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NTG | Bruxelas avança com regras para a utilização da edição genética na agricultura

  • Friday, 05 June 2026 13:21

A União Europeia (UE) deu um passo significativo na atualização da sua política agrícola ao aprovar novas regras para as Novas Técnicas Genómicas (NTG), que incluem ferramentas de edição genética como o CRISPR.

O objetivo é acelerar o desenvolvimento de culturas mais resistentes às alterações climáticas, mais eficientes no uso de recursos e melhor adaptadas aos desafios da agricultura moderna.

A decisão, tomada pelo Conselho da União Europeia após negociações com o Parlamento Europeu, pretende criar um enquadramento regulatório mais ajustado aos avanços científicos das últimas duas décadas, substituindo regras que datavam de 2001 e que foram desenhadas antes da existência destas tecnologias de precisão.

Uma resposta aos desafios climáticos e agrícolas

Segundo o novo enquadramento, a UE procura reforçar a segurança alimentar, reduzir a dependência de importações e apoiar um setor agroalimentar mais competitivo e sustentável. Entre os principais objetivos estão a adaptação a secas, novas pragas, doenças emergentes e fenómenos meteorológicos extremos.

Para vários responsáveis políticos, a medida responde a uma necessidade urgente de dar aos agricultores “soluções práticas” num contexto de crescente pressão ambiental e económica.

Duas categorias para regular a inovação

O novo sistema distingue duas classes de plantas obtidas por edição genética:

  • Categoria 1 (NTG1): inclui plantas consideradas equivalentes às variedades convencionais. Estas estarão sujeitas a verificação inicial pelas autoridades, mas não exigirão novas avaliações para a sua descendência e não serão rotuladas como NTG nos produtos finais, exceto no caso das sementes;
  • Categoria 2 (NTG2): abrange modificações mais complexas e continuará a ser regulada pela legislação europeia para organismos geneticamente modificados (OGM), incluindo avaliação de risco, autorização prévia, monitorização e rotulagem obrigatória.

Esta distinção pretende reconhecer que nem todas as aplicações da biotecnologia vegetal apresentam o mesmo nível de risco ou impacto.

Tecnologia de precisão com impacto no terreno

A edição genética, através de ferramentas como o CRISPR-Cas9, permite alterar com precisão segmentos específicos do ADN das plantas, acelerando processos que, no melhoramento tradicional, poderiam demorar anos.

Investigadores sublinham que esta tecnologia pode ser decisiva para desenvolver culturas mais adaptadas a condições extremas, como solos salinos ou escassez de água. Em regiões mediterrânicas, este tipo de inovação é visto como particularmente relevante para garantir produtividade e competitividade agrícola.

Apoio da indústria e debate científico em aberto

O setor das sementes na Europa saudou a decisão, considerando-a um passo importante para uma agricultura mais inovadora e resiliente. A organização Euroseeds destacou que o novo enquadramento poderá apoiar os agricultores com variedades mais adaptadas aos desafios atuais, embora tenha alertado para a necessidade de avaliar o impacto de eventuais encargos administrativos.

Também entre a comunidade científica há uma visão geralmente favorável, embora não isenta de cautelas. Investigadores defendem que a edição genética pode ser uma ferramenta útil para resolver problemas agrícolas específicos e acelerar o desenvolvimento de variedades mais robustas.

Consumidores mostram abertura crescente

Estudos recentes indicam que a aceitação pública da edição genética tende a aumentar quando os benefícios são claros, como a redução do uso de pesticidas, o menor consumo de água ou a melhoria da sustentabilidade alimentar.

Inquéritos realizados no Reino Unido e na Suécia mostram níveis elevados de apoio a estas tecnologias, sobretudo entre os mais jovens, quando estas são associadas a ganhos ambientais e alimentares concretos.

Próximos passos legislativos

O novo regulamento ainda terá de ser formalmente aprovado pelo Parlamento Europeu. Após publicação, entrará em vigor 20 dias depois e prevê-se um período de transição de cerca de dois anos, com aplicação plena apenas a partir de 2028.

Uma mudança de paradigma na agricultura europeia

A decisão não elimina a necessidade de avaliação de risco, transparência ou debate público, mas representa uma mudança importante na forma como a UE enquadra a inovação genética.

Num contexto de alterações climáticas e pressão sobre os sistemas alimentares, Bruxelas aposta em novas ferramentas biotecnológicas como parte da resposta para uma agricultura mais resiliente, produtiva e sustentável.

Leia o comunicado de imprensa do Conselho.

Fonte: Centro de informação de biotecnologia