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Investigação portuguesa desenvolve novas ferramentas para identificação genética do arroz

  • Thursday, 08 January 2026 09:48

Um novo estudo desenvolvido por investigadores do ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade NOVA de Lisboa, revela novas ferramentas para distinguir variedades de arroz e reforçar o combate à fraude alimentar, aprofundando o conhecimento sobre a genética do arroz que chega ao consumidor.

De acordo com o comunicado de imprensa, cerca de metade da população mundial tem no arroz a base da sua alimentação. Em Portugal, o consumo é o mais elevado da Europa, mas grande parte do arroz vem de fora do continente.

Com o aumento da procura por variedades exóticas e aromáticas, como o basmati, e com a quebra da produção devido às alterações climáticas, cresce o risco de informações enganosas sobre a origem e a variedade do arroz, frisa a comunicação, explicando que é  um problema já identificado pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar, que alerta para fraudes que levam os consumidores a pagar mais por produtos que podem não corresponder ao que é anunciado e prejudicam os produtores honestos.

Para responder a estes desafios, os investigadores sequenciaram o genoma de várias variedades de arroz vendidas no mercado europeu, muitas vezes associadas a preços mais elevados, e analisaram pequenas variações no DNA, conhecidas como polimorfismos de nucleótido único (SNPs).

O estudo, publicado na Scientific Reports, identificou dois grandes grupos genéticos no arroz analisado e revelou várias “assinaturas” de DNA que podem ser usadas para fins de certificação.

“Identificámos cinco pequenas variações no genoma que, em conjunto, têm potencial de distinguir as 22 variedades que considerámos neste estudo”, explicou Maria Beatriz Vieira, estudante de doutoramento no ITQB NOVA e coprimeira autora do estudo. E continua: “esta poderá ser uma forma mais económica de identificar variedades comparativamente com painéis genéticos mais extensos e, portanto, mais caros”.

Os investigadores analisaram 22 variedades de arroz consideradas de elevado valor por produtores e pela indústria. Destas, 20 tiveram o genoma sequenciado pela primeira vez no âmbito deste estudo.

A equipa demonstrou ainda que a variedade portuguesa “Maçarico” é a que apresenta maior proximidade genética ao arroz basmati quando comparada com as restantes variedades analisadas, um resultado relevante para a valorização do arroz nacional e para futuras estratégias de melhoramento.

Hugo Rodrigues, também estudante de doutoramento no ITQB NOVA e coprimeiro autor do artigo, explicou que, “ao conhecermos melhor a relação genética destas variedades e as assinaturas que as distinguem, podemos não só detetar a fraude alimentar, mas também desenvolver arroz mais adaptado às condições mediterrânicas”.

Para além de reforçarem a proteção do consumidor e a transparência do mercado, os dados agora obtidos permitem identificar potenciais marcadores genéticos associados a características como a resistência à seca e a qualidade do grão, explica o comunicado.

“Esta informação pode orientar estratégias de melhoramento genético e apoiar o desenvolvimento de variedades de arroz de maior qualidade e melhor adaptadas às condições ambientais atuais e futuras”, conclui Pedro Barros, investigador no Instituto e autor correspondente.

A nota de imprensa avança ainda que a informação gerada neste estudo já está a ser utilizada no projeto europeu TRACE-RICE, liderado pela investigadora Carla Brites, do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, e que contou com a participação do ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier.

O projeto teve como objetivo promover ferramentas custo-eficientes e ambientalmente seguras para garantir a rastreabilidade e autenticidade do arroz, reduzir contaminantes e valorizar subprodutos na produção de alimentos à base de arroz na região do Mediterrâneo.

Fonte: Agroportal