Portuguese English French German Italian Spanish

  Acesso à base de dados   |   em@il: qualfood@idq.pt

Douro: não há excesso de produção, há excesso de oferta

  • Friday, 09 January 2026 09:06

 A crise atual na vitivinicultura no Douro faz-me lembrar Portugal e as suas crises: existem durante grande parte do tempo histórico, mas a região e o país e mantém-se a funcionar sem colapsar. Ainda ecoam — e permanecem muito presentes na minha memória, praticamente todos os dias — as palavras do Professor João Rebelo, que estuda a Região Demarcada do Douro (RDD) há cerca de 40 anos, proferidas na Fundação Casa de Mateus, em Vila Real, nos primeiros dias de julho de 2024, aquando da apresentação pública de uma das conclusões do estudo “Competitividade e sustentabilidade dos vinhos do Douro e Porto. Que estratégia?”, desenvolvido em parceria com os seus colegas da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Alberto Batista e Sofia Gouveia:

A narrativa do excesso de produção é completamente errada; o que há é um excesso de oferta [de vinho]”.

Este fenómeno no mercado dos vinhos resulta, em larga medida, da importação massiva de vinho espanhol a baixo preço, que representa 96% do total importado. Torna-se, por isso, indispensável garantir a rastreabilidade e a transparência do percurso de todo este volume de vinho em território nacional. As importações de vinho em 2022, 2023 e 2024 representaram, respetivamente, 43%, 38% e 30% do vinho produzido em Portugal, sendo pelo menos 68% a granel e correspondendo a mais de 50% da quantidade de vinho exportado em cada um desses anos. “Concordo que o Governo deve desenvolver ações de fiscalização, sem intervir excessivamente no mercado, para que a origem dos vinhos seja clara para os consumidores”, defendeu o Professor João Rebelo.

O estudo indica ainda que a RDD necessita de ajustar o perfil dos vinhos que produz às tendências dos mercados nacionais e internacionais, onde se observa uma procura crescente por vinhos mais leves e frescos — brancos, rosés e espumantes — em detrimento dos vinhos tintos, doces e de elevado teor alcoólico.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte: Agroportal

  • Last modified on Friday, 09 January 2026 09:26