Portuguese English French German Italian Spanish

  Acesso à base de dados   |   em@il: qualfood@idq.pt

"Carne" cultivada em 2026: países avançam em ritmos diferentes na corrida pela regulamentação

  • Thursday, 19 February 2026 14:22

A regulamentação da "carne" cultivada em 2026 encontra-se num momento de transição global, marcado por avanços cautelosos, debates públicos intensos e uma crescente necessidade de harmonização entre ciência, indústria e políticas alimentares. Embora a tecnologia tenha amadurecido significativamente na última década, os países seguem ritmos distintos na criação de normas que permitam a produção e comercialização deste tipo de alimento, refletindo diferentes prioridades económicas, culturais e de segurança alimentar.

Na União Europeia, o enquadramento jurídico permanece ancorado no regulamento de “Novel Foods”, que exige avaliações rigorosas de segurança antes de qualquer autorização de mercado. O processo é tecnicamente exigente e envolve análises detalhadas sobre composição, métodos de produção e potenciais impactos no consumidor. Em 2026, observa‑se um interesse crescente por parte de legisladores e entidades científicas, mas a UE mantém a postura tradicionalmente prudente, avançando de forma lenta e metódica. A expectativa é que os primeiros pedidos formais de aprovação avancem, embora ainda não exista consenso sobre prazos concretos.

O Reino Unido, por sua vez, vive um debate público mais visível. Após o Brexit, o país ganhou autonomia regulatória e tem procurado definir a sua própria abordagem à "carne" cultivada. Em 2026, relatórios e consultas públicas destacam a necessidade de salvaguardas adicionais, sobretudo no que diz respeito à transparência dos processos, à rotulagem e ao impacto socioeconómico sobre agricultores e cadeias produtivas tradicionais. O governo britânico demonstra abertura ao tema, mas ainda não avançou para autorizações comerciais, preferindo consolidar um quadro regulatório robusto antes de permitir a entrada destes produtos no mercado.

Nos Estados Unidos, o cenário é paradoxal. Apesar de terem sido pioneiros na aprovação inicial de "carne" cultivada para consumo, o setor enfrenta agora um ambiente regulatório mais exigente e um mercado menos entusiasmado do que nos anos anteriores. Em 2025 e 2026, várias startups encerraram atividades devido a custos elevados, dificuldades de escala e um ritmo regulatório mais lento do que o esperado. A Food and Drug Administration (FDA) e o Departamento de Agricultura (USDA) continuam a supervisionar o processo, mas a combinação de exigências técnicas e desafios económicos tem travado a expansão comercial.

Globalmente, 2026 marca uma fase de realismo no setor. O entusiasmo inicial deu lugar a uma etapa de consolidação, em que investidores se mostram mais seletivos e governos procuram equilibrar inovação com segurança e impacto social. Países asiáticos, como Singapura — pioneira na aprovação comercial — continuam a liderar em termos de implementação prática, embora também enfrentem desafios de custo e aceitação do consumidor. Outros mercados observam atentamente, aguardando evidências mais sólidas de viabilidade económica e benefícios ambientais antes de avançar com regulamentações definitivas.

Assim, o panorama regulatório da "carne" cultivada em 2026 é heterogéneo, marcado por avanços pontuais, prudência institucional e um setor que, embora promissor, ainda procura provar a sua capacidade de competir em escala com a produção convencional. O futuro dependerá da evolução tecnológica, da redução de custos e da capacidade dos governos de criar normas claras que inspirem confiança tanto na indústria quanto nos consumidores.

Fonte: Qualfood