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SPV alerta para a necessidade de cumprir as metas de reciclagem de embalagens

  • Friday, 17 July 2026 13:06

No primeiro semestre de 2026, as embalagens da recolha seletiva enviadas para reciclagem registaram um ligeiro crescimento de 1%, com apenas 233.065 toneladas de embalagens recolhidas dos ecopontos (mais 2.071 toneladas face ao período homólogo).

Apesar do crescimento, a Sociedade Ponto Verde (SPV) alerta que este ritmo “continua muito aquém do necessário” para que Portugal cumpra as metas de reciclagem de embalagens, mantendo-se particularmente preocupante a situação do vidro, cuja separação cresceu apenas 1%.

“Metade do ano já passou e os números mostram que, se continuarmos neste caminho, estaremos perante mais um ano em que não conseguiremos cumprir as metas de reciclagem de embalagens. O sistema continua a responder abaixo do seu potencial e aquilo que falta, neste momento, é agir no terreno. É imperativo transformar o investimento já realizado em melhores resultados na recolha seletiva e na triagem para conseguirmos aumentar a reciclagem de embalagens”, afirma a CEO da Sociedade Ponto Verde, Ana Trigo Morais.

Como a SPV tem vindo a reforçar, “é urgente que o país aumente significativamente as quantidades de embalagens enviadas para reciclagem para cumprir a meta atualmente em vigor – reciclar 65% das embalagens colocadas no mercado”. Recorde-se que Portugal ficou aquém deste objetivo que é exigido a nível europeu ao ter registado, em 2025, uma taxa de retoma de resíduos de embalagens de 60,5%, tendo entrado em incumprimento das metas europeias de reciclagem.

Para esta entidade, o principal desafio continua a estar na eficiência da recolha seletiva e da triagem. Apesar dos sucessivos apelos à participação dos cidadãos, o esforço dos consumidores tem de ser acompanhado por uma melhoria do serviço prestado: “Os cidadãos têm vindo a ser chamados a participar e a separar corretamente as suas embalagens. Mas também esperam encontrar um serviço com mais qualidade e conveniência, com ecopontos mais acessíveis, disponíveis, limpos e recolhidos com regularidade. A verdade é que o sistema está a ser financiado, mas esse investimento continua sem se traduzir numa melhoria de serviço que é urgente e necessária”, acrescenta.

Mais investimento, os mesmos resultados

O investimento no Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE) tem vindo a ser reforçado de forma consistente e histórica. Os sistemas municipais, multimunicipais e concessionários, responsáveis pela recolha seletiva de resíduos de embalagens, viram a sua capacidade de investimento aumentar em 2025 e beneficiaram de um novo reforço em 2026, decorrente da aplicação dos atuais valores de contrapartida precisamente para acelerar a execução no terreno e incentivar uma maior participação dos cidadãos.

Este financiamento, assegurado pela SPV e pelas restantes entidades gestoras (EG), deverá atingir este ano os 237 milhões de euros (valor estimado), representando um aumento de 25 milhões de euros face a 2025. No ano passado, houve um aumento histórico no valor pago pelas empresas embaladoras, através das entidades gestoras, com o sistema a contar com mais 90 milhões de euros, num total de 212 milhões de euros.

Dados da reciclagem de embalagens

Entre os diferentes materiais, destacam-se evoluções positivas no papel/cartão (+5%) e no alumínio (+7%). Já no vidro, o crescimento de apenas 1% continua a colocar em causa o cumprimento da respetiva meta de reciclagem. Também o ECAL (embalagens de cartão para alimentos líquidos), apesar de apresentar sinais de recuperação, permanece 1% abaixo dos valores registados no período homólogo.

No que diz respeito ao plástico, a análise revela uma realidade distinta entre os diversos tipos de plásticos. Embora, genericamente, apresente uma quebra, esta é explicada sobretudo pela diminuição das chamadas outras embalagens de plástico (categoria que inclui, por exemplo, embalagens de batatas fritas, copos de iogurte e embalagens de frutos secos). Em contrapartida, algumas tipologias apresentam desempenhos muito positivos: o filme (sacos com e sem asas e plástico que envolve os packs de pacotes de leite) cresce 8%; o PEAD (embalagens como frascos de detergente ou shampoo) aumenta 3%; e o PET (utilizado nas garrafas de bebidas) regista um crescimento de 6%.

Mais eficiência, mais reciclagem de embalagens

Neste momento, a prioridade deve passar por garantir que o investimento disponível se traduz numa efetiva modernização e maior eficiência operacional do sistema, com recurso a mais tecnologia em todas as fases do processo, apoiando a gestão e a tomada de decisão e permitindo a implementação de soluções de proximidade ajustadas às necessidades dos cidadãos e às especificidades de cada território.

Além da otimização operacional, é igualmente essencial assegurar uma maior transparência nos sistemas de recolha e triagem. Dispor de ecopontos mais inovadores, recorrendo a tecnologias como a sensorização, desenvolver sistemas de recolha porta a porta mais eficientes e apostar em modelos pay as you throw serão fatores determinantes para aumentar a eficiência da recolha seletiva e melhorar o desempenho da reciclagem de embalagens em Portugal. De destacar que a SPV tem assumido, nos seus 30 anos de atividade, um papel de liderança na inovação e investido no desenvolvimento de soluções para o sector, com um investimento acumulado de 19,4 milhões de euros em inovação e I&D.

Fonte: Grande Consumo