Num contexto internacional marcado pela intensificação da concorrência geopolítica, pelas tensões comerciais e pela disputa pela liderança tecnológica, a Europa procura novas formas de afirmar a sua relevância económica e simbólica. É neste enquadramento que surge a proposta “Made in Europe”, um selo de qualidade e confiança concebido pelo think tank 21st Europe, com o objetivo de elevar a marca Europa junto dos consumidores e mercados globais.
A iniciativa parte da premissa de que a estrutura regulatória europeia — frequentemente percecionada como um entrave competitivo — pode, na realidade, constituir uma vantagem estratégica, ao assegurar elevados padrões de transparência, segurança e proteção do consumidor.
Regulação como vantagem competitiva
Segundo o 21st Europe, o selo “Made in Europe” pretende ir além da simples indicação de origem geográfica. A proposta assenta na ideia de converter regulação, confiança e transparência em forças económicas, permitindo à Europa competir não em escala ou volume, mas em credibilidade. “‘Made in Europe’ consiste em transformar esses padrões em estratégia, utilizando a regulação como ativo económico”, defende o think tank, sublinhando que, num mundo onde as fronteiras entre o físico e o digital são cada vez mais difusas, a confiança tende a tornar-se um fator decisivo de escolha.
Desta forma, o cumprimento normativo deixa de ser um processo invisível para se transformar num sistema vivo de confiança, acessível ao consumidor no momento da decisão de compra.
Mais do que o local de produção
Embora comparável à marcação CE — que atesta o cumprimento de normas europeias de saúde, segurança e ambiente — o selo “Made in Europe” terá um alcance mais amplo. Para o utilizar, um produto ou serviço deverá criar a maior parte do seu valor na Europa, refletindo não apenas onde é fabricado, mas como é concebido, produzido e distribuído.
O selo comunicaria quatro atributos centrais: durabilidade e circularidade, refletindo uma filosofia de design orientada para a longevidade e não para ciclos curtos de consumo; transparência, através de um histórico verificável do produto, da sua origem ao seu impacto; segurança, enquanto garantia de alinhamento com os padrões europeus de privacidade, fiabilidade e proteção; e justiça, associada à criação e partilha de valor, responsabilidade social e compromisso com pessoas, comunidades e o planeta.
Fonte: Grande Consumo