Os preparados à base de ervas são frequentemente comercializados como remédios suaves e naturais – mas, considerando que ervas e especiarias estão sempre entre os principais itens vulneráveis a fraudes alimentares, o que está exatamente a comprar ao adquirir um remédio à base de ervas?
Um estudo recente realizado por investigadores portugueses sobre produtos à base de ervas verificou a autenticidade de 94 produtos utilizando métodos baseados no ADN, e os resultados foram preocupantes.
Taxas de fraude de 66%
Quase dois terços dos produtos estavam rotulados incorretamente (n = 94). Dois terços!
Para contextualizar, a maioria dos levantamentos sobre fraude alimentar em produtos específicos constata que cerca de 10% das amostras são afetadas por fraude. Vinte por cento é considerado um valor excepcionalmente alto. Sessenta e seis por cento é um valor altíssimo.
Entre os produtos rotulados como de espécie única (n = 88), a rotulagem incorreta afetou 64% das amostras quando avaliadas com a abordagem mais sensível. Ou seja, 56 das 88 amostras para as quais a amplificação de DNA foi possível apresentaram problemas em relação à sua composição.
Para as misturas de ervas com múltiplas espécies (n = 6), todos os produtos (100%) estavam rotulados incorretamente.
No contexto deste estudo, rotulagem incorreta significa que o produto foi adulterado ou diluído com material vegetal de outra espécie ou foi totalmente substituído por material vegetal de outra espécie.
Fonte: The Rotten Apple