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Pode a IA, afinal, ter menor impacto ambiental do que se pensa?

  • Tuesday, 24 March 2026 09:33

Vários foram já os alertas que surgiram sobre o impacto ambiental da expansão aparentemente imparável da Inteligência Artificial (IA), especialmente devido aos grandes consumos de energia e às emissões daí resultantes.

Em meados de 2025, surgiu um relatório que apontava nesse sentido, dizendo que as emissões de carbono das maiores empresas tecnológicas do mundo aumentaram, em média, 150% entre 2020 e 2023, devido ao reforço dos investimentos em IA e ao consumo de eletricidade para alimentar centros de dados.

Um ano antes, numa conferência em Los Angeles, nos Estados Unidos da América, o próprio diretor de operações da OpenAI, a criadora do célebre ChatGPT, disse que a proliferação de aplicações de IA colocava um “grande risco” às economias globais devido às exigências de consumo de energia.

Contudo, em novembro do ano passado, foi publicado um estudo na revista ‘Environmental Research Letters’ no qual os autores argumentam que, ao contrário do que se pensa, a IA pouco contribui para as emissões de gases com efeito de estufa e que até pode contribuir para a proteção ambiental.

A investigação foca-se nos Estados Unidos da América (EUA), que é onde estão concentrados os grandes desenvolvimentos desse tipo de tecnologia. Os economistas ambientais Anthony Harding, do Instituto de Tecnologia da Geórgia (EUA), e Juan Moreno-Cruz, da Universidade de Waterloo (Canadá), dizem ter combinado dados sobre a economia norte-americana com estimativas do uso de IA nos diversos setores para determinarem as consequências ambientais se o uso de IA mantiver a atual trajetória.

Os investigadores referem que a quantidade de energia consumida pela IA nos EUA é equivalente à que é consumida em toda a Islândia, mas, ainda assim, defendem que, pelo menos num plano mais abrangente, os efeitos serão praticamente negligenciáveis.

“É importante notar que o aumento do uso de energia não será uniforme”, afirma, em nota, Moreno-Cruz.

“Se olharmos para a energia de uma perspetiva local, isso é importante, porque em alguns lugares poderemos ver duplicar a produção de eletricidade e as emissões”, reconhece. No entanto, considera que, “de uma perspetiva mais ampla, o uso de energia pela IA não será notável”.

Para aquelas vozes que alertam para os impactos climáticos da IA e que defendem que se deve evitá-la, o investigador contra-argumenta com o que diz ser “uma perspetiva diferente”.

“Os efeitos no clima não são significativos e podemos usar a IA para desenvolver tecnologias verdes ou para melhorar as que já existem”, defende.

O objetivo da dupla é fazer estudos semelhantes noutras regiões do mundo onde o uso da IA esteja a crescer para avaliar os seus impactos.

Fonte: Greensavers