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Fatores ocultos da resistência antimicrobiana em sistemas alimentares

  • Friday, 13 February 2026 16:54

A resistência antimicrobiana (RAM) é frequentemente associada ao uso indevido de antibióticos, mas novas descobertas mostram que os fatores determinantes podem ser muito mais amplos do que se pensava anteriormente. Uma oficina conjunta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Academia Chinesa de Ciências (CAS) destacou como os produtos químicos comumente usados ​​na agricultura e na produção de alimentos podem estar acelerando silenciosamente a disseminação global de microrganismos resistentes a medicamentos.

Realizado em Hangzhou, na China, de 10 a 13 de novembro de 2025, o workshop reuniu especialistas internacionais para examinar a “co-seleção antimicrobiana”, um processo no qual substâncias químicas não antibióticas podem promover a sobrevivência e a disseminação de bactérias resistentes a antibióticos de importância médica. As conclusões estão resumidas em um sumário executivo recém-publicado.

Especialistas analisaram evidências que demonstram que uma ampla gama de substâncias comumente encontradas em sistemas agroalimentares, incluindo aditivos alimentares e para ração animal, metais, pesticidas, produtos farmacêuticos, biocidas e poluentes ambientais, podem contribuir para a resistência antimicrobiana (RAM) ao desencadear respostas de estresse em microrganismos, aumentar as taxas de mutação ou intensificar a transferência horizontal de genes de resistência. Esses processos podem ocorrer no solo, na água, em animais de produção, em plantações e em ambientes de processamento de alimentos.

Os participantes destacaram a necessidade de controlos mais rigorosos nas fases iniciais da produção de alimentos, melhores práticas de higiene e biossegurança e um monitoramento mais eficaz dos insumos químicos em toda a cadeia alimentar.

O relatório também identifica lacunas de conhecimento e prioridades de pesquisa importantes, defendendo mais estudos de campo, ferramentas de vigilância aprimoradas e o uso de tecnologias avançadas, como metagenómica e inteligência artificial, para melhor compreender e mitigar os riscos de resistência antimicrobiana em sistemas agroalimentares.

Leia o resumo executivo aqui

Fonte: FAO