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DGS | Maioria dos portugueses apoia medidas para promover alimentação saudável

  • Thursday, 24 September 2026 13:22

A maioria das medidas de promoção da alimentação saudável regista níveis de concordância superiores a 80% na população, com maior apoio às que promovem uma oferta saudável em contextos institucionais, sobretudo dirigidos a crianças, revela um estudo da DGS.

Os resultados do estudo de opinião pública sobre as medidas de promoção da alimentação saudável, realizado em 2025 junto de uma amostra representativa de 1.000 adultos residentes em Portugal, estão publicados no relatório do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) da Direção-Geral da Saúde.

“Os dados deste estudo mostram que as medidas de promoção da alimentação saudável têm uma elevada aceitação social, o que é bastante positivo”, afirmou à Lusa a diretora do PNPAS, Maria João Gregório.

Entre as medidas avaliadas, a aplicação diferenciada do IVA em função da qualidade nutricional dos alimentos e bebidas foi a que reuniu maior apoio, refletindo a valorização de medidas fiscais alinhadas com os objetivos de saúde pública.

Também as medidas relacionadas com acordos com o setor da indústria e da distribuição alimentar e com a definição de valores máximos para a quantidade de sal e açúcar em determinadas categorias de alimentos apresentaram níveis significativos de aceitação.

Já a redução do tamanho das porções de alimentos e bebidas e dos menus dos restaurantes dividiu mais as opiniões, embora tenha registado níveis de concordância superiores a 50%.

As medidas dirigidas aos espaços frequentados por crianças e jovens obtiveram, contudo, níveis particularmente elevados de apoio. A oferta maioritariamente saudável de alimentos nas creches e escolas registou níveis de concordância superiores a 90%, tal como a gratuitidade das refeições nesses locais.

Para Maria João Gregório, os resultados mostram que existe um reconhecimento da importância de criar ambientes alimentares mais saudáveis, sobretudo nos espaços destinados às crianças.

“Os portugueses não veem a promoção da alimentação saudável apenas como uma questão de responsabilidade individual”, afirmou, defendendo que existe “um apoio expressivo para que as medidas nesta área possam, de facto, tornar os ambientes alimentares mais saudáveis”.

Também as medidas destinadas a melhorar a oferta alimentar nas instituições de ensino superior, instituições de saúde e locais de trabalho apresentaram uma forte concordância.

O mesmo aconteceu com a limitação da colocação de alimentos não saudáveis em locais de destaque nos supermercados, uma medida que procura reduzir a influência da exposição dos produtos no momento da compra.

O estudo revela ainda um elevado consenso relativamente à existência de bebedouros e à disponibilização de água da torneira nos espaços públicos e no setor da restauração.

Na área da informação ao consumidor, foi igualmente registada uma forte aceitação de medidas como a implementação de sistemas de rotulagem nutricional simplificada na frente das embalagens, a regulação da utilização de alegações nutricionais e de saúde e a disponibilização de informação nutricional nos menus dos restaurantes.

Segundo a responsável do PNPAS, estes resultados mostram a importância de disponibilizar informação nutricional “de forma simples e clara”, ao mesmo tempo que reforçam a necessidade de criar condições que facilitem escolhas alimentares mais saudáveis.

Sobre os dados do relatório, Maria João Gregório disse que, por um lado, indicam “sinais positivos e importantes”, mas, por outro lado, “a alimentação inadequada continua a ser um dos grandes desafios de saúde pública em Portugal”.

“Os dados continuam a mostrar que os hábitos alimentares inadequados são o quinto fator de risco para a perda de anos de vida saudável e que também temos mais de 50% da população com excesso de peso”, salientou.

Segundo o documento, o baixo consumo de cereais integrais, o elevado consumo de carne vermelha e a elevada ingestão de sódio, destacam-se como os três principais fatores que contribuem para a perda de anos de vida saudável.

Relativamente aos dados de consumo alimentar, segundo o Inquérito Nacional de Saúde (2025), 44,7% e 46,5% das crianças consome pelo menos uma vez por semana refeições ‘fast food’ ou alimentos ultraprocessados e refrigerantes açucarados, respetivamente.

Em 2025 verificou-se uma diminuição da prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave em Portugal para 3,5%, atingindo o valor mais baixo desde 2019.

Nos episódios de internamento hospitalar, a desnutrição continua a ser o diagnóstico relacionado com o estado nutricional mais prevalente, seguida da obesidade.

“Entre 2020 e 2025, observou-se uma diminuição da desnutrição e um aumento da obesidade, enquanto os episódios com diagnóstico de sarcopenia apresentaram uma tendência crescente, possivelmente influenciada pela melhoria da codificação clínica desta condição” salienta o documento.

Fonte: Agroportal