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FAO alerta para risco de subida dos preços alimentares devido aos bloqueios no Estreito de Ormuz

  • Thursday, 16 April 2026 13:46

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) alertou para o risco de uma subida significativa dos preços alimentares ainda este ano, caso o transporte marítimo de fatores de produção agrícolas através do Estreito de Ormuz não seja retomado rapidamente.

Segundo a FAO, entre 20% e 45% das exportações de fatores de produção essenciais para o setor agroalimentar, como fertilizantes e energia, dependem desta rota marítima. A interrupção prolongada poderá comprometer o acesso a estes recursos, com impacto direto na produção agrícola global.

O economista-chefe da FAO, Maximo Torero, sublinhou que “o tempo está a esgotar-se”, destacando que os calendários agrícolas colocam os países mais pobres em maior risco de escassez e aumento de preços dos fatores de produção. O responsável alertou ainda que “a última coisa que queremos é uma redução das colheitas e um aumento dos preços das commodities e da inflação alimentar no próximo ano”.

De acordo com a organização, a atual situação poderá levar os agricultores a reduzir o uso de fertilizantes ou a alterar decisões de cultivo, o que poderá traduzir-se em menores produtividades já este ano e em 2027.

Em paralelo, o aumento dos preços da energia poderá incentivar a atribuição de mais recursos à produção de biocombustíveis, reduzindo a disponibilidade global de alimentos.

David Laborde, diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da FAO, afirmou que “estamos numa crise de fatores de produção; não queremos que se transforme numa catástrofe”, sublinhando que o desfecho dependerá das medidas adotadas a curto prazo.

A FAO recomenda que os países evitem restrições às exportações de energia e fertilizantes e avaliem cuidadosamente políticas relacionadas com biocombustíveis. A organização sugere também a mobilização de instrumentos financeiros internacionais para garantir o acesso a fertilizantes por parte dos países mais vulneráveis, evitando distorções no mercado.

Apesar de o índice de preços alimentares da FAO ter permanecido relativamente estável em março, a pressão deverá intensificar-se nos meses seguintes, à medida que os agricultores tomam decisões de produção.

A organização alerta que, se a situação não for resolvida, poderá desencadear efeitos semelhantes aos registados após a pandemia, incluindo inflação alimentar e impacto no crescimento económico global.

A FAO sublinha ainda que, ao contrário de fenómenos naturais, o bloqueio no Estreito de Ormuz é uma situação que pode ser resolvida por decisão governamental, sendo essencial uma resposta rápida para evitar uma escalada nos preços e impactos prolongados na cadeia agroalimentar.

Fonte: Vida Rural