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Menos azeite, mais qualidade

  • Thursday, 19 February 2026 12:19

Ainda não são os dados definitivos, mas as previsões do CEPAAL (Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo) para a campanha 2025/2026 apontam para um decréscimo de aproximadamente 20% na produção de azeite a nível nacional.

Uma consequência das condições climatéricas atípicas ao longo do ano e que “tiveram um efeito mais forte do que o esperado”, como refere o presidente do CEPAAL. “A campanha 2025/2026 tem-nos proporcionado sensações agridoces”, lamentou Manuel Norte Santo, acrescentando que o calor intenso e a total ausência de precipitação nalguns meses do ano foram determinantes na quebra de produção.

A boa notícia está na qualidade do fruto resultante desta campanha. “Vivemos uma colheita caracterizada pela qualidade muita elevada. O fruto ao longo da sua formação revelou excelentes condições sanitárias mantendo-se muito íntegro e saudável, sendo que não foram identificados episódios relevantes de mosca, gafa e/ou geadas pelos nossos produtores, levando a uma grande percentagem de produção de azeites virgens extra”, revela o responsável.

E apesar do calor que se fez sentir no início da campanha apontar para um ano difícil no que diz respeito aos azeites muito frutados, os produtores acabaram por confirmar “as excelentes características organoléticas dos seus azeites”, sublinha Manuel Norte Santo.

Desafios e oportunidades

“A instabilidade política em várias regiões do mundo e os episódios de conflitos, têm implicações diretas nas cadeias de abastecimento e no comércio internacional. Seja a nível de interrupções e restrições nas cadeias de transporte, seja pelo aumento que provoca nos custos de produção, passando pela volatilidade e pelas flutuações cambiais, todas estas questões são catalisadoras da resistência ao comércio internacional”, explica.

Mas a instabilidade nalgumas geografias pode significar a entrada noutras e oportunidades em novos mercados. “Depende da nossa capacidade de adaptação e resiliência para explorarmos novos mercados, para definirmos diferentes estratégias de aproximação a novos e diferentes consumidores”, afirma, lembrando que a gastronomia e o azeite portugueses têm um “reconhecimento crescente” em mercados não tradicionais e emergentes. “Devemos definir uma estratégia conjunta e comum enquanto país para crescermos nestas regiões”, define Manuel Norte Santo, que aponta o acordo UE-Mercosul como uma oportunidade “num futuro próximo no panorama internacional”, já que o Brasil é o primeiro destino de azeite embalado das exportações nacionais. “Um alívio fiscal será certamente benéfico para os produtores portugueses”, sublinha.

 Uma marca única para o azeite português

É o que defende Manuel Norte Santo: uma marca única para agregar e potenciar a visibilidade do azeite português, de uma forma mais estruturada, nos mercados internacionais.
“Estruturar e definir uma estratégia internacional comum para o azeite português, devia ser uma prioridade para os diversos players do nosso setor. A ideia central é deixar de comunicar o azeite português como um conjunto disperso de marcas individuais e passar a ter uma marca mãe agregadora, reconhecível e emocionalmente poderosa nos mercados externos. Outros países produtores, como Itália e Espanha, são exemplos do sucesso que esta estratégia unificadora poderá alcançar”, explica.
O presidente do CEPAAL recorda que o azeite ‘Made in Portugal’ tem registado um crescimento muito significativo, que o país está “na linha da frente da aplicação de tecnologia, quer no campo quer na extração, adotando as práticas mais eficientes e modernas disponíveis” e que em Portugal estão alguns dos lagares mais avançados e capacitados do mundo.
Mas, no seu entender, falta ao setor uma estratégia concertada e eficaz de promoção internacional do azeite português e uma comunicação capaz de valorizar e diferenciar esta transformação do setor. “Creio que temos falhado em converter a inovação e o investimento realizado em vantagem comercial. Por isso, defendo a necessidade de maior concertação e agregação entre os agentes do setor, para comunicarmos melhor, ganharmos escala e reforçarmos o posicionamento do azeite português nos mercados internacionais”, conclui.

Fonte: HiperSuper

  • Last modified on Thursday, 19 February 2026 12:34