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Estudo alerta que nanoplásticos podem aumentar a virulência da Salmonella

  • Thursday, 05 March 2026 14:14

Investigadores descobriram que nanoplásticos presentes em embalagens de alimentos podem aumentar a virulência de Salmonella e a formação de biofilme, levantando novas questões sobre a segurança alimentar.

Segundo uma nova pesquisa da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, nanopartículas de plástico libertadas por embalagens plásticas de alimentos podem afetar o comportamento da Salmonella enterica, impactando potencialmente a segurança alimentar e a resistência antimicrobiana.

O estudo examinou como os nanoplásticos – fragmentos microscópicos formados pela degradação de plásticos maiores – interagem com Salmonella, uma das principais causas de doenças transmitidas por alimentos, frequentemente associada a carnes, aves e produtos prontos para consumo. Os investigadores concentraram-se especificamente no poliestireno, um plástico amplamente utilizado em embalagens de alimentos e utensílios descartáveis.

A pesquisa foi liderada por Pratik Banerjee, professor associado do Departamento de Ciência dos Alimentos e Nutrição Humana. A sua equipa começou a investigar o problema depois que testes laboratoriais de rotina em amostras de carne moída de peru comercializada frequentemente identificaram a presença de Salmonella. Embora o cozimento adequado da carne elimine o risco, o produto é comumente embalado em plástico, o que levou os inestigadores a explorar como o patógenio se comporta quando exposto a polímeros plásticos.

A equipa analisou como a exposição a nanopartículas de poliestireno afetou a fisiologia e a expressão génica da Salmonella enterica. As suas descobertas sugerem que as partículas podem alterar o comportamento bacteriano de formas que podem influenciar a virulência e a sobrevivência.

Os biofilmes – camadas protetoras formadas por aglomerados de microrganismos – podem aumentar a sobrevivência bacteriana sob condições de stress. Em ambientes de processamento de alimentos, os biofilmes representam um desafio constante para a higiene, ajudando os patógenos a resistir aos regimes de limpeza e às pressões ambientais.

As bactérias alternam entre modos 'ofensivos' e 'defensivos'.

Os investigadores também observaram que a resposta da Salmonella aos nanoplásticos mudou ao longo do tempo.

Além da virulência, a equipa também está a investigar se os nanoplásticos podem influenciar a resistência antimicrobiana em patógenios transmitidos por alimentos. Banerjee explicou que stressores fisiológicos podem desencadear mecanismos de resistência em bactérias, mesmo que esses stressores não sejam agentes antimicrobianos em si. Resultados preliminares de pesquisas em andamento indicam que os nanoplásticos de poliestireno podem aumentar a expressão de genes de resistência antimicrobiana em Salmonella.

Apesar das descobertas, os pesquisadores alertam que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas sobre as implicações práticas para a indústria alimentar.

Os investigadores afirmam que o seu trabalho está entre os primeiros a examinar as interações entre nanoplásticos e patógenios transmitidos por alimentos sob a perspectiva da segurança alimentar. Eles esperam que mais pesquisas globais ajudem a determinar os riscos potenciais, os limites de tolerância e as implicações para as futuras políticas de segurança alimentar.

Fonte: NewFood Magazine