Os crustáceos representam um grupo grande e diversificado de espécies marinhas de elevado valor comercial, cujo consumo tem aumentado significativamente a nível global, não só pela sua ampla disponibilidade, mas também pelo seu elevado valor nutricional. Contudo, os crustáceos são considerados alimentos potencialmente alergénicos por serem capazes de desencadear reações adversas em indivíduos sensibilizados. Estas reações devem-se à existência de proteínas, conhecidas como panalergénios, que estão presentes nos crustáceos e outros artrópodes.
Dentro dos artrópodes, os insetos destacam-se como novas fontes de proteína recentemente introduzidas no mercado europeu, com crescente aceitação e integração na dieta dos países ocidentais. Nesse contexto, o consumo de insetos pode desencadear reações alérgicas em indivíduos sensibilizados a crustáceos, devido ao fenómeno de reatividade cruzada. Este trabalho apresenta a taxonomia dos artrópodes, o consumo de crustáceos e insetos comestíveis, bem como os principais panalergénios em crustáceos e insetos comestíveis.
Os crustáceos representam um grupo amplo e diversificado de espécies marinhas de alto valor comercial, cujo consumo tem aumentado significativamente em todo o mundo, não apenas devido à sua ampla disponibilidade, mas também ao seu elevado valor nutricional. No entanto, os crustáceos são considerados alimentos potencialmente alergênicos, pois podem desencadear reações adversas em indivíduos sensibilizados. Essas reações devem-se à presença de proteínas, encontradas em crustáceos e outros artrópodes, conhecidas como pan-alérgenos. Entre os artrópodes, os insetos destacam-se como novas fontes de proteína recentemente introduzidas no mercado europeu, com crescente aceitação e integração na dieta dos países ocidentais. Assim, o consumo de insetos pode levar a reações alérgicas em indivíduos sensibilizados a crustáceos, através do fenômeno da reatividade cruzada. Este trabalho apresenta a taxonomia dos artrópodes, o consumo de crustáceos e insetos comestíveis, bem como os principais pan-alérgenos presentes nesses alimentos.
Introdução
Os crustáceos são animais invertebrados artrópodes que representam um grupo amplo e diversificado de espécies. Eles são classificados taxonomicamente pelo subfilo Crustacea, cujo nome deriva da palavra latina casca, que consiste em um exoesqueleto rígido que protege e caracteriza esses animais. Este grupo inclui principalmente espécies marinhas que servem de alimento para vários animais marinhos, mas também para humanos, como camarões, lagostas, lagostins, caranguejos e cracas.
O mercado global de crustáceos representa um setor económico significativo, com estimativas a indicarem um valor aproximado de 51 mil milhões de USD em 2025 e com previsão de aumento para 70,5 mil milhões de USD até 2035, correspondendo a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 3,3 %, impulsionado pela elevada procura de proteínas de origem marinha e ao aumento da aquacultura em regiões como a Ásia-Pacífico. Em 2022 a captura de crustáceos na União Europeia (UE), totalizou cerca de 109 276 toneladas, com um valor de aproximadamente 919 milhões de euros, evidenciando o valor comercial destes alimentos no setor da pesca e aquacultura.
As espécies de crustáceos mais consumidas globalmente incluem camarões, nomeadamente o Litopenaeus vannamei, e caranguejos, como o Portunus trituberculatus. Os camarões representam o grupo dominante no consumo de crustáceos, impulsionados principalmente pela extensa produção em aquacultura e vasta disponibilidade no mercado. O consumo destes crustáceos tem aumentado significativamente a nível global, não só pela sua ampla disponibilidade, mas também pelo seu elevado valor nutricional. Estes organismos constituem uma fonte de proteínas de elevada qualidade, fornecendo todos os aminoácidos essenciais necessários ao organismo humano. São ricos em ácidos gordos ómega-3, associados a benefícios cognitivos e cardiovasculares, bem como em vitaminas do complexo B, iodo, selénio e outros minerais essenciais. Este perfil nutricional contribui para a sua elevada procura e inclusão em diversos padrões alimentares globais.
Apesar da relevância econômica e do alto consumo de crustáceos em nível global, sua ingestão não é isenta de riscos dado que a prevalência de alergia a esses alimentos pode variar de 0,5 % a 2,5%, na população geral, sendo observadas taxas mais altas em regiões costeiras ou em populações com ingestão frequente de frutos do mar. Em indivíduos sensibilizados, exposições mínimas por ingestão, contato ou inalação de vapores do processamento desses alimentos podem desencadear reações alérgicas graves, incluindo anafilaxia, exigindo a adoção de restrições dietéticas rigorosas. Consequentemente, os crustáceos fazem parte da lista dos 14 alimentos/ingredientes potencialmente alergênicos, cuja rotulagem é obrigatória e deve ser destacada na listagem.
Leia o artigo completo na TecnoAlimentar nº 46, janeiro/ março de 2026 dedicado ao tema Aquicultura e sustentabilidade.
Fonte: TecnoAlimentar