavam mais de mil hectares de área ardida mais do que uma vez. No Centro, esse valor era também ultrapassado na Covilhã e no Sabugal.

Mais de dois terços das áreas de maior perigosidade estão a mais de 15 minutos dos bombeiros

Nos territórios de alta e muito alta perigosidade, 1.987,0 mil hectares, correspondentes a 69,6% da superfície destas classes, encontravam-se a mais de 15 minutos de tempo de deslocação de uma corporação de bombeiros.

Nas restantes classes de perigosidade, esta situação abrangia 3.286,6 mil hectares, equivalentes a 60% da respetiva superfície.

Entre os municípios com maior área de alta e muito alta perigosidade localizada a mais de 15 minutos de uma corporação de bombeiros predominavam municípios do Norte e do Centro. Bragança registava 59,5 mil hectares nestas condições e Montalegre 53,3 mil hectares, sendo os únicos municípios acima dos 50 mil hectares.

Proximidade entre áreas edificadas e coberto vegetal

O INE analisou também a interface entre áreas edificadas e coberto vegetal potencialmente combustível, uma dimensão relevante para caracterizar a exposição territorial aos incêndios rurais.

Nos territórios de alta e muito alta perigosidade, considerando os lugares censitários, foram identificados 8.168 quilómetros de interface direta e 1.373 quilómetros de interface indireta entre áreas edificadas e coberto vegetal potencialmente combustível.

A interface direta corresponde a situações em que existe uma mancha de coberto combustível com pelo menos 0,1 hectares a 10 metros ou menos da área edificada.

Segundo a síntese do INE, os territórios de maior perigosidade são predominantemente ocupados por floresta e matos e apresentam, em diferentes áreas, recorrência de incêndios, proximidade entre áreas edificadas e coberto vegetal potencialmente combustível e maiores tempos de deslocação aos corpos de bombeiros.

Fonte: Vida Rural

  • Last modified on Friday, 28 August 2026 14:52