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Consumidores continuam a avaliar mal o impacto ambiental dos alimentos

  • Monday, 25 May 2026 13:41

Um estudo da Escola de Psicologia da Universidade de Nottingham conclui que muitos consumidores continuam a avaliar de forma incorreta o impacto ambiental dos alimentos que consomem. A investigação aponta para a necessidade de rótulos ambientais simples, capazes de apoiar escolhas alimentares mais informadas.

Publicado no Journal of Cleaner Production, o estudo analisou a forma como as pessoas percecionam o impacto ambiental de diferentes produtos de supermercado. A investigação envolveu 168 participantes no Reino Unido, convidados a classificar uma ampla variedade de produtos em categorias de impacto ambiental definidas pelos investigadores. Os resultados revelam conceções erradas consistentes sobre quais os alimentos mais ou menos prejudiciais para o ambiente.

Origem animal e processamento pesam na perceção

Segundo o estudo, os consumidores tendem a basear a sua avaliação sobretudo em dois fatores: a origem animal ou vegetal do alimento e o grau de processamento.

De forma geral, os participantes assumiram que carne, lacticínios e alimentos altamente processados apresentam maior impacto ambiental. No entanto, a investigação conclui que estas perceções nem sempre correspondem à evidência científica.

Entre os exemplos identificados, muitos participantes sobrestimaram o impacto ambiental dos alimentos processados e subestimaram o de produtos associados a elevado consumo de água, como os frutos secos.

Carne de bovino surpreende consumidores

Os investigadores verificaram também surpresa entre os participantes quanto à diferença entre o impacto ambiental da carne de bovino e o de outras carnes, como a de frango.

Para medir o impacto ambiental dos alimentos, os cientistas recorrem à avaliação do ciclo de vida, uma metodologia que acompanha todo o processo, desde a produção até ao descarte. Esta abordagem considera fatores como fertilizantes, água, energia, emissões, resíduos, uso do solo e consumo de água.

De acordo com os autores, este será o primeiro estudo a explorar a forma como as pessoas percecionam o impacto ambiental de uma gama alargada de produtos comuns num supermercado típico.

Rotulagem ambiental pode facilitar escolhas

Os participantes tiveram ainda acesso a estimativas científicas sobre o impacto ambiental de cada produto e foram questionados sobre se esses resultados eram superiores ou inferiores ao que esperavam.

Segundo Daniel Fletcher, investigador e autor principal do estudo, “descobrimos que os participantes estariam dispostos a mudar o seu comportamento de compra com base nesta tarefa, relatando intenções de diminuir (ou aumentar) o seu consumo futuro de produtos cujo impacto ambiental estimado cientificamente os surpreendeu, sendo alto (ou baixo)”.

O investigador acrescenta que os resultados sugerem que os consumidores podem ter dificuldade em comparar o impacto ambiental de produtos de origem animal e de alimentos altamente processados, por verem esses efeitos como demasiado diferentes para serem comparados diretamente.

Nesse contexto, defende que “rótulos de impacto ambiental que atribuem aos alimentos uma classificação geral única (como A-E) poderiam facilitar essas comparações para os consumidores”.

Mais informação para escolhas sustentáveis

Alexa Spence, professora e coautora do estudo, sustenta que os dados sobre o impacto ambiental dos produtos alimentares estão a abrir novas perspetivas de investigação nesta área. “O estudo deixou claro que existem muitos equívocos a respeito disso, o que reforça a necessidade da rotulagem de impacto ambiental, que ajudaria as pessoas a estarem mais bem informadas para fazer escolhas alimentares sustentáveis”, afirma.

A investigação reforça, assim, a importância de mecanismos simples de comunicação ao consumidor, num contexto em que a sustentabilidade alimentar depende não apenas da disponibilidade de dados científicos, mas também da capacidade de os tornar compreensíveis no momento da compra.

Fonte: Grande Consumo